quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

JEJUM É BÍBLICO, É UMA PRÁTICA CRISTÃ?

Pr. José Barbosa de Sena Neto
 
 
É válido Jejuar, hoje? Não seria uma prática tipicamente judaica? Como e por que jejuar, hoje? Que frutos obteremos com o jejum?
 
Embora vivendo num mundo envolvido num grande conflito, Deus tem colocado à nossa disposição, meios poderosos com os quais podemos ser mais do que vencedores. Um destes meios é o jejum. Esta prática nos coloca em íntimo contato com o Deus onipotente, a ponto de ligar nossa mão finita à mão infinita, nos tornando durante esta ligação, tão onipotentes quanto o próprio Deus.
 
A mais fascinante experiência concedida a um mortal, é a de ser um instrumento nas mãos de um Deus Todo Poderoso, e executar os atos da Divindade. Através desta experiência, homens abriram o mar; fizeram que da rocha brotasse água; que do céu caísse fogo; curaram os enfermos com o toque de sua mão ou até mesmo com sua sombra; expulsaram demônios; ressuscitaram mortos; multiplicaram alimentos; detiveram o sol, bem como o fizeram retroceder. Como meros mortais puderam realizar obras tão grandiosas? Como puderam ter em suas mãos o controle dos elementos da natureza e da própria vida? Através da sua ligação com um poder infinito, através de uma comunhão de fé que abriu as comportas “dos celeiros do céu, onde se acham armazenados todos os recursos da onipotência”.
 
Há quem seja contrário ao jejum.  Mas, quando buscamos a Deus com jejum e oração, não mudamos a mente de Deus, mas a nossa. O jejum nos faz mais aptos para receber, do que faz Deus mais pronto a conceder.
 
Temos exemplos vívidos do poder que advém do jejum, na vida de homens como Moisés que jejuou 40 dias (Êxodos 34.28); Esdras – 3 dias (Esdras 10.6); Elias – 40 dias (I Reis 19.8); Daniel – 21 dias (Daniel 10.3), Ana jejuou quando queria ter um filho, e o pediu a Deus (I Samuel 1.7); Davi jejuou também, em diversas ocasiões (II Samuel 1.12; 12.22); toda a nação israelita jejuava no Dia da Expiação (Levíticos 23.27 ss). Mas o jejum não está registrado apenas no Velho Testamento, mas também no Novo Testamento: Jesus quando se encontrava no deserto jejuou 40 dias e quarenta noites (Mateus 4.2; Lucas 4.2); João Batista ensinou seus discípulos a jejuarem com frequência (Marcos 2.18; Lucas 5.33); E houve quem criticasse os discípulos  de Jesus por não jejuarem com frequência (Mateus 9.14-15; Marcos 2.18-19; Lucas 5.33-35); Ana servia ao Senhor no templo, com jejuns (Lucas 2.37); Paulo jejuou nos dias que se seguiram à sua conversão na estrada de Damasco (Atos 9.9); Cornélio jejuou, antes de ter aquela visão em Cesaréia (Atos 10.30). A Igreja de Antioquia jejuou antes de comissionar a Paulo e Barnabé para a primeira viagem missionária (Atos 13.3). Mais tarde, durante a viagem de Paulo para Roma, ele e outras pessoas que estavam naquele navio jejuaram quatorze dias (Atos 27.33).  Quando estas pessoas passavam dias sem se alimentarem, ou noites gastas em oração conjunta, voltavam desses períodos mais fortalecidos do que antes, mais dispostos do que se tivessem gasto estas horas dormindo. Eles foram verdadeiramente sustentados pela companhia do Senhor. Isso está escrito na Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. Por que descremos disso?
 
Por toda a História, grandes homens de Deus buscaram seu poder e bênção através de Jejum e oração. Lutero, Calvino e João Knox foram homens que jejuaram. Desconhecemos disso? Jonathan Edwards jejuou vinte e duas horas antes de pregar seu famoso sermão: “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado”. A influência espiritual daquela mensagem não ficou restrita apenas à chama do avivamento que se alastrou pelas colônias da Nova Inglaterra, mas ainda hoje continua a acender centelha do avivamento na vida de muitos cristãos.
 
Algumas pessoas afirmam que não devemos pregar sobre o jejum. Citam textos em que Jesus ensina que não devemos nos gabar de nosso jejum: “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade digo que já receberam a recompensa” (Mateus 6.16). Entretanto, Jesus não estava condenando o jejum, mas, sim, aqueles que alardeavam seu jejum. Está claro que tal atitude não glorificava a Deus, nem era prova de que eram sinceros em suas orações. Mas Ele não se opôs a uma conclamação pública para o jejum.
 
Acredite que é perfeitamente bíblico conclamar os cristãos para um jejum, sim. Isso constitui um ato de fé; é um desafio a que se privem de uma necessidade vital, a fim que que possam orar com mais eficácia. Ester pediu ao seu povo que jejuassem (Ester 4.16); o Rei Josafá também convocou um jejum (II Crônicas 20.3) e Esdras também fez o mesmo (Esdras 8.21).
 
Deus criou o homem com a necessidade inerente de ingerir alimentos para poder viver. Essa necessidade diária forçou o homem, a criatura, a confiar em Deus, o Criador, para fornecer-lhe alimento. Se não tivesse essa necessidade, facilmente se esqueceria de Deus. Comer é muito agradável. Quem não gosta de comer? Todos nós gostamos e às vezes, exageramos. É um dos prazeres  que Deus nos concedeu. Deus disse a Adão que ele poderia comer de quase todos os frutos do jardim. Eles tinham sido criados para servir-lhes de alimento. Comer era uma aprte natural da vida. Ele só não poderia comer do fruto da árvore do conhecimento.
 
Quando o Senhor Jesus iniciou seu ministério seu primeiro ato público foi participar de uma festa de casamento em Caná da Galiléia (João 2.1-22). Certa ocasião, quando uma multidão de cinco mil homens estava faminta, Jesus poderia tê-los exortado a jejuar, falando dos benefícios espirituais que adviriam disso. Mas não o fez. Pelo contrário, providenciou  alimento para eles, ilustrando, na prática, a provisão divina.
 
E como todo alimento que comemos é um presente que nos vem da graça de Deus, a nossa atitude, ao iniciarmos as refeições, deve ser de gratidão para com Deus. Jesus deu o exemplo disso, quando deu graças antes de comer (João 6.11). Na Bíblia, o jejum se acha muito associado à oração, senão vejamos: Salmo 35.13; Mateus 6.5-18; I Coríntios 7.5). Quando uma pessoa jejua, está-se abstendo da alimentação, que é tanto uma necessidade quanto um  prazer. Essa abundância constitui, pois, uma expressão contínua de sua oração interior. O  Jejum revela que nossa oração é profundamente sincera. O jejum é um recurso pelo qual o espírito protege o corpo de  ir-se excedendo nos alimentos. Quando uma pessoa jejua, ela tem o corpo sob controle, e assim  pode realizar melhor a obra do Mestre.
 
Ultimamente tem surgido muita confusão em torno do jejum. Há quem advogue a abstinência de alimentos como uma forma de regime. Outros apresentam o jejum como um modo de se obterem benefícios para o corpo. E algumas pessoas chegam ao fanatismo, nessa questão. Precisamos ser cautelosos e evitar sensacionalismos. Nenhum dessas maneira de encarar o jejum se encaixa dentro do ensino bíblico acerca dele.
 
Por outro lado, muitos de nós, falamos bem pouco sobre o jejum, quando não silenciamos de todo, achando que não é prática cristã e muitos de nós o ignoramos por completo. Queremos a todo custo alijá-lo do nosso meio. Em consequência disso, estamos ficando sem as bênçãos que poderíamos receber melhor, se praticássemos o jejum e a oração corretamente. Há muito falta de poder em nossos públicos, pouca mensagem, mas muito discurso vazio, até mesmo eloquentes, mas por falta de jejum e oração,  nos tornamos pregoeiros incrédulos e de corações endurecidos e não transmitimos a Palavra de Deus com poder e unção.                     
 
Contudo, há vários pontos sobre o jejum que devemos considerar, para que tenhamos uma visão completa e coerente sobre esta importante prática do viver cristão.
 
Primeiramente, devemos compreender quais são os objetivos do jejum. De acordo com a orientação e exemplos conhecidos da Palavra de Deus, descobrimos os seguintes objetivos:
 
1º Ter a mente desimpedida da sobrecarga que o processo digestivo exige, para facilitar a comunhão, a meditação e a reflexão com Deus.
 
2º Mostrar a Deus e provar para nós mesmos, que aquilo que pedimos, ou as vitórias que almejamos, são realmente de suma importância para nós. Muitas vezes não sabemos exatamente o que queremos, e num período de jejum e oração, nossa mente se abre, ouvimos o nosso próprio coração e a voz de Deus, que nos convence da necessidade ou não, daquilo que desejamos.
 
3º Separar um momento especial que nos desligue do trivial e secular, e nos coloque numa atmosfera mais intensamente espiritual.
 
4º Adquirir mais disciplina e controle sobre nossos desejos e nossa vontade. Quando dominamos nosso apetite, assumimos um domínio saudável sobre nossa vontade, colocando-a em submissão à vontade divina.
 
5º Conceder ao sistema digestivo uma pausa para descanso. Muitas enfermidades podem ser evitadas e até curadas, com um período saudável de abstenção de alimentos.
 
6º Acima de tudo, nos colocar num íntimo e intensivo contato com Deus. Quando perturbado pela tentação, quando em necessidade de vencer um pecado acariciado, ou um hábito por anos arraigado, quando diante de uma grande provação, ou uma importante decisão, nada poderá ser mais efetivo em nossa vida do que estar bem perto de Jesus através do jejum e oração. Experimente isso e verá.
 
Agora, quanto à duração do jejum, não podemos estabelecer o mesmo tempo para todas as pessoas, pois o mesmo depende da constituição e do estado físico de cada um. Existem então alguns fatores que devemos levar em consideração, antes de estabelecermos um período de jejum que seja mais adequado com a nossa realidade.
 
1º O estado de saúde. Para que o jejum tenha o efeito desejado, a pessoa tem que estar bem fisicamente, pois caso contrário vai debilitar tanto a pessoa, que ela não terá disposição para comungar com Deus.
 
2º A constituição física. Nem todos podem suportar um jejum de 24 horas, devido sua estrutura física. Uma pessoa muito magra, desnutrida, ou mal desenvolvida não pode passar por um período longo sem se alimentar. Ninguém deve fazer um jejum total, com abstinência de alimentos e de água porque pode até lhe trazer perigo, sem antes conversar com um médico antes de fazer um jejum completo.   
 
3º A atividade física. Uma pessoa que exerce um trabalho braçal, tem necessidade alimentícia diferente de uma pessoa de vida sedentária.
 
Levando tudo isto em consideração, podemos então estabelecer os motivos e a duração do jejum, obedecendo os critérios acima mencionados. Sendo assim, a duração do jejum pode ser de 24, 12, ou até de 6 horas, e pode ser também de total abstenção de alimentos sólidos ou líquidos, como pode também ser de abstenção parcial tanto de líquidos quanto de sólidos. A Bíblia ensina que o jejum normal consiste em abster-se totalmente de alimento sólido. O jejum normal não implicava em abstinência de líquidos. Na ocasião em que Jesus jejuou quarenta dias e quarenta  noites no deserto, lemos o seguinte: “E, depois de jejuar quarenta dias e quarentas noites, teve fome” (Mateus 4.2). A Bíblia não menciona que Ele teve sede. Seria fisicamente impossível jejuar quarenta dias e quarenta noites sem ingerir líquidos. A maioria dos biblistas, acredita quer Jesus bebeu água no deserto, mas não ingeriu alimento sólido.  
 
Certas pessoas podem ficar em total abstenção e mesmo assim não perder sua disposição mental e física. Outros já não conseguem ter a concentração e disposição necessárias, devido o despreparo do seu corpo ou a fraqueza que o jejum total pode provocar nelas. Neste caso, ela pode tanto diminuir o tempo do jejum, como pode se alimentar com algo bem leve como, frutas, sucos ou algum tipo de alimento que não sobrecarregue o organismo e ao mesmo tempo alimente, ainda que levemente.
 
Pode não ser requerida a completa abstinência de alimento, mas devem comer parcamente, do alimento mais simples”. (CSRA 188-9)
 
Outro ponto a considerar é o costume da pessoa em relação ao jejum. Se a pessoa nunca jejuou, ela pode começar com um jejum de tempo reduzido, ou de abstenção parcial, e paulatinamente ir estendendo a duração e a abstenção de alimentos, de acordo com a sua realidade, até chegar à compreensão do seu limite.
 
Devemos sempre nos lembrar que a forma e a duração do jejum, só podem ser estabelecidos pela própria pessoa, sem jamais ser legislado e imposto por outros. Também não é preciso que seja anunciado publicamente por palavras, nem por um rosto abatido e triste, pois esta é uma experiência particular entre Deus e o adorador. Sendo assim, o jejum deve trazer alegria, confiança e entusiasmo na vida daquele que participa desta experiência maravilhosa com seu Criador (Mateus 6:16-18).
 
Outra grande complicação é com relação se o jejum inclui também a abstinência das relações sexuais entre marido e mulher. Isso é muito complicado, mormente em se tratando de um ou outro não ser cristão. E tem gente por aí afora ensinando quando do jejum, devem ser suprimidas as relações sexuais. Correto? Sim e não. Quando o casal é crente, é cristão, tudo bem,  porque há o “mútuo consentimento”. Mas quando um não é cristão, é terrivelmente complicado. Cuidado com os ‘ensinadores’ de coisas absurdas. Vejamos o que Paulo ensina: “Não vos priveis um ao outro, salvo talvez por mútuo consentimento, por algum tempo, para vos dedicardes à oração e, novamente, vos ajuntardes, para que Satanás não vos tente por causa da incontinência” (I Coríntios 7.5). Assim como algumas pessoas se abstêm do prazer da alimentação, assim também, num jejum parcial, o casal pode se abster das alegrias do casamento ou relações sexuais, sendo crentes, “por algum tempo”. Cuidado com o longo tempo. Como em todas as coisas, o espiritual deve governar o físico, pois nosso corpo é templo de Deus. O marido e a esposa crentes ou havendo “mútuo consentimento”, podem até abster-se das relações sexuais a fim de dedicar toda a sua atenção à oração e jejum, mas não devem fazer disso uma desculpa para longos períodos de abstinência “para que Satanás não vos tente por causa da incontinência”. Nunca ouvi falar que um crente e um incrédulo oram juntos... Aqui todo cuidado é pouco e o Senhor Deus nos deu perfeita sabedoria e bom senso. Há muita gente ensinando as irmãs que tem maridos incrédulos ou vice versa incrédulos a utilizar da abstinência das relações sexuais... No meu ponto de vista, isso é tremendamente incorreto, porque Paulo ensina: “A mulher não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim o marido; e também, semelhantemente, o marido não tem poder sobre o seu próprio corpo, e sim a mulher”). I Cor. 7.4) Paulo ensina e incentiva os cônjuges a estar em sintonia um com o outro tanto nas questões espirituais quanto físicas. Não nos esqueçamos jamais do “algum tempo”.
 
Finalmente, se a pessoa não está disposta a entregar-se à oração por longos períodos durante o jejum, não deve jejuar. A mera privação de alimentos não tem nenhum valor, se não for acompanhada por um exercício espiritual nas mesmas proporções. Por outro lado, a abstinência de alimentos às vezes é associada com a ideia de se fazer ‘boas obras’, para agradar a Deus. Isso é ranço de catolicismo... Quando uma pessoa se priva de alimentos, está fazendo um ato que demonstra a sinceridade de sua fé. “Porque o reino de Deus não é comida nem bebida; justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14.17).  
 
Se uma pessoa jejuar confiando em que isso lhe trará a salvação, esse jejum é obra da carne. A Bíblia ensina que não é “por obras de justiça praticadas por nós” (Tito 4.5), mas “ao que não trabalha, porém crê” (Romanos 4.5). Não podemos ser salvos por meio de obras. A credulidade do jejum não está na abstenção pura e simples, mas na sinceridade da pessoa que manifesta sua fé. O fato de algumas pessoas o praticarem apenas por legalismo, não invalida o jejum. Quando alguém crê que Deus será louvado pela consagração de seu corpo, pelo tempo passado em oração e pela abstinência de alimentos, seu jejum se torna um ato de fé.
 
Alguns querem que os outros jejuem, exatamente como eles o fazem. Na verdade, a Bíblia não nos diz quanto tempo devemos jejuar, nem quantas vezes e nem nos obriga a jejuar. O que é bênção para um, pode prejudicar a espiritualidade de outro, se se tornar uma imposição. Quem quiser jejuar, deve fazê-lo com a motivação correta, de modo bíblico, mas não deve forçar ninguém a fazer o mesmo. É o que eu penso. É o que faço. E sinto-me bem diante do Senhor Deus em assim e assim fazê-lo.
 
Gostaria de desafiá-lo a “alimentar-se” de Jesus Cristo durante o dia do jejum, quando assim e assim desejar fazê-lo. No dia em que Jesus se sentou  à beira do poço de Jacó, em Siquém, os discípulos tinham saído em busca de alimento. Quando os discípulos chegaram, disseram-lhe que comesse, ao que Ele respondeu: “Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis” (João 4.23). Ninguém lhe dera comida. O alimento que satisfizera Jesus fora fazer a vontade de Deus (João 34). Por isso é que creio que jejuar não implica apenas em abstermo-nos de alimento, mas também em nos consagrarmos à oração, buscando assim a face do Senhor!
 
Minha oração é que o Senhor Deus o ajude a reconhecer, de uma vez por todas, os benefícios que o jejum e a oração pode lhes trazer.
Experimente.
   

 

EDUCAÇÃO DE DEUS PARA A VIDA EM FAMÍLIA

Pr. Barbosa Neto
 
Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na  tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Deuteronômio 6. 4-9)
 
O Evangelho é a ação redentora e restauradora, é a Pessoa  do próprio Deus em Cristo revelado pelo Espírito Santo.
 
A palavra casa nos faz lembrar um determinado lugar ou espaço físico propício para o convívio entre pessoas de uma mesma família. Porém, uma casa não é apenas uma estrutura física construída por mãos humanas. Em sentido bíblico a casa deveria ser o primeiro ambiente da manifestação e testemunho do grande amor de Deus.  “Porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Josué 24.15).  Esta casa de Josué é a figura de uma família adoradora e servidora na obra evangelizadora de Deus.
 
O Evangelho que começa em casa é um enunciado que traz a ideia de transformação causada pela revelação e a manifestação visível do amor Divino, impactando de maneira efetiva a vida de alguém e que influencia as demais pessoas que vivem sob um mesmo teto! A vontade do Senhor era, é e será sempre que todas as casas (famílias) sejam compostas  de pessoas amadas e alcançadas por Ele, para que possam adorá-Lo e servi-Lo com alegria!
 
Olhem para o texto acima. A sequência aqui é muito simples, transformadora e libertadora: revelação de Deus (ouve), relação com Deus (amarás), obediência pessoal a Deus (em teu coração), família amada por Deus (filhos e casa) e testemunho do amor de Deus diante das pessoas (portas). Viver pelo amor revelado de Deus não é uma opção, mas, a maior necessidade humana, tanto na esfera individual como coletiva (familiar) ensinada em Deuteronômio 6.5). O Seu revelado é a essência da vida que Ele quer para nós!
 
Em Deuteronômio a casa ou família é um projeto de vida conjunta e experimentada sob a dependência e a orientação de Deus e que, deveria ser a base de qualquer sociedade temente a Ele. Esta postura de famílias diante do Senhor deveria ter sido assumida pelo povo de hebreu e testemunhada perante todas as outras nações. O povo de Israel foi resgatado e formado para demonstrar a todos os povos da Terra que a família humana só teria sentido pela manifestação do amor Divino.
 
O conteúdo do texto de Deuteronômio 6.4-9 é um verdadeiro tratado teológico de educação de Deus para a vida em família. O amor revelado por Deus é o ensinamento mais central da fé bíblica e a proposta Divina era que fosse o fundamento norteador da vida nas e através das famílias pertencentes ao Seu povo. É uma questão de testemunho da ação transformadora de Deus. Em outras palavras, de evangelismo através dos lares transformados por Ele.
 
O Evangelho que começa em casa de ser um reflexo da graça de Deus reproduzida na vida das pessoas do e no lar. Qualquer fracasso  na execução da missão da Igreja tem suas origens no fracasso da vivência da Palavra de Deus no lar. A tarefa da evangelização de uma sociedade tem o seu início na evangelização de indivíduos, iniciando-se em lares tementes ao Senhor. O temor é a intimidade que faz brotar a verdadeira espiritualidade.
 
O Evangelho começa em casa através  da prática do perdão entre pessoas alcançadas pela graça. Na aceitação mútua entre cônjuges e filhos. Na reconciliação e na prática do amor de Deus derramado em nossos corações. Nunca precisamos nos esforçar para refletir o amor de  Deus em nossa vida familiar. Lares que vivem na base de trocas pessoais ou chantagens afetivas ainda não conheceram o amor incondicional do Senhor!  
 
O Evangelho começa em casa, no ambiente familiar, na medida em que couber aos pais serem os primeiros evangelistas de seus filhos. Na ótica Divina a função paternal tem caráter pastoral, “e as ensinarás a teus filhos”. Pais como pastores de seus filhos? Sim! É o que a Palavra de Deus nos ensina no texto acima. Precisamos aprender com  o Senhor que nossos lares são a primeira instância para refletirmos mais experiências com Deus e não somente falar sobre Ele.
 
Antes de pertencermos a uma igreja local  ou comunidade evangélica, nos identificar com uma determinada confissão de fé ou desempenharmos qualquer ministério cristão, necessitamos com urgência de crer que o plano do Senhor  é redimir pessoas e operar a sua salvação a partir das famílias. Lares alcançados pelo amor de Deus reproduzem igrejas locais que glorificam o Seu Nome!
 
A família é o primeiro  cenário visível para o exercício do amor de Deus invisível. É a instância onde o amor do Senhor deve ser visto a partir da  vida de pais regenerados. O efeito natural de uma convivência familiar alimentada pela ação amorosa de Deus, certamente não será a formatação de filhos perfeitos segundo os padrões morais pré-estabelecidos por nós mesmos na esfera social ou  eclesiástica, mas, o renascimento de filhos conquistados pelo amor redentor do Pai Supremo! Pode-se ver claramente que, mesmo através de uma breve análise dos textos bíblicos acima, é necessária uma transformação radical na vida dos pais para que seja edificada uma casa “segundo o coração de Deus”.
 
Um dos grandes desafios ou barreiras que temos é rever a nossa maneira de ler as Escrituras.  Precisamos aprender a praticar a Palavra de Deus de maneira que agrade somente a Ele. Não é a quantidade de tempo dedicado a leitura bíblica que fará a diferença em nossas casas. É a maneira de absorver e praticar as orientações Divinas que farão com que compreendamos a Sua verdadeira vontade para a nossas famílias.
 
A quantidade de tempo dedicado ao exercício da nossa paternidade com os nossos filhos, as nossas ações paternais praticadas diante delas  e as reações geradas pelo nosso testemunho do agir de Deus em suas vidas vão dizer se o Evangelho que cremos foi (ou não) pregado em casa!  
 
Falando do Evangelho que começa em casa, podemos concluir dizendo que somente pais que foram incluídos e alicerçados na Pessoa  e Obra de Cristo na Cruz poderão pastorear suas esposas, filhos e filhas, de acordo com a vontade e o propósito do Criador e Redentor de suas famílias! Este é, portanto, o ponto de partida para qualquer reflexão sobre a nossa missão, enquanto família de Deus ou Igreja de Cristo, diante  de um mundo perdido, sem o amor do Pai e sem a revelação direta do Criador e Redentor de toda a família humana!
 
Que o Senhor Deus abençoe e proteja as nossas casas e famílias! Amém!  
 
 

 

quarta-feira, 20 de março de 2013

O DESPERTAR E O OBEDECER PARA QUE UM MILAGRE ACONTEÇA NA SUA VIDA!


                                                Atos 12.1-17

Caríssimos companheiros:

Não sei por que razão estou sendo movido para compartilhar com aqueles que me leem neste exato momento, sobre algo que o Senhor Deus tem colocado no meu coração. Estou tão atarefado, mas tão atarefado,  que vocês nem imaginam. Mas vejam só, o Senhor Deus me inquietou, e me mandou parar com tudo que eu estava fazendo, para ouvir e escrever o que Ele estava me dizendo através de Sua Palavra, quando em um dos meus momentos devocionais matutinos. Por isso é que eu estou aqui, diante de você, para compartilhar consigo um pouco desta minha singular experiência.

Para começo de conversa, você se imaginou ser acordado de chofre por um anjo e ser despertado para um grande milagre na sua vida? Pense nisso!... Isso não é algo mirabolante, não! Aconteceu com Pedro. Está escrito! E pode acontecer também com você! Leia este texto acima, bem compassivamente e extraia para si, palavra por palavra, lições preciosas para a sua vida e preste muito bem a atenção nos verbos e nas afirmações.

Pois foi exatamente  o que aconteceu com Pedro, quando estava na prisão pela terceira vez, à espera de seu  julgamento e morte, não tenhamos dúvidas sobre isso. Interessante que anos depois, quando escreveu sua primeira epístola ele tivesse essa experiência magnífica em sua mente ao citar o Salmo 34.15-16: “  Os olhos do Senhor estão sobre os justos; e os seus ouvidos, atentos ao seu clamor. A face do Senhor está contra os que fazem o mal...”. Não tenho a menor sombra de dúvidas que essa citação resume o que Deus fez por Pedro e revela para nós, neste momento, lições maravilhosas para nos reanimar e nos conceder encorajamento em tempos difíceis.    

Em primeiro lugar, nos vv. 1-4 do nosso texto, descobrimos que Deus vê nossas tribulações!  “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos...” (I Pedro 3.12). Deus viu e atentou para o que sanguinário Herodes Agripa fazia contra seu povo. Esse homem perverso era neto de Herodes, o Grande, que havia mandado matar todas as crianças de Belém, sobrinho de Herodes Antipas, que havia ordenado a decapitação de João Batista. Família de gente dada a intrigas e a assassinatos, desprezada pelos judeus que não se submetiam e aceitavam a ideia de ser governados por edomitas.

É evidente que Herodes sabia disso perfeitamente bem, de modo que perseguiu a igreja a fim de convencer os judeus da sua lealdade à tradições de seus antepassados.  Agora que os gentios haviam sido aceitos abertamente pela igreja, o plano de Herodes parecia ainda mais apropriado para os judeus nacionalistas que não queriam coisa alguma com os ‘pagãos’. Ciente disso, Herodes ordenou a prisão de vários cristãos, dentre eles Tiago (irmão de João), o qual ordenou que fosse decapitado. Assim Tiago tornou-se o primeiro dos apóstolos a ser martirizado. Vamos retroceder um pouco: quando refletimos sobre sua morte à luz de Mateus 20.20-28, ela adquire um significado todo especial! Tiago e João, juntamente com a mãe, haviam pedido tronos, mas o Senhor Jesus deixou claro que não poderia haver glória sem sofrimento e lhes disse: “Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu hei de beber e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?”, e responderam os dois com ousadia: “Podemos”.

Por certo, não sabiam o que estavam dizendo, mas acabaram descobrindo o alto preço de receber um trono de glória: Tiago foi preso e morto, e João foi exilado na Ilha de Patmos, como prisioneiro de Roma (Apocalipse 1.9). De fato, beberam do cálice e compartilharam do batismo de sofrimento que seu Senhor havia experimentado! Louvado seja Deus!

Se os judeus haviam ficado contentes com a morte de Tiago, ficariam ainda mais satisfeitos com a execução de Pedro! Deus permitiu  que Herodes prendesse Pedro e que o colocasse sob forte vigilância na prisão. Havia dezesseis soldados  para guardá-los, quatro para cada turno, mais dois soldados para guardar a porta, além de outros dois guardas a quem o apóstolo ficava acorrentado. Afinal, da última vez que fora preso, Pedro havia desaparecido misteriosamente da prisão, e Herodes não estava disposto a permitir que isso se repetisse.

Eu lhes pergunto: por que Deus permitiu que Tiago morresse, mas salvou Pedro? É uma boa pergunta. Afinal, ambos eram servos dedicados do Senhor e necessários para a Igreja. A única resposta é a vontade soberana de Deus, justamente aquilo sobre o que Pedro e a igreja haviam orado depois de sua segunda perseguição:

Senhor, tu és o que fizeste o céu, e a terra, e o mar, e tudo o que neles há; que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram as gentes, e os povos pensaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e os príncipes se ajuntaram à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque, verdadeiramente, contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer. Agora, pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus”. (Atos 24-30).

Herodes estendera sua mão para destruir a igreja, mas Deus estenderia Sua mão para realizar sinais e prodígios, a fim de glorificar o Seu Filho! Deus permitiu que Herodes matasse Tiago, mas o impediu de fazer mal a Pedro. O trono celeste estava no controle, não o governante aqui da Terra.    

É importante observar que a igreja não escolheu um substituto para Tiago, como havia feito no caso de Judas (Atos 1.15-16). Enquanto o evangelho era levado “primeiro aos judeus”, era necessário ter um grupo completo de doze apóstolos para testemunhar às doze tribos de Israel. O apedrejamento de Estêvão encerrou esse testemunho especial a Israel, de modo que o número de testemunho oficial não importava mais. É bom saber que, por mais difíceis que sejam as provações ou por mais decepcionantes que sejam as notícias, Deus ainda está assentado em Seu trono e está no comando e no controle de todas as coisas! Isto é que é Deus! Glorificado seja o Seu Nome para sempre! Provavelmente no primeiro momento nem sempre compreendamos Seus caminhos, mas sabemos que Sua vontade soberana é o que há de melhor! Não se esqueçam disso, jamais meus companheiros, “irmãos de fé e camaradas”!  

Em segundo lugar, nos vv. 5-17, do texto em pauta, descobrimos que Deus ouve as nossas orações! “...e os seus ouvidos, atentos às suas orações...” (I Pedro, 3.12). As palavras “mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele” (v.5) constituem o ponto chave desta história! Não devemos jamais subestimar o poder de uma igreja que ora! Mas de uma igreja que oraenfatizo. Hoje somos muito apressados, queremos tudo ao nosso alcance imediato. Mas para a ação de Deus precisa haver um tempo para que estejamos preparados. O anjo chamou Pedro na prisão, mas foi a oração incessante que foi buscar o anjo! Vocês podem acreditar nisso?

Vamos olhar direito a cena: Pedro dorme (vv.5-6). Eu agora eu lhes pergunto: conseguiríamos dormir a sono solto se estivéssemos acorrentado a dois soldados romanos diante da possibilidade de sermos executados no dia seguinte? Respondam para mim, teríamos? Provavelmente não, mas foi o que Pedro fez. Dormia tão pesadamente que o anjo teve de tocá-lo para que ele despertasse! Não foi o fato de já ter sido preso em outras ocasiões que deu tranquilidade ao coração de Pedro. Essa experiência foi diferente das outras duas. Dessa vez, estava sozinho, e o livramento não veio de imediato. Nas outras ocasiões, a prisão havia ocorrido depois de grandes vitórias, mas, dessa vez veio depois da morte de Tiago, seu querido amigo e companheiro de ministério. Era uma situação inteiramente nova.

Mas o que deu a Pedro tanta confiança e paz? Primeiro, havia muitos cristão orando por ele! “...muitos estavam reunidos e oravam” v.12), continuamente, incessantemente, ao longo de toda a semana, e isso ajudou a lhe dar paz. Paulo nos orienta:  “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4.6-7). A oração é capaz de nos trazer à memória as promessas da Palavra de Deus, como por exemplo: “Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança”. (Salmo 4.8) ou “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” (Isaías 41.10).

Mas o principal motivo da paz que Pedro sentia era consciência de que Herodes não podia matá-lo! Jesus prometera que Pedro viveria até uma idade avançada e, então, seria executado em uma cruz romana de cabeça para baixo. “Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde tu não queiras. E disse isso significando com que morte havia ele de glorificar a Deus”. (João 21.18-19). Pedro simplesmente se apropriou dessa promessa e entregou a situação toda ao Senhor, e Deus lhe deu paz e descanso! Não sabia como e quando Deus o livraria, mas sabia que o livramento estava a caminho, no tempo de Deus! Vocês têm confiado nas promessas que o Senhor Deus lhes tem feito, em Sua Palavra?

Outra olhadinha na cena: Pedro obedece (vv. 7-11). Pedro só não foi morto porque obedeceu a Deus! Deus não faz nada com alguém ou por alguém dormindo, sem que essa pessoa se desperte, se levante e tome uma atitude! Vemos aqui, mais uma vez, o ministério de anjos (Atos 5.19; 8.26; 10.3,7) e somos lembrados de que eles cuidam dos filhos de Deus. “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Salmo. 34.7). O anjo do Senhor trouxe luz e liberdade à cela da prisão, mas os guardas nem suspeitaram de que estava acontecendo. A fim de ser libertado, Pedro precisou obedecer às ordens do anjo: “Levanta-se depressa” (v7.). E a Palavra diz em ação continua que, quando Pedro se levantou, “caíram-lhe das mãos as cadeias”! (v.7).

Ah, meu companheiro: talvez você esteve querendo deixar o ministério, por achar-se desprestigiado, abandonado, pisado, ofendido, suas forças já estão chegando ao final, portas não se lhe são abertas, igrejas médias e grandes com barreiras enormes, para que você alcance a meta dos seus sonhos, e estão difíceis o seu alcance, e você se encontra alquebrado, quem sabe, decepcionado e triste e queixoso, e tem encontrado e colocado culpa numa série de coisas, que pairam sobre sua cabeça, não é verdade? Deixe de meninice à toa!  Ouça o que o Senhor Deus está lhe dizendo: “Levanta-te depressa”!      

Nossa realização pessoal, meu companheiro, vai sendo incrementada à medida em que vamos entendendo o amor de Deus para conosco e conforme vamos obtendo sabedoria para aplicar os princípios de Sua Palavra à nossa vida diária. Isso traz como resultado, paz interior, vida de propósito e um correto relacionamento com outras pessoas. Saibam todos de uma vez por todas: você, meu querido, é escolhido e ordenado por Deus – você é um homem com um destino e tudo está nas mãos do Senhor! Creia nisso! Aproprie-se desta palavra e a guarde no mais profundo do seu coração e a use no tempo certo!   

Estou abrindo este espaço, no meio da narrativa sobre a libertação de Pedro, para lhe dizer que você deve se levantar, erguer a sua cabeça e acreditar nas promessas de Deus e ser bem mais obediente a Ele! Aprenda a viver o máximo de cada dia, crescer em amor e sabedoria, a encontrar o seu lugar no mundo e na igreja, e chegar a ser tudo o que Deus tem disposto para você! Se aproprie desta palavra, repito.

Nós, humanos, agimos de acordo com o que pensamos. E nisso a psicologia, que é a ciência do comportamento humano, vem reafirmar o que a Palavra de Deus nos diz: “Porque, como (o homem) imagina em sua alma, assim ele é”. Provérbios 23.7). O que pensamos determina em grande parte nossa conduta e nossas atitudes em relação à vida; por isso é muito importante a imagem ou a autoimagem que temos de nós mesmos. A imagem mental ou autoimagem é um conjunto de ideias que se unem para nos dar um quadro ou ideias claras de um objeto, pessoa ou conceito. Ter uma imagem mental correta é ter uma visão das coisas corretamente. As imagens mentais são formada com as informações que adquirimos dos outros.

Por exemplo, se alguns de vocês informarem aos seus amigos mais próximos, que conhecerem o Pastor José Barbosa Neto, ex-padreco chato, extremamente bocudo, que fala pelos cotovelos, e não prestarem informações corretas à respeito de como realmente  sou – aquela pessoa jamais fará uma imagem mental correta de como realmente sou! Concordam comigo? As imagens mentais vão sendo integradas à nossa vida conforme adquirimos conhecimentos e experiências.  A imagem mental pode ser determinada também por nós mesmos, e nossa atitude perante a vida é grandemente influenciada pela imagem que temos de nós mesmos. ISTO É MUITO SÉRIO!

A televisão, um instrumento que bem usado, tem servido até mesmo para o trabalho de evangelização de longo alcance e penetração, por outro lado tem tido um poder satânico para trazer imagens mentais distorcidas, as quais têm até mesmo influenciado grandemente para que muitos irmãos e irmãs, não tenham uma imagem ou autoimagem de si mesmos correta. E muitos têm assim pensando:

a)   Como me vejo e como sou? – aparência física
b)  O que é que tenho? – posses pessoais
c)   O que faço bem feito? – atuação pessoal
d)  Que tão importante sou? – posição social

O Senhor Deus não é capaz do absurdo. Essa ideia de que Deus tudo pode, é falsa e sabem por quê? Porque Deus pode tudo o que não é absurdo! Ele não pode fazer alguém maior do que Ele. Ele não pode abençoar o mau. São as impossibilidades de Deus!

Ouçam o que Paulo nos diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Romanos 12.1-2). E por que “transformai-vos”?   Porque este é um mundo decaído em relação ao plano piloto de Deus na criação. E também porque por mais que você e eu odiemos a esse mundo, Deus segue amando a este mundo: com todas as suas ambiguidades e contradições, com todos os seus guetos escuros e escabrosos!  

Um pouco mais, nos esqueceremos da história da libertação de Pedro!... Mas voltaremos já para algumas outras análises sobre ela. Mas, enquanto isso, deixe-me lhe fazer algumas perguntinhas, mas só para você, em particular: que imagem você tem de si mesmo? Que pensa a respeito de você mesmo? 
Se você tivesse o poder para mudar algo em você, na sua aparência física, o quê você mudaria? Pense, rapidamente. Saiba, companheiro, que isto é de fundamental importância para a sua aceitação de si mesmo. Acredite nisso!

Ouça o que a Palavra de Deus diz: “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração” (I Samuel 16.7). E às vezes, procuramos mudar a nós mesmos, mas está escrito: 

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).  Saiba de uma coisa: veja o que está escrito no Salmo 139.13-15: “Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra”.  

Agora olhe para mim e ouça o que eu vou lhe dizer: você, companheiro de batalha, foi criado de maneira especial, você é um desenho especial, você é um desenho único, pois você foi feito por Deus, formado por Ele, não pela vontade do homem. Saiba: Deus quis que eu e você fôssemos ASSIM! Não nascemos por acaso, somos criaturas com um destino e Deus havia planejado exatamente como seria nossa aparência mesmo antes de nascermos! Nós somos LINDOS, LINDÕES, PERFEITOS! Vamos lá, olhe-se no espelho, veja que obra perfeita você é,  fisicamente, porque foi o Senhor Deus quem lhe fez ASSIM! Sim, meu amado, você é um desenho único!

Preste agora a devida atenção para o que eu vou lhe dizer: a cor dos seus olhos, a cor e o jeito do seus cabelos, a cor da sua pele, o comprimentos dos seus ossos, o formato do seu rosto e dos seus lábios, do seu corpo, gordinho ou  magrinhos, alto ou baixo, tudo isso estava determinados por Deus! 

Alegre-se na presença Dele! Vibre! Glorifique a Deus! E saiba de uma coisa de uma vez por todas: DEUS NÃO COMETE ERROS! Somos parecidos com o Senhor, somos a Sua imagem e a Sua semelhança, somos Seus filhos e todo filho se parece com seu Pai! Você precisa aprender a agradecer a Deus por ser o que você é, do jeito como você é, do forma como você é, meu valente companheiro!

Não discute com Deus, e nem se sinta da maneira como você tem criada uma autoimagem negativa de você! Você não é uma pessoa qualquer! Você é filho do Rei! Creia nisso! Não queira mudar você mesmo e nem mudar os outros, mas deixe Deus mudar a sua mente, o seu pensar! Como? Paulo lhe orienta: “ E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (II Coríntios 3.18). 

E ele nos diz mais: ”Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4.8).

Deixe Deus mudar você, a sua mente, andando no Espírito, momento a momento, pois está escrito: “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem”. (II Coríntios 2.14-15).

Sim, graças a Deus que em Cristo, Ele sempre nos conduz em triunfo; e triunfo é vitória! E nós não somos apenas vitoriosos, vencedores, “porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou” (Romanos 8. 37).

Voltemos agora a Pedro. Ele teve uma atitude. Ele se despertou e se levantou depressa. Ficou de pé. E quando ele tomou esta atitude, diz-nos Palavra “caíram-lhe das mãos as cadeias”. O anjo ordenou que Pedro prendesse as vestes no cinto e calçasse as sandálias. Sem dúvida, eram coisa bastante triviais para fazer durante um milagre! Mas Deus, muitas vezes, junta o miraculoso ao trivial para nos incentivar a manter o equilíbrio. 

Somente Deus pode fazer o extraordinário, mas seu povo deve fazer coisas triviais. Jesus ressuscitou Lázaro, mas os homens tiveram de remover a pedra da entrada do túmulo. Deus não faz aquilo que podemos fazer. Ele só faz aquilo que não podemos fazer. Aprenda isso. O mesmo anjo que removeu as correntes das mãos de Pedro poderia ter colocado as sandálias nos pés do apóstolo, mas pediu a Pedro que o fizesse! Deus nunca desperdiça milagres!

Pedro teve que tomar a atitude de despertar-se e de levantar-se antes de caminhar. Trata-se de uma excelente lição sobre humildade, obediência e dependência de Deus! Pedro não precisou sair da prisão pelas portas dos fundos da prisão. Mas ele passou pelas portas da frente, ele passou pelos pesados portões de ferro que se lhe foram abertos pelo poder de Deus! Ele envia socorro aos Seus servos no mento e na horas certas! Não paremos de orar, porque no momento certo Deus vai agir milagrosamente na nossa vida! Deus vai começar a agir, quando você tomar uma atitude na sua vida: desperte-se, levante-se, cinja-se e calce as suas sandálias e caminhe de cabeça erguida e portas lhe serão abertas para a glória do Nome do Senhor! Na verdade, é possível  que, daquela noite em diante, toda vez  que Pedro calçava as sandálias, lembrava o milagre da prisão e era estimulado a crer no Senhor!

Seu livramento ocorreu na época da Páscoa, quando os judeus celebravam o êxodo do Egito. O verbo ‘livrar’ em Atos 12.11, é o mesmo termo que Estevão usou ao falar do êxodo de Isael (Atos 7.34). Pedro experimentou um novo tipo de “êxodo” em resposta às orações do povo de Deus.

Mais uma olhadinha na cena: Pedro bate à porta (vv. Vv. 12-16). Enquanto Pedro seguia o anjo, Deus foi abrindo caminho e, quando o apóstolo ficou livre, o anjo desapareceu. Havia terminado seu trabalho e deixado ao encargo de Pedro crer no Senhor e de usar o bom senso para dar o próximo passo. Uma vez que foram as orações  do povo de Deus que ajudaram Pedro  a ser liberto, o apóstolo decidiu que o lugar mais apropriado para se encaminhar seria a reunião na casa de Maria. Além disso, desejava lhes dar a boa notícia de que Deus havia respondido a suas orações. Pedro veio até a comunidade ali reunida, em oração. Assim, Pedro  se dirigiu à casa de Maria, mãe de João Marcos.

Quando lembramos que: (a) muitas pessoas  estavam orando; (b) oravam com fervor incessantemente; (c) oravam dia e noite por vários dias; e (d) oravam especificamente pela libertação de Pedro, a cena descrita a seguir é quase cômica. A resposta a todas essas orações estava a sua porta, mas não tiveram fé para abri-la e deixar Pedro entrar! Deus conseguiu tirar Pedro da prisão, mas Pedro não conseguiu entrar em uma reunião de oração!

É claro que poderiam ser os soldados de Herodes batendo à porta em busca de mais cristãos para prender. A criada Rode precisou de coragem para atender à porta, mas podemos imaginar qual não foi sua surpresa quando reconheceu a voz de Pedro! Ficou tão feliz que se esqueceu de abrir a porta! O pobre apóstolo teve de continuar batendo e chamando, enquanto os “homens e mulheres de fé” na reunião de oração resolviam o que fazer! Quanto mais tempo Pedro precisava esperar à porta, mais perigo ele corria. 
Quando a criada “correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta” disseram-lhe “estás fora de ti” e exclamarão: “É o seu anjo”! (Atos 12.13-15).

A pergunta lógica seria: - Por que um anjo se daria o trabalho de bater à porta? Só precisava entrar. Infelizmente, uma teologia correta misturada com uma dose de incredulidade gera medo e confusão! 
Devemos encarar o fato de que, mesmo nas reuniões de oração mais fervorosas, por vezes ainda existe certo espírito de dúvidas e incredulidade. Somos como o pai que clamou a Jesus: “Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade” (Marcos 9.24). Esses cristão de Jerusalém acreditavam que Deus poderia responder a suas orações, de modo que clamaram dia e noite. Mas quando a resposta bateu à sua porta, se recusaram  a crer! Em sua graça, Deus honra até a fé mais fraca, mas poderia fazer muito mais se confiássemos Nele plenamente!

Convém observar que Atos 12.16 emprega o plural: “Pedro persevera em bater e, quando abriram, viram-no, e se espantaram”. Temos a impressão de que, por uma questão de segurança, decidiram abrir a porta juntos e encarar juntos o que estava do outro lado da porta. Rode teria aberto a porta sozinha, mas estava feliz demais. É louvável que uma serva humilde tenha reconhecido a voz de Pedro e de regozijado por ele estar livre. Sem dúvida, Rode cria no Senhor Jesus Cristo e era amada de Pedro.

Finalmente, a última olhadinha na cena: Pedro faz uma declaração (v. 17). Ao que parece, todos começaram a falar ao mesmo tempo e em voz alta, e Pedro teve que pedir silêncio. Relatou rapidamente o milagre de seu livramento e, sem dúvida, agradeceu a todos por suas orações e diz: “Anunciai isto a Tiago e aos irmãos”. Pedro pediu que contassem o que havia acontecido, que testemunhassem isso a Tiago, o meio-irmão de Jesus, líder da congregação de Jerusalém e aos irmãos, a todos!  E diz o final do v.17 “E, saindo, partiu para outro lugar”. 

Ninguém sabe para onde Pedro foi em seguida! Trata-se de um segredo muito bem guardado. Exceto por uma rápida passagem por Atos 15, Pedro sai das páginas do Livro de Atos, para que possam a ser ocupadas por relatos sobre Paulo e seu ministério entre os gentios. De acordo com I Coríntios 9.5, Pedro realizou um ministério itinerante acompanhado da esposa,  e I Coríntios 1.12 dá a entender que visitou a cidade de Corinto.

Não há qualquer evidência nas Sagradas Escrituras de que Pedro tenha fundado a Igreja em Roma (como assim afirma a Igreja Católica Romana). Na verdade, se tivesse sido este o caso, é pouco provável que Paulo tivesse viajado até lá, pois não costumava exercer seu ministério em lugares “onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio (Romanos 15.20). Além disso, ao escrever sua Epístola aos Romanos, Paulo certamente teria dito algo a Pedro ou falado sobre ele, mas Paulo simplesmente silencia... Por quê? (...)

Mas Pedro deixou lições preciosas para a nossa vida, para que aprendamos a tomar atitudes, para que milagres aconteçam nas nossas vidas e portas se nos sejam abertas a partir da nossa obediência, como resposta de nossas orações! Creiamos nisso! E que isso seja realidade em nossas vidas, para a maior glória do Nome do Senhor!

Amém.

Que o Senhor Deus abençoe ricamente a cada um, em Nome de Jesus!

O menor conservo,
Pr. José BARBOSA de Sena NETO