quarta-feira, 9 de março de 2011

“ISTO É O MEU CORPO...” e “ISTO É O MEU SANGUE...” (I)


Pr. José Barbosa de Sena Neto



O texto clássico sobre a Ceia do Senhor, porém, é o de I Coríntios 11.17-34, no qual o apóstolo Paulo, diferentemente dos demais escritores inspirados, não apenas descreve a instituição do memorial pelo Senhor, mas encaixa o evento na situação real da Igreja de Cristo e adorna-o de comentários doutrinários.
As fantasias e superstições de líderes evangélicos oriundos da Umbanda ou do Kardecismo e a nefasta influência de livros de escritores anglicanos e luteranos, que interpretam de modo místico e sacramental os textos referentes à Ceia do Senhor, principalmente o texto clássico paulino, têm inseminado na comunidade evangélica idéias católicas acerca dos elementos da Ceia do Senhor.
Os evangélicos reconhecidos como Batistas, temos rejeitado, frontalmente, através dos tempos, não somente a doutrina da transubstanciação católico-romana (presença real de Cristo na Ceia pela transformação dos elementos pão e vinho no Seu corpo e sangue) como também a da consubstanciação luterana (presença real de Cristo na Ceia, pela união de Cristo com os elementos pão e vinho), por entendermos que tanto uma como a outra, embora amparadas por bem e elaborados argumentos filosóficos, carecem de fundamento bíblico e, o que é pior, induz à idolatria.
A assim-chamada Igreja Católica afirma: “No santíssimo sacramento da Eucaristia estão ‘contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo de Cristo juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo” (Catecismo da Igreja Católica, Ed. Vozes-Loyola, p. 379#1374; Conc. de Trento, DS#1651). Afirma, também: “pela consagração do pão e do vinho opera-se a mudança de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo Nosso Senhor e de toda substância do vinho na substância do Seu sangue; esta mudança, a Igreja católica denominou-a, com acerto e exatidão de transubstanciação”. (Conc. de Trento, DS#1641).
A encíclica Mysterium Fidei, de 30 de setembro de 1965, assinada pelo finado Paulo VI, traz novas interpretações. As categorias e a linguagem tridentina marcadas pela teologia escolástica, já se tornaram irrelevantes para o homem moderno. Nos anos 60 foi de grande notoriedade a preocupação por corresponder à mentalidade moderna, dando chance à chamada ‘crise holandesa’, preocupação esta que aflorou de modo muito forte nos Países Baixos. Os teólogos católicos continuaram defendendo que a eucaristia é um evento de salvação em favor dos homens, mas o importante, naquele momento, era “o novo significado e a nova finalidade” do pão e do vinho depois da consagração. “Transfinalização e transignificação” seriam para os tempos modernos bem mais adequados para traduzir a assim-chamada “transubstanciação”.
Esta encíclica afirma que “com a transubstanciação, as espécies de pão e de vinho revestem novo significado e têm novo fim; mas esse novo fim e esse novo significado supõem uma nova realidade ontológica. Porque há transubstanciação, também há transignificação e transfinalização”. (#766). O que podemos observar é que os tratados teológicos romanistas, numa tentativa desesperada para explicar o não explicável, cada vez mais penetram num emaranhado de opiniões ocas e sem sentido resultante da ilógica proveniente da interpretação literal das palavras de Jesus ao instituir a Ceia Memorial.
O teólogo Jesús Esteja, jesuíta, bastante respeitado no meio do Catolicismo Romano, assim afirma: “Os termos ‘transubstanciação’ e ‘transfinalização’ (ou ‘transignificação’) devem ser usados com reservas. O primeiro, porque “substância” nas ciências positivas já não tem o significado que teve na filosofia grega que serviu de base à teologia escolástica, comum aos padres conciliares de Trento. A “transfinalização (ou ‘transignificaçãocorre o perigo de ser imprecisa para expressar o realismo da presença”.
A assim-chamada Igreja Católica nos assegura que após a oração consecratória sobre o pão e o vinho, são transformados em alguma coisa diferente: em corpo e em sangue. Entretanto, a linguagem empregada nos textos de Mateus 26.26-29, Marcos 14.22-24, Lucas 22.19-20 e I Coríntios 11.23-26 não conduzem a esta conclusão! O que podemos perceber é que era ação de graças e louvor rendidos a Deus, exatamente como o Senhor Jesus fez, quando alimentou a multidão, dando graças pelos pães e pelos peixes (João 6.11).
O que nos chama à atenção são as palavras de Jesus depois da ação de graças: “isto é o meu corpo” e “isto é o meu sangue”. Como poderia Jesus dizer que em Suas mãos estavam o Seu próprio corpo e o Seu próprio sangue, quando Ele ainda estava vivo no meio dos discípulos, habitando o mesmo corpo com o qual nascera da bendita Virgem Maria e com o qual andara e ainda estava andando na companhia dos discípulos? Portanto, a assim-chamada ‘transubstanciação’(ultimamente travestida de ‘transfinalização’ ou de ‘transignificação’), fere frontalmente a inteligência das pessoas sensatas!

“ISTO É O MEU CORPO... e “ISTO É O MEU SANGUE...” (II)


Pr. José Barbosa de Sena Neto
O que nos chama à atenção são as palavras de Jesus depois da ação de graças: “Isto é o meu corpo... isto é o meu sangue, o sangue da aliança”. Como poderia Jesus dizer que em Suas mãos estavam o Seu próprio corpo e o Seu próprio sangue, quando Ele ainda estava vivo no meio dos discípulos, habitando o mesmo corpo com o qual nascera da bendita Virgem Maria e com o qual andara e ainda estava andando na companhia dos discípulos? Portanto, voltamos a afirmar, que a assim-chamada “transubstanciação”, ultimamente chamada de “transfinalização” ou “transignificação”, fere de maneira absurda a inteligência das pessoas sensatas! Os católicos romanos não procuram a razão lógica da sua fé, crê em tudo que os seus teólogos lhes enfiam garganta abaixo, pois se “Roma locuta, causa finita”, se aceita tudo sem contestação, daí o significado da palavra “fiel” que o católico romano recebe!
Outro fato interessante para o qual devemos lançar nossos olhares é o fato de Jesus, após ter abençoado o vinho, o tenha chamado de “o fruto da videira” (Mateus 26.29; Marcos 14.25; Lucas 22.18). Isso demonstra de forma cristalina que a substância do vinho não havia mudado! E o apóstolo Paulo age do mesmo modo, quando chama os elementos da Ceia do Senhor de pão e de vinho! (I Coríntios 11.26).
As narrativas da instituição da Ceia do Senhor e na Carta de Paulo aos Coríntios tornam claro, cristalino, que o Senhor Jesus falou em sentido figurado, quando disse: “Este é o cálice da nova aliança no meu sangue...” (Lucas 22.20b). E Paulo escrevendo a sua Primeira Carta aos Coríntios, após 25 anos que Jesus instituiu a Ceia, cita Jesus dizendo: “Este cálice é o novo testamento (ou nova aliança) no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes (manducação) este pão e beberdes (potação) este cálice anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha” (I Coríntios 11.25-26).
Notemos que nestas palavras Ele usou uma dupla figura de linguagem. O cálice representa o vinho e o vinho é chamado de novo testamento ou nova aliança. O cálice não era literalmente a nova aliança, embora definitivamente declarado, como o pão foi declarado ser o Seu corpo. Eles não beberam o cálice literalmente, como também não beberam literalmente a nova aliança! Como é ridículo dizer que eles assim o fizeram! O Seu corpo também não foi o pão literal, nem o vinho, seu sangue literal. Depois de dar o vinho aos Seus discípulos Jesus disse: “Pois vos digo que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o reino de Deus” (Lucas 22.18). Assim o vinho, mesmo que dele Jesus tenha tomado e depois dado aos Seus discípulos, continuou sendo o fruto da videira! Nenhuma “transubstanciação” ou “transfinalização” ou “transignificação” houve na substância! E isso aconteceu depois da oração de consagração que Jesus fez, quando a assim-chamada Igreja Católica Romana supõe e ensina que aconteceu a alteração, mesmo tendo Jesus e Paulo declarado que os elementos, a substância, continuam sendo pão e vinho!
Voltamos a enfatizar que na ocasião em que estas palavras foram ditas, o pão e o vinho estavam sobre a mesa, diante dEle, e Ele estava assentado à mesa em Seu corpo, como qualquer pessoa viva! Lembremo-nos que a crucificação ainda não havia acontecido! Ele – Jesus e Seus discípulos – comeram a Ceia antes da crucificação! Portanto, não podemos fazer algo em memória de alguém que está presente, como a Igreja Católica Romana faz, dizendo que Cristo está presente na missa! Notemos que ao invés de corpo, sangue, alma e divindade nos elementos, Paulo vê pão e cálice. Se o apóstolo Paulo cresse na presença real, corporal de Cristo sob as aparências do pão e do vinho, com certeza ele não teria dito: “até que Ele venha”, pois Jesus já estaria ali presente! O próprio Jesus ao afirmar: “...fazei isto em memória de Mim” (Lucas 22.19), teria excluído “ipso factoa presença!Esta é a lógica! Da mesma forma se no pão Jesus se tornasse física e corporalmente presente – como afirma a Igreja Católica Romana – “... debaixo destas (espécies do pão e do vinho) está Cristo completo, presente na sua realidade física, mesmo corporalmente...” (Paulo VI, in Mysterium Fidei, 46), evidentemente a Ceia não seria em memória!
A Ceia do Senhor instituída por Jesus não foi um tipo de operação mágica, mas exclusivamente um memorial! E com que finalidade? Com o objetivo de convocar todos os cristãos, através dos séculos, a que se lembrassem da crucificação do Senhor Jesus e de todos os benefícios dele provenientes! Um memorial não representa a realidade, como no caso de serem pão e o vinho o Seu verdadeiro corpo e sangue, mas uma coisa totalmente diferente, que serve apenas como lembrança da coisa real. É perfeitamente óbvio a qualquer leitor observador inteligente que a Ceia do Senhor foi especialmente instituída como uma simples festa memorial.
Segundo a assim-chamada Igreja Católica Romana, aquilo que os sentidos apreendem depois da consagração do pão e do vinho, na assim-chamada “transubstanciação”, são os acidentes. Ora, quando Jesus transformou a água em vinho, em Caná da Galiléia, as características da água desapareceram, porque a água deixou de existir e se transformou em vinho, conforme está escrito em João 2.9-10. Por que após a oração consecratória, o ápice da missa católica romana, o pão não se transforma em carne e o vinho não se transforma em sangue, a exemplo do milagre que aconteceu em Caná da Galiléia? Será que este episódio não será bastante claro à nossa inteligência?

terça-feira, 28 de setembro de 2010

ESTAMOS EVANGELIZANDO CORRETAMENTE?

Pr. José Barbosa de Sena Neto



“E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Marcos 16.15). É interessante observar que a ordem que Jesus dá à Igreja para evangelizar o mundo, está exatamente no final de seu ministério entre nós. É como se o Senhor Jesus estivesse nos dizendo que, para não esquecermos tão importante mandamento, ele estava nos exortando pouco antes de ser assunto aos céus. Como base nesta ordem, somos convocados a levar a semente do Evangelho a todas as pessoas em todos os lugares do mundo. O tom das palavras de Jesus é de que essa atividade é ao mesmo tempo, importante e urgente. Temos observado esta importância com a urgência assim como Jesus nos ordenou? Ou estamos nos ocupando com outras atividades atropelando a ordem imperativa do Mestre?

O evangelismo pessoal é um dos mais eficazes métodos de compartilharmos as Boas Novas, aquele que é feito corpo-a-corpo. Com toda certeza este é o mais eficiente e também o mais negligenciado método de evangelização. Se cada crente soubesse usar os espaços que tem e cavar novos espaços para falar do grande Amor de Deus, com toda certeza o percentual de convertidos estaria bem acima do que temos hoje. Mas o que vemos é que nós, crentes, membros do Corpo de Cristo, estamos nos ocupando com outras atividades, sendo palmatória do mundo, mas negligenciando a ordem imperativa de Jesus!

O crente que não evangeliza não tem muita coisa para contar. Ganhar almas para o Reino de Deus foi a tarefa prioritária do Senhor Jesus e posteriormente do apóstolo Paulo (Lucas 19.10; I Timóteo 1.15). Essa também deve ser nossa tarefa maior. A igreja local que não evangeliza sistematicamente está sendo desobediente a palavra do Senhor e ao mesmo tempo deixando de receber as bênçãos advindas dessa atividade maravilhosa. Precisamos nos lembrar que essa é a nossa missão, na verdade, um privilégio que somente os remidos têm.

Falar de Jesus não é tão fácil. Na verdade, defender um posicionamento exige um mínimo de conhecimento e técnica. Muitos crentes, mesmo depois de passarem por uma experiência de salvação, por algum motivo sentem-se impedidos a falar do Senhor. Há três desculpas mais comuns evidenciadas como impedimentos ao ato da evangelização. 1) Não sei falar, não tenho capacidade de evangelizar!” Não saber falar não é um privilégio seu. Vejamos: Moisés – (Êxodo 3.11); Jeremias – (Jeremias 1.6); Amós – (Amós 7.14). Verifique estes exemplos. Portanto, você precisa se colocar nas mãos do Senhor e Ele certamente o capacitará a fazer a Sua obra e lhe dará as palavras certas na hora certa (Mateus 10.16-20). 2) “Não tenho tempo pra falar de Jesus às pessoas”. Se tivermos o mínimo de sensibilidade veremos que sempre temos alguma oportunidade de falar de Jesus. De fato, não podemos pensar em evangelização como um tempo que nós dedicamos especificamente para isso. Sempre que estivermos em contato com pessoas, então haverá uma condição favorável, uma oportunidade para à evangelização. O próprio Jesus, num momento aparentemente inoportuno, achou condições para evangelizar (João 4.5-7). Portanto, essa desculpa é descabida. O que nos cabe é observar quais são as oportunidades que temos tido todos os dias para falar de Jesus. 3) “Evangelizar é tarefa dos pastores ou líderes, que são preparados para isso!” Se a obra da evangelização ficasse a cargo de meia dúzia de pessoas, com toda certeza o mundo jamais seria alcançado. Quando estabeleceu a Grande Comissão da Igreja, Jesus estava se dirigindo a todos os que O professam como Senhor e Salvador. Em sua declaração, Ele nos mandou fazer discípulos e estes deveriam gerar novos discípulos (Mateus 28.19-20). No rebanho do Senhor, são as ovelhas que geram novas ovelhas, e cabe aos pastores e líderes cuidarem das mesmas.

Na prática do Evangelismo pessoal, três classes de pessoas são alcançadas: 1) O pecador. Quem evangeliza pessoalmente tem a oportunidade de anunciar o amor de Deus a uma pessoa que está completamente perdida, seja na miséria do pecado ou na miséria da religião. No trato pessoal com o pecador, podemos sentir suas frustrações e as tensões de seu coração, e levá-lo a uma reflexão sobre sua própria vida e como ele pode ascender uma melhor posição através do Senhor Jesus Cristo. Eu fui alcançado desta forma, de uma maneira muito simples, porém tremendamente eficaz. A relação passa a ser mais pessoal e de verdade o pecador se sente amado por Deus e por aquele que está tentando ajudá-lo! 2) Os desviados do Evangelho. Pelo caminho encontramos pessoas que, por algum motivo ou outro, acabaram abandonando a Casa do Senhor e se enveredando de volta ao caminho do erro. Essas tais são conhecidas como “ovelhas perdidas”. Elas abandonaram o aprisco do Senhor, mas ainda podem voltar para o Caminho. Quem evangeliza pessoalmente, sempre encontra uma pessoa afastada da fé e tem a oportunidade de lhe exortar a voltar ao Senhor. Muitos dos que foram enganados pelo coração ou pelas ciladas do diabo, acabam se reconciliando com Deus e com a Igreja local. 3) O próprio crente. Sem sombra de dúvidas, o maior beneficiado com a prática do evangelismo pessoal é o próprio evangelista. Pelo fato de estar sempre diante de experiências novas, seja com um pecador ou com um desviado, quem evangeliza passa por um processo de amadurecimento maravilhoso.

Sem a ação do Espírito Santo, podemos até ter um bom discurso convincente, mas não transformador! Jesus, antes de ser assunto ao céu, prometeu que enviaria o Espírito Santo para estar conosco (João 15.26-27; 16.7-14). É Ele quem testifica de Jesus no coração do homem. Portanto, se estamos evangelizando ou testificando de Jesus, nos tornamos cooperadores e canais de Deus entre os homens para que estes alcancem a salvação de suas vidas. Se o Espírito Santo não fizer a obra, de nada adianta toda nossa técnica de pregação.

Quando evangelizamos alguém estamos usando não só a linguagem, o verbo, mas principalmente narrando o testemunho do que aconteceu em nossas vidas. A pregação, dissociada de conteúdo prático, é apenas um belo discurso, mas sem autoridade. Evangelizar é tarefa dos discípulos, daqueles que andam com Cristo, que falam com proximidade de quem é o Senhor, transmitindo a sua intimidade com Ele! Um teólogo que aprendeu as coisas a respeito de Deus, mas não teve uma experiência pessoal com Jesus, falará sempre de um Deus distante, com o qual não tem intimidade! O discípulo, não! Ele que caminha e está com o Mestre, falará de uma relação pessoal e íntima com Ele! (João 1.35-42; 4.28-30).

Utilizar seu testemunho pessoal para evangelizar é maravilhoso, mas não pode ser apenas isso. Nossa experiência pode sensibilizar o coração das pessoas, mas é a ação da Palavra de Deus que transforma o coração do pecador! Não nos esqueçamos disso, jamais! Além do mais, nossa experiência pode ser contestada ou desacreditada, mas quando usamos a Palavra de Deus, todo argumento humano cai por terra. Só pode falar de Jesus e da salvação, quem passou por essa experiência e que caminha com Ele, intimamente! É assim que estamos evangelizando?