quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

EDUCAÇÃO DE DEUS PARA A VIDA EM FAMÍLIA

Pr. Barbosa Neto
 
Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças. E estas palavras, que hoje te ordeno, estarão no teu coração; E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te. Também as atarás por sinal na  tua mão, e te serão por frontais entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas” (Deuteronômio 6. 4-9)
 
O Evangelho é a ação redentora e restauradora, é a Pessoa  do próprio Deus em Cristo revelado pelo Espírito Santo.
 
A palavra casa nos faz lembrar um determinado lugar ou espaço físico propício para o convívio entre pessoas de uma mesma família. Porém, uma casa não é apenas uma estrutura física construída por mãos humanas. Em sentido bíblico a casa deveria ser o primeiro ambiente da manifestação e testemunho do grande amor de Deus.  “Porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR” (Josué 24.15).  Esta casa de Josué é a figura de uma família adoradora e servidora na obra evangelizadora de Deus.
 
O Evangelho que começa em casa é um enunciado que traz a ideia de transformação causada pela revelação e a manifestação visível do amor Divino, impactando de maneira efetiva a vida de alguém e que influencia as demais pessoas que vivem sob um mesmo teto! A vontade do Senhor era, é e será sempre que todas as casas (famílias) sejam compostas  de pessoas amadas e alcançadas por Ele, para que possam adorá-Lo e servi-Lo com alegria!
 
Olhem para o texto acima. A sequência aqui é muito simples, transformadora e libertadora: revelação de Deus (ouve), relação com Deus (amarás), obediência pessoal a Deus (em teu coração), família amada por Deus (filhos e casa) e testemunho do amor de Deus diante das pessoas (portas). Viver pelo amor revelado de Deus não é uma opção, mas, a maior necessidade humana, tanto na esfera individual como coletiva (familiar) ensinada em Deuteronômio 6.5). O Seu revelado é a essência da vida que Ele quer para nós!
 
Em Deuteronômio a casa ou família é um projeto de vida conjunta e experimentada sob a dependência e a orientação de Deus e que, deveria ser a base de qualquer sociedade temente a Ele. Esta postura de famílias diante do Senhor deveria ter sido assumida pelo povo de hebreu e testemunhada perante todas as outras nações. O povo de Israel foi resgatado e formado para demonstrar a todos os povos da Terra que a família humana só teria sentido pela manifestação do amor Divino.
 
O conteúdo do texto de Deuteronômio 6.4-9 é um verdadeiro tratado teológico de educação de Deus para a vida em família. O amor revelado por Deus é o ensinamento mais central da fé bíblica e a proposta Divina era que fosse o fundamento norteador da vida nas e através das famílias pertencentes ao Seu povo. É uma questão de testemunho da ação transformadora de Deus. Em outras palavras, de evangelismo através dos lares transformados por Ele.
 
O Evangelho que começa em casa de ser um reflexo da graça de Deus reproduzida na vida das pessoas do e no lar. Qualquer fracasso  na execução da missão da Igreja tem suas origens no fracasso da vivência da Palavra de Deus no lar. A tarefa da evangelização de uma sociedade tem o seu início na evangelização de indivíduos, iniciando-se em lares tementes ao Senhor. O temor é a intimidade que faz brotar a verdadeira espiritualidade.
 
O Evangelho começa em casa através  da prática do perdão entre pessoas alcançadas pela graça. Na aceitação mútua entre cônjuges e filhos. Na reconciliação e na prática do amor de Deus derramado em nossos corações. Nunca precisamos nos esforçar para refletir o amor de  Deus em nossa vida familiar. Lares que vivem na base de trocas pessoais ou chantagens afetivas ainda não conheceram o amor incondicional do Senhor!  
 
O Evangelho começa em casa, no ambiente familiar, na medida em que couber aos pais serem os primeiros evangelistas de seus filhos. Na ótica Divina a função paternal tem caráter pastoral, “e as ensinarás a teus filhos”. Pais como pastores de seus filhos? Sim! É o que a Palavra de Deus nos ensina no texto acima. Precisamos aprender com  o Senhor que nossos lares são a primeira instância para refletirmos mais experiências com Deus e não somente falar sobre Ele.
 
Antes de pertencermos a uma igreja local  ou comunidade evangélica, nos identificar com uma determinada confissão de fé ou desempenharmos qualquer ministério cristão, necessitamos com urgência de crer que o plano do Senhor  é redimir pessoas e operar a sua salvação a partir das famílias. Lares alcançados pelo amor de Deus reproduzem igrejas locais que glorificam o Seu Nome!
 
A família é o primeiro  cenário visível para o exercício do amor de Deus invisível. É a instância onde o amor do Senhor deve ser visto a partir da  vida de pais regenerados. O efeito natural de uma convivência familiar alimentada pela ação amorosa de Deus, certamente não será a formatação de filhos perfeitos segundo os padrões morais pré-estabelecidos por nós mesmos na esfera social ou  eclesiástica, mas, o renascimento de filhos conquistados pelo amor redentor do Pai Supremo! Pode-se ver claramente que, mesmo através de uma breve análise dos textos bíblicos acima, é necessária uma transformação radical na vida dos pais para que seja edificada uma casa “segundo o coração de Deus”.
 
Um dos grandes desafios ou barreiras que temos é rever a nossa maneira de ler as Escrituras.  Precisamos aprender a praticar a Palavra de Deus de maneira que agrade somente a Ele. Não é a quantidade de tempo dedicado a leitura bíblica que fará a diferença em nossas casas. É a maneira de absorver e praticar as orientações Divinas que farão com que compreendamos a Sua verdadeira vontade para a nossas famílias.
 
A quantidade de tempo dedicado ao exercício da nossa paternidade com os nossos filhos, as nossas ações paternais praticadas diante delas  e as reações geradas pelo nosso testemunho do agir de Deus em suas vidas vão dizer se o Evangelho que cremos foi (ou não) pregado em casa!  
 
Falando do Evangelho que começa em casa, podemos concluir dizendo que somente pais que foram incluídos e alicerçados na Pessoa  e Obra de Cristo na Cruz poderão pastorear suas esposas, filhos e filhas, de acordo com a vontade e o propósito do Criador e Redentor de suas famílias! Este é, portanto, o ponto de partida para qualquer reflexão sobre a nossa missão, enquanto família de Deus ou Igreja de Cristo, diante  de um mundo perdido, sem o amor do Pai e sem a revelação direta do Criador e Redentor de toda a família humana!
 
Que o Senhor Deus abençoe e proteja as nossas casas e famílias! Amém!  
 
 

 

quarta-feira, 20 de março de 2013

O DESPERTAR E O OBEDECER PARA QUE UM MILAGRE ACONTEÇA NA SUA VIDA!


                                                Atos 12.1-17

Caríssimos companheiros:

Não sei por que razão estou sendo movido para compartilhar com aqueles que me leem neste exato momento, sobre algo que o Senhor Deus tem colocado no meu coração. Estou tão atarefado, mas tão atarefado,  que vocês nem imaginam. Mas vejam só, o Senhor Deus me inquietou, e me mandou parar com tudo que eu estava fazendo, para ouvir e escrever o que Ele estava me dizendo através de Sua Palavra, quando em um dos meus momentos devocionais matutinos. Por isso é que eu estou aqui, diante de você, para compartilhar consigo um pouco desta minha singular experiência.

Para começo de conversa, você se imaginou ser acordado de chofre por um anjo e ser despertado para um grande milagre na sua vida? Pense nisso!... Isso não é algo mirabolante, não! Aconteceu com Pedro. Está escrito! E pode acontecer também com você! Leia este texto acima, bem compassivamente e extraia para si, palavra por palavra, lições preciosas para a sua vida e preste muito bem a atenção nos verbos e nas afirmações.

Pois foi exatamente  o que aconteceu com Pedro, quando estava na prisão pela terceira vez, à espera de seu  julgamento e morte, não tenhamos dúvidas sobre isso. Interessante que anos depois, quando escreveu sua primeira epístola ele tivesse essa experiência magnífica em sua mente ao citar o Salmo 34.15-16: “  Os olhos do Senhor estão sobre os justos; e os seus ouvidos, atentos ao seu clamor. A face do Senhor está contra os que fazem o mal...”. Não tenho a menor sombra de dúvidas que essa citação resume o que Deus fez por Pedro e revela para nós, neste momento, lições maravilhosas para nos reanimar e nos conceder encorajamento em tempos difíceis.    

Em primeiro lugar, nos vv. 1-4 do nosso texto, descobrimos que Deus vê nossas tribulações!  “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos...” (I Pedro 3.12). Deus viu e atentou para o que sanguinário Herodes Agripa fazia contra seu povo. Esse homem perverso era neto de Herodes, o Grande, que havia mandado matar todas as crianças de Belém, sobrinho de Herodes Antipas, que havia ordenado a decapitação de João Batista. Família de gente dada a intrigas e a assassinatos, desprezada pelos judeus que não se submetiam e aceitavam a ideia de ser governados por edomitas.

É evidente que Herodes sabia disso perfeitamente bem, de modo que perseguiu a igreja a fim de convencer os judeus da sua lealdade à tradições de seus antepassados.  Agora que os gentios haviam sido aceitos abertamente pela igreja, o plano de Herodes parecia ainda mais apropriado para os judeus nacionalistas que não queriam coisa alguma com os ‘pagãos’. Ciente disso, Herodes ordenou a prisão de vários cristãos, dentre eles Tiago (irmão de João), o qual ordenou que fosse decapitado. Assim Tiago tornou-se o primeiro dos apóstolos a ser martirizado. Vamos retroceder um pouco: quando refletimos sobre sua morte à luz de Mateus 20.20-28, ela adquire um significado todo especial! Tiago e João, juntamente com a mãe, haviam pedido tronos, mas o Senhor Jesus deixou claro que não poderia haver glória sem sofrimento e lhes disse: “Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu hei de beber e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?”, e responderam os dois com ousadia: “Podemos”.

Por certo, não sabiam o que estavam dizendo, mas acabaram descobrindo o alto preço de receber um trono de glória: Tiago foi preso e morto, e João foi exilado na Ilha de Patmos, como prisioneiro de Roma (Apocalipse 1.9). De fato, beberam do cálice e compartilharam do batismo de sofrimento que seu Senhor havia experimentado! Louvado seja Deus!

Se os judeus haviam ficado contentes com a morte de Tiago, ficariam ainda mais satisfeitos com a execução de Pedro! Deus permitiu  que Herodes prendesse Pedro e que o colocasse sob forte vigilância na prisão. Havia dezesseis soldados  para guardá-los, quatro para cada turno, mais dois soldados para guardar a porta, além de outros dois guardas a quem o apóstolo ficava acorrentado. Afinal, da última vez que fora preso, Pedro havia desaparecido misteriosamente da prisão, e Herodes não estava disposto a permitir que isso se repetisse.

Eu lhes pergunto: por que Deus permitiu que Tiago morresse, mas salvou Pedro? É uma boa pergunta. Afinal, ambos eram servos dedicados do Senhor e necessários para a Igreja. A única resposta é a vontade soberana de Deus, justamente aquilo sobre o que Pedro e a igreja haviam orado depois de sua segunda perseguição:

Senhor, tu és o que fizeste o céu, e a terra, e o mar, e tudo o que neles há; que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram as gentes, e os povos pensaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e os príncipes se ajuntaram à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque, verdadeiramente, contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer. Agora, pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus”. (Atos 24-30).

Herodes estendera sua mão para destruir a igreja, mas Deus estenderia Sua mão para realizar sinais e prodígios, a fim de glorificar o Seu Filho! Deus permitiu que Herodes matasse Tiago, mas o impediu de fazer mal a Pedro. O trono celeste estava no controle, não o governante aqui da Terra.    

É importante observar que a igreja não escolheu um substituto para Tiago, como havia feito no caso de Judas (Atos 1.15-16). Enquanto o evangelho era levado “primeiro aos judeus”, era necessário ter um grupo completo de doze apóstolos para testemunhar às doze tribos de Israel. O apedrejamento de Estêvão encerrou esse testemunho especial a Israel, de modo que o número de testemunho oficial não importava mais. É bom saber que, por mais difíceis que sejam as provações ou por mais decepcionantes que sejam as notícias, Deus ainda está assentado em Seu trono e está no comando e no controle de todas as coisas! Isto é que é Deus! Glorificado seja o Seu Nome para sempre! Provavelmente no primeiro momento nem sempre compreendamos Seus caminhos, mas sabemos que Sua vontade soberana é o que há de melhor! Não se esqueçam disso, jamais meus companheiros, “irmãos de fé e camaradas”!  

Em segundo lugar, nos vv. 5-17, do texto em pauta, descobrimos que Deus ouve as nossas orações! “...e os seus ouvidos, atentos às suas orações...” (I Pedro, 3.12). As palavras “mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele” (v.5) constituem o ponto chave desta história! Não devemos jamais subestimar o poder de uma igreja que ora! Mas de uma igreja que oraenfatizo. Hoje somos muito apressados, queremos tudo ao nosso alcance imediato. Mas para a ação de Deus precisa haver um tempo para que estejamos preparados. O anjo chamou Pedro na prisão, mas foi a oração incessante que foi buscar o anjo! Vocês podem acreditar nisso?

Vamos olhar direito a cena: Pedro dorme (vv.5-6). Eu agora eu lhes pergunto: conseguiríamos dormir a sono solto se estivéssemos acorrentado a dois soldados romanos diante da possibilidade de sermos executados no dia seguinte? Respondam para mim, teríamos? Provavelmente não, mas foi o que Pedro fez. Dormia tão pesadamente que o anjo teve de tocá-lo para que ele despertasse! Não foi o fato de já ter sido preso em outras ocasiões que deu tranquilidade ao coração de Pedro. Essa experiência foi diferente das outras duas. Dessa vez, estava sozinho, e o livramento não veio de imediato. Nas outras ocasiões, a prisão havia ocorrido depois de grandes vitórias, mas, dessa vez veio depois da morte de Tiago, seu querido amigo e companheiro de ministério. Era uma situação inteiramente nova.

Mas o que deu a Pedro tanta confiança e paz? Primeiro, havia muitos cristão orando por ele! “...muitos estavam reunidos e oravam” v.12), continuamente, incessantemente, ao longo de toda a semana, e isso ajudou a lhe dar paz. Paulo nos orienta:  “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4.6-7). A oração é capaz de nos trazer à memória as promessas da Palavra de Deus, como por exemplo: “Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança”. (Salmo 4.8) ou “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” (Isaías 41.10).

Mas o principal motivo da paz que Pedro sentia era consciência de que Herodes não podia matá-lo! Jesus prometera que Pedro viveria até uma idade avançada e, então, seria executado em uma cruz romana de cabeça para baixo. “Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde tu não queiras. E disse isso significando com que morte havia ele de glorificar a Deus”. (João 21.18-19). Pedro simplesmente se apropriou dessa promessa e entregou a situação toda ao Senhor, e Deus lhe deu paz e descanso! Não sabia como e quando Deus o livraria, mas sabia que o livramento estava a caminho, no tempo de Deus! Vocês têm confiado nas promessas que o Senhor Deus lhes tem feito, em Sua Palavra?

Outra olhadinha na cena: Pedro obedece (vv. 7-11). Pedro só não foi morto porque obedeceu a Deus! Deus não faz nada com alguém ou por alguém dormindo, sem que essa pessoa se desperte, se levante e tome uma atitude! Vemos aqui, mais uma vez, o ministério de anjos (Atos 5.19; 8.26; 10.3,7) e somos lembrados de que eles cuidam dos filhos de Deus. “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Salmo. 34.7). O anjo do Senhor trouxe luz e liberdade à cela da prisão, mas os guardas nem suspeitaram de que estava acontecendo. A fim de ser libertado, Pedro precisou obedecer às ordens do anjo: “Levanta-se depressa” (v7.). E a Palavra diz em ação continua que, quando Pedro se levantou, “caíram-lhe das mãos as cadeias”! (v.7).

Ah, meu companheiro: talvez você esteve querendo deixar o ministério, por achar-se desprestigiado, abandonado, pisado, ofendido, suas forças já estão chegando ao final, portas não se lhe são abertas, igrejas médias e grandes com barreiras enormes, para que você alcance a meta dos seus sonhos, e estão difíceis o seu alcance, e você se encontra alquebrado, quem sabe, decepcionado e triste e queixoso, e tem encontrado e colocado culpa numa série de coisas, que pairam sobre sua cabeça, não é verdade? Deixe de meninice à toa!  Ouça o que o Senhor Deus está lhe dizendo: “Levanta-te depressa”!      

Nossa realização pessoal, meu companheiro, vai sendo incrementada à medida em que vamos entendendo o amor de Deus para conosco e conforme vamos obtendo sabedoria para aplicar os princípios de Sua Palavra à nossa vida diária. Isso traz como resultado, paz interior, vida de propósito e um correto relacionamento com outras pessoas. Saibam todos de uma vez por todas: você, meu querido, é escolhido e ordenado por Deus – você é um homem com um destino e tudo está nas mãos do Senhor! Creia nisso! Aproprie-se desta palavra e a guarde no mais profundo do seu coração e a use no tempo certo!   

Estou abrindo este espaço, no meio da narrativa sobre a libertação de Pedro, para lhe dizer que você deve se levantar, erguer a sua cabeça e acreditar nas promessas de Deus e ser bem mais obediente a Ele! Aprenda a viver o máximo de cada dia, crescer em amor e sabedoria, a encontrar o seu lugar no mundo e na igreja, e chegar a ser tudo o que Deus tem disposto para você! Se aproprie desta palavra, repito.

Nós, humanos, agimos de acordo com o que pensamos. E nisso a psicologia, que é a ciência do comportamento humano, vem reafirmar o que a Palavra de Deus nos diz: “Porque, como (o homem) imagina em sua alma, assim ele é”. Provérbios 23.7). O que pensamos determina em grande parte nossa conduta e nossas atitudes em relação à vida; por isso é muito importante a imagem ou a autoimagem que temos de nós mesmos. A imagem mental ou autoimagem é um conjunto de ideias que se unem para nos dar um quadro ou ideias claras de um objeto, pessoa ou conceito. Ter uma imagem mental correta é ter uma visão das coisas corretamente. As imagens mentais são formada com as informações que adquirimos dos outros.

Por exemplo, se alguns de vocês informarem aos seus amigos mais próximos, que conhecerem o Pastor José Barbosa Neto, ex-padreco chato, extremamente bocudo, que fala pelos cotovelos, e não prestarem informações corretas à respeito de como realmente  sou – aquela pessoa jamais fará uma imagem mental correta de como realmente sou! Concordam comigo? As imagens mentais vão sendo integradas à nossa vida conforme adquirimos conhecimentos e experiências.  A imagem mental pode ser determinada também por nós mesmos, e nossa atitude perante a vida é grandemente influenciada pela imagem que temos de nós mesmos. ISTO É MUITO SÉRIO!

A televisão, um instrumento que bem usado, tem servido até mesmo para o trabalho de evangelização de longo alcance e penetração, por outro lado tem tido um poder satânico para trazer imagens mentais distorcidas, as quais têm até mesmo influenciado grandemente para que muitos irmãos e irmãs, não tenham uma imagem ou autoimagem de si mesmos correta. E muitos têm assim pensando:

a)   Como me vejo e como sou? – aparência física
b)  O que é que tenho? – posses pessoais
c)   O que faço bem feito? – atuação pessoal
d)  Que tão importante sou? – posição social

O Senhor Deus não é capaz do absurdo. Essa ideia de que Deus tudo pode, é falsa e sabem por quê? Porque Deus pode tudo o que não é absurdo! Ele não pode fazer alguém maior do que Ele. Ele não pode abençoar o mau. São as impossibilidades de Deus!

Ouçam o que Paulo nos diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Romanos 12.1-2). E por que “transformai-vos”?   Porque este é um mundo decaído em relação ao plano piloto de Deus na criação. E também porque por mais que você e eu odiemos a esse mundo, Deus segue amando a este mundo: com todas as suas ambiguidades e contradições, com todos os seus guetos escuros e escabrosos!  

Um pouco mais, nos esqueceremos da história da libertação de Pedro!... Mas voltaremos já para algumas outras análises sobre ela. Mas, enquanto isso, deixe-me lhe fazer algumas perguntinhas, mas só para você, em particular: que imagem você tem de si mesmo? Que pensa a respeito de você mesmo? 
Se você tivesse o poder para mudar algo em você, na sua aparência física, o quê você mudaria? Pense, rapidamente. Saiba, companheiro, que isto é de fundamental importância para a sua aceitação de si mesmo. Acredite nisso!

Ouça o que a Palavra de Deus diz: “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração” (I Samuel 16.7). E às vezes, procuramos mudar a nós mesmos, mas está escrito: 

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).  Saiba de uma coisa: veja o que está escrito no Salmo 139.13-15: “Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra”.  

Agora olhe para mim e ouça o que eu vou lhe dizer: você, companheiro de batalha, foi criado de maneira especial, você é um desenho especial, você é um desenho único, pois você foi feito por Deus, formado por Ele, não pela vontade do homem. Saiba: Deus quis que eu e você fôssemos ASSIM! Não nascemos por acaso, somos criaturas com um destino e Deus havia planejado exatamente como seria nossa aparência mesmo antes de nascermos! Nós somos LINDOS, LINDÕES, PERFEITOS! Vamos lá, olhe-se no espelho, veja que obra perfeita você é,  fisicamente, porque foi o Senhor Deus quem lhe fez ASSIM! Sim, meu amado, você é um desenho único!

Preste agora a devida atenção para o que eu vou lhe dizer: a cor dos seus olhos, a cor e o jeito do seus cabelos, a cor da sua pele, o comprimentos dos seus ossos, o formato do seu rosto e dos seus lábios, do seu corpo, gordinho ou  magrinhos, alto ou baixo, tudo isso estava determinados por Deus! 

Alegre-se na presença Dele! Vibre! Glorifique a Deus! E saiba de uma coisa de uma vez por todas: DEUS NÃO COMETE ERROS! Somos parecidos com o Senhor, somos a Sua imagem e a Sua semelhança, somos Seus filhos e todo filho se parece com seu Pai! Você precisa aprender a agradecer a Deus por ser o que você é, do jeito como você é, do forma como você é, meu valente companheiro!

Não discute com Deus, e nem se sinta da maneira como você tem criada uma autoimagem negativa de você! Você não é uma pessoa qualquer! Você é filho do Rei! Creia nisso! Não queira mudar você mesmo e nem mudar os outros, mas deixe Deus mudar a sua mente, o seu pensar! Como? Paulo lhe orienta: “ E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (II Coríntios 3.18). 

E ele nos diz mais: ”Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4.8).

Deixe Deus mudar você, a sua mente, andando no Espírito, momento a momento, pois está escrito: “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem”. (II Coríntios 2.14-15).

Sim, graças a Deus que em Cristo, Ele sempre nos conduz em triunfo; e triunfo é vitória! E nós não somos apenas vitoriosos, vencedores, “porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou” (Romanos 8. 37).

Voltemos agora a Pedro. Ele teve uma atitude. Ele se despertou e se levantou depressa. Ficou de pé. E quando ele tomou esta atitude, diz-nos Palavra “caíram-lhe das mãos as cadeias”. O anjo ordenou que Pedro prendesse as vestes no cinto e calçasse as sandálias. Sem dúvida, eram coisa bastante triviais para fazer durante um milagre! Mas Deus, muitas vezes, junta o miraculoso ao trivial para nos incentivar a manter o equilíbrio. 

Somente Deus pode fazer o extraordinário, mas seu povo deve fazer coisas triviais. Jesus ressuscitou Lázaro, mas os homens tiveram de remover a pedra da entrada do túmulo. Deus não faz aquilo que podemos fazer. Ele só faz aquilo que não podemos fazer. Aprenda isso. O mesmo anjo que removeu as correntes das mãos de Pedro poderia ter colocado as sandálias nos pés do apóstolo, mas pediu a Pedro que o fizesse! Deus nunca desperdiça milagres!

Pedro teve que tomar a atitude de despertar-se e de levantar-se antes de caminhar. Trata-se de uma excelente lição sobre humildade, obediência e dependência de Deus! Pedro não precisou sair da prisão pelas portas dos fundos da prisão. Mas ele passou pelas portas da frente, ele passou pelos pesados portões de ferro que se lhe foram abertos pelo poder de Deus! Ele envia socorro aos Seus servos no mento e na horas certas! Não paremos de orar, porque no momento certo Deus vai agir milagrosamente na nossa vida! Deus vai começar a agir, quando você tomar uma atitude na sua vida: desperte-se, levante-se, cinja-se e calce as suas sandálias e caminhe de cabeça erguida e portas lhe serão abertas para a glória do Nome do Senhor! Na verdade, é possível  que, daquela noite em diante, toda vez  que Pedro calçava as sandálias, lembrava o milagre da prisão e era estimulado a crer no Senhor!

Seu livramento ocorreu na época da Páscoa, quando os judeus celebravam o êxodo do Egito. O verbo ‘livrar’ em Atos 12.11, é o mesmo termo que Estevão usou ao falar do êxodo de Isael (Atos 7.34). Pedro experimentou um novo tipo de “êxodo” em resposta às orações do povo de Deus.

Mais uma olhadinha na cena: Pedro bate à porta (vv. Vv. 12-16). Enquanto Pedro seguia o anjo, Deus foi abrindo caminho e, quando o apóstolo ficou livre, o anjo desapareceu. Havia terminado seu trabalho e deixado ao encargo de Pedro crer no Senhor e de usar o bom senso para dar o próximo passo. Uma vez que foram as orações  do povo de Deus que ajudaram Pedro  a ser liberto, o apóstolo decidiu que o lugar mais apropriado para se encaminhar seria a reunião na casa de Maria. Além disso, desejava lhes dar a boa notícia de que Deus havia respondido a suas orações. Pedro veio até a comunidade ali reunida, em oração. Assim, Pedro  se dirigiu à casa de Maria, mãe de João Marcos.

Quando lembramos que: (a) muitas pessoas  estavam orando; (b) oravam com fervor incessantemente; (c) oravam dia e noite por vários dias; e (d) oravam especificamente pela libertação de Pedro, a cena descrita a seguir é quase cômica. A resposta a todas essas orações estava a sua porta, mas não tiveram fé para abri-la e deixar Pedro entrar! Deus conseguiu tirar Pedro da prisão, mas Pedro não conseguiu entrar em uma reunião de oração!

É claro que poderiam ser os soldados de Herodes batendo à porta em busca de mais cristãos para prender. A criada Rode precisou de coragem para atender à porta, mas podemos imaginar qual não foi sua surpresa quando reconheceu a voz de Pedro! Ficou tão feliz que se esqueceu de abrir a porta! O pobre apóstolo teve de continuar batendo e chamando, enquanto os “homens e mulheres de fé” na reunião de oração resolviam o que fazer! Quanto mais tempo Pedro precisava esperar à porta, mais perigo ele corria. 
Quando a criada “correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta” disseram-lhe “estás fora de ti” e exclamarão: “É o seu anjo”! (Atos 12.13-15).

A pergunta lógica seria: - Por que um anjo se daria o trabalho de bater à porta? Só precisava entrar. Infelizmente, uma teologia correta misturada com uma dose de incredulidade gera medo e confusão! 
Devemos encarar o fato de que, mesmo nas reuniões de oração mais fervorosas, por vezes ainda existe certo espírito de dúvidas e incredulidade. Somos como o pai que clamou a Jesus: “Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade” (Marcos 9.24). Esses cristão de Jerusalém acreditavam que Deus poderia responder a suas orações, de modo que clamaram dia e noite. Mas quando a resposta bateu à sua porta, se recusaram  a crer! Em sua graça, Deus honra até a fé mais fraca, mas poderia fazer muito mais se confiássemos Nele plenamente!

Convém observar que Atos 12.16 emprega o plural: “Pedro persevera em bater e, quando abriram, viram-no, e se espantaram”. Temos a impressão de que, por uma questão de segurança, decidiram abrir a porta juntos e encarar juntos o que estava do outro lado da porta. Rode teria aberto a porta sozinha, mas estava feliz demais. É louvável que uma serva humilde tenha reconhecido a voz de Pedro e de regozijado por ele estar livre. Sem dúvida, Rode cria no Senhor Jesus Cristo e era amada de Pedro.

Finalmente, a última olhadinha na cena: Pedro faz uma declaração (v. 17). Ao que parece, todos começaram a falar ao mesmo tempo e em voz alta, e Pedro teve que pedir silêncio. Relatou rapidamente o milagre de seu livramento e, sem dúvida, agradeceu a todos por suas orações e diz: “Anunciai isto a Tiago e aos irmãos”. Pedro pediu que contassem o que havia acontecido, que testemunhassem isso a Tiago, o meio-irmão de Jesus, líder da congregação de Jerusalém e aos irmãos, a todos!  E diz o final do v.17 “E, saindo, partiu para outro lugar”. 

Ninguém sabe para onde Pedro foi em seguida! Trata-se de um segredo muito bem guardado. Exceto por uma rápida passagem por Atos 15, Pedro sai das páginas do Livro de Atos, para que possam a ser ocupadas por relatos sobre Paulo e seu ministério entre os gentios. De acordo com I Coríntios 9.5, Pedro realizou um ministério itinerante acompanhado da esposa,  e I Coríntios 1.12 dá a entender que visitou a cidade de Corinto.

Não há qualquer evidência nas Sagradas Escrituras de que Pedro tenha fundado a Igreja em Roma (como assim afirma a Igreja Católica Romana). Na verdade, se tivesse sido este o caso, é pouco provável que Paulo tivesse viajado até lá, pois não costumava exercer seu ministério em lugares “onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio (Romanos 15.20). Além disso, ao escrever sua Epístola aos Romanos, Paulo certamente teria dito algo a Pedro ou falado sobre ele, mas Paulo simplesmente silencia... Por quê? (...)

Mas Pedro deixou lições preciosas para a nossa vida, para que aprendamos a tomar atitudes, para que milagres aconteçam nas nossas vidas e portas se nos sejam abertas a partir da nossa obediência, como resposta de nossas orações! Creiamos nisso! E que isso seja realidade em nossas vidas, para a maior glória do Nome do Senhor!

Amém.

Que o Senhor Deus abençoe ricamente a cada um, em Nome de Jesus!

O menor conservo,
Pr. José BARBOSA de Sena NETO

domingo, 23 de setembro de 2012

A LOUCURA DA PREGAÇÃO..


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                                                               Pr. José Barbosa de Sena Neto


Perguntamos: será que a evangelização é um privilégio somente para pastores, evangelistas e missionários? Se não, por que e como devemos evangelizar? Ainda hoje, a evangelização é um grande desafio para todos nós, crentes em Jesus. Este tema não se constitui como dos mais interessantes sobre a vida cristã muito mais nos dias de hoje, caracterizado pelo descompromisso agravante da maioria da membresia das igrejas locais. Hoje a proclamação é caracterizada e comandada pela visão da prosperidade a qualquer custo...

Porém, ele é um dos principais valores da fé cristã juntamente com a adoração e a edificação dos santos. Segundo as Sagradas Escrituras, todos os regenerados constituem uma “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. (I Pedro 2.9) Todos os nascidos de novo foram chamados por Deus para propagar os louvores de Deus, ou seja, para dar testemunho.

De acordo com as Escrituras Sagradas, a evangelização é indispensável para a salvação dos perdidos. O apóstolo Paulo afirma: “aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (I Coríntios 1.21b) É por meio da pregação do Evangelho que os pecadores são salvos. Através da pregação do Evangelho, Deus comunica a fé salvadora aos homens perdidos.  “E assim, a fé vem pela pregação e a pregação da palavra de Cristo” (Romanos 10.17). Desta forma, a evangelização não é assunto para uns poucos vocacionados, mas para pessoas que foram transformadas pela loucura da pregação de nossa identificação com Cristo crucificado.

Evangelizar na sua definição mais simples é pregar o evangelho. O Evangelho é uma boa nova de Deus para o mundo. A implicação disso é que o evangelho tem, ao mesmo tempo, uma origem divina (ele vem de Deus) e uma relevância humana (ele fala pelo ser humano transformado). A grande tragédia do cristianismo nos dias de hoje não tem sido a falta de evangelização, mas sim, de uma evangelização centrada em Deus.

O que tem predominado é uma evangelização antropocêntrica, centrada no homem. O foco deixou se estar em Deus, e passou a estar no homem. O resultado disso é a grande dependência de métodos e estratégias humanos ao invés da dependência total da graça de Deus. A evangelização cedeu lugar para o proselitismo e o Evangelho transformador tem sido substituído por sistemas religiosos ou conceitos de autoajuda. Há muitos métodos ‘com propósitos’ e sem propósitos divinos, apenas estratégias de marketing. Por isso tantas igrejas superlotadas de pessoas vazias e sem vidas genuinamente transformadas pelo poder de Deus. Falta-lhes a ação do poder de Deus, poder transformador. 

Se realmente quisermos conhecer e participar da evangelização, devemos retornar à Bíblia Sagrada. A evangelização bíblica tem como ponto de partida Deus Pai e nunca o homem. Ela começa com Deus, é por meio de Deus e é para Deus, “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Romanos 11.36).  Deus é o autor da evangelização.  As raízes da evangelização estão fincadas na eternidade. Foi o Deus Trino quem arquitetou o plano da salvação para ser executado em várias etapas, antes que o mundo existisse.

Neste plano, Deus Pai devia enviar seu Filho ao mundo para resgatá-lo do pecado, Deus Filho haveria de vir voluntariamente ao mundo para se tornar merecedor da salvação por meio de sua obediência até a morte, e Deus Espírito, aplicaria a salvação dos pecadores, derramando sobre eles a graça renovadora.         

A - Deus Pai, foi o grande mentor da salvação e da evangelização. Foi Ele quem concretizou no tempo o plano eterno da salvação, revelou sua execução no evangelho e estabeleceu o evangelho como o meio indispensável de salvação. Ainda na eternidade, ele comissionou o Filho para se tornar o redentor do mundo mediante sua morte vicária na cruz e mediante a sua obediência perfeita. Em favor dos pecadores, Deus planejou que o seu Filho nos resgatasse da maldição da lei, “fazendo ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro).” (Gálatas 3.13). Foi Deus quem inspirou os antigos profetas a predizerem a vinda do Filho de Deus em carne para experimentar o sofrimento e depois a glória.

Nos dias da encarnação de Jesus, ele enviou sobre Ele o Espírito Santo para capacitá-lo a realizar suas obras. Deus Pai não poupou o Seu Filho Unigênito em favor dos pecadores. Foi ele quem ressuscitou Jesus dentre os mortos. Foi ele também quem exaltou seu Filho acima de todo o nome. (Filipenses 2.9-10).    

B – Jesus também é autor da evangelização. Jesus morto e ressuscitado constitui o tema central do evangelho. Ele se dispôs voluntariamente diante do Pai a se tornar o salvador dos homens. (Hebreus 10.7).  Foi Jesus, quem trouxe à luz a essência do evangelho (João 1.29). Nos dias de sua carne, ele proclamou o Evangelho do reino de Deus. Ele deu responsabilidade aos seus apóstolos e à sua igreja, após ter morrido e ressuscitado, inaugurando uma nova dispensação. “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19) Foi Ele quem deteve Saulo de Tarso, transformando-o, de perseguidor da igreja, no maior missionário e evangelista cristão de todos os tempos.

C – O Espírito Santo é o autor da evangelização. É pela graça regeneradora do Espirito Santo e pela eficaz aplicação do Evangelho feita pelo mesmo Espírito que o pecador chega ao arrependimento e à fé. Foi o Espirito Santo quem moveu os homens do Velho Testamento a falarem, “porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens (santos) falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (II Pedro 1.21). 

No Pentecostes, o Espírito Santo veio sobre a igreja capacitando-a a conquistar o mundo para Cristo. O Espírito é poder capacitador para a igreja testemunhar de Cristo. Ele transformou Pedro de um covarde em um intrépido pregador do Evangelho. O Espírito Santo foi ele quem guiou Paulo para Roma. É a terceira Pessoa da Trindade quem preserva o Evangelho. Não fosse Ele, há muito tempo se teria perdido o Evangelho. A própria igreja o teria destruído. Ele é o Espírito da verdade. (João 14.16-17). Assim, não é a eloquência do pregador, nem a força de vontade da pessoa não regenerada a razão da regeneração, mas sim, a operação da graça do Espirito Santo.

Sim, a evangelização tem o seu princípio em Deus e este é o principal motivo porque temos que evangelizar. Sendo assim, precisamos entender que a evangelização é muito mais do que evangelismo e missões; é mais amplo e, evidentemente, abrange o trabalho de evangelismo e a obra de missões. Ela abrange tanto a dimensão externa como a interna da igreja. Somente o Evangelho é capaz de motivar e capacitar uma nova criatura a evangelizar. Somente uma pessoa que conhece o evangelho como experiência, poderá evangelizar. Mas a verdade é que o Evangelho pregado culto após culto dentro das igrejas é que nos fortalece e nos impulsiona a evangelizar. A evangelização interna da igreja é tão fundamental como a dos não crentes. Uma não acontece sem a outra.

Uma vez transformados pela mensagem da morte e ressurreição de Jesus e de nossa morte e ressureição com Ele, crescemos no conhecimento de Cristo pelo mesmo Evangelho. Quanto mais mergulhamos no mar, mais percebemos a sua dimensão. Assim se dá com o Evangelho. Cristo me atraiu, Cristo me crucificou, Cristo nos fez morrer, Cristo nos ressuscitou, Cristo é minha vida, são as forças motivadoras da verdadeira evangelização. Uma vez que isso se constitui na base de nossa experiência cotidiana, fica muito mais fácil compartilhar e proclamar o Evangelho.

Portando, se quisermos, podemos nos envolver em projetos de evangelização da igreja local ou ainda atuar como missionários em algum lugar distante. Não importa como pregamos o Evangelho “a tempo e fora de tempo”, “quer seja oportuno, quer não” (II Timóteo 4.2), o que não podemos é nos calar, porque é da vontade de Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Que assim o Senhor Deus nos capacite. Amém!  

HUMILHAÇÃO E EXALTAÇÃO DE JESUS



                                        Pr. José Barbosa de Sena Neto
                                     pastorbarbosaneto@yahoo.com.br



A manifestação da graça na vida cristã liga-se a um Cristo que se humilhou. Um Cristo humilde que, tendo a forma de Deus, deixa-a para Se humilhar até à morte e morte de cruz. O meio dessa união entre os santos, e o meio para a manifestação e permanência desse amor, está na identificação com Cristo. Foi esta humildade que tão perfeitamente se manifestou em Cristo, em contraste com o primeiro homem Adão. Este tinha procurado torna-se semelhante a Deus por usurpação e elevar-se em detrimento de Deus, sendo ao mesmo tempo desobediente até a morte. (Gênesis 2.16-17; 3.6-7).

O Senhor Jesus, quando em forma de Deus, aniquilou-Se, por amor, de toda a Sua glória, da forma de Deus, e tomou a forma de homem, e em forma de homem se humilhou. Como Deus, humilhou-Se até a morte e morte de cruz (Filipenses 2.8). Que perfeito amor, que gloriosa verdade, que preciosa obediência!  Um Homem, pelo justo julgamento de Deus e pelo Seu ato foi elevado à direita do trono da majestade divina! Em Cristo, temos a plena manifestação do amor de Deus aos homens (Hebreus 1.1-3).

O Senhor Jesus revelou Deus para nós de maneira plena. Se quisermos saber como Deus é, basta olharmos para o Senhor Jesus. Deus é amor e nós vemos esse amor em Jesus Cristo. Em Cristo vemos Deus plenamente, e não há outra maneira de conhecer a Deus, senão no conhecimento que encontramos na pessoa de Jesus Cristo.

Que maravilhosa verdade é a pessoa de Cristo! Que sublime verdade é esta descida e esta ascensão pela qual Ele enche todas as coisas como Redentor e Senhor da glória! Deus descido em amor; o Homem assunto ao céu segundo a justiça! Agora, Ele que foi digno, em toda eternidade, quanto à Sua pessoa, de estar assim à direita de Deus, é, como Homem, elevado por Deus a Sua direita! Todos os conhecimentos encontram-se em Cristo, todas as sabedorias residem Nele, tudo está Nele! “Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Colossenses 1.17-20).

Se olharmos para a criação, Ele é o primogênito; se olharmos para a nova criação, Ele é o princípio; se olharmos para a Igreja, Ele é o cabeça; se olharmos para o universo, Ele é o Senhor. O pleno conhecimento da vontade de Deus é simplesmente Cristo.  A justiça de Deus foi plenamente satisfeita. Os nossos corações podem tomar parte, alegres, na glória do Senhor, alegres por também ali terem parte pela graça do Senhor. Só Deus podia esvaziar-se de Sua glória em favor de criaturas caídas. Tudo por amor! Que extraordinário amor!

Mas é Nele, em Cristo, que o apóstolo Paulo pensa, não em nós, frutos dessa humilhação. Paulo se alegre no pensamento da exaltação de Cristo. Deus O elevou soberanamente e Lhe deu um nome que está acima de todo o nome, de sorte que todo o ser nos céus e na terra, e mesmo todo o ser infernal deve dobrar os joelhos diante deste Homem exaltado por Deus, e toda a língua deve confessar que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai! (Filipenses 2.9-11). 

Deus ressuscitou o Senhor Jesus dentre os mortos e Lhe deu a glória e um lugar acima de todas as coisas, lugar de que Ele era, sem dúvida, pessoalmente digno, mas que recebe e devia receber das mãos de Deus, que O estabeleceu como Senhor sobre todas as coisas. Unindo-Se à Igreja como sendo o Seu corpo, e ressuscitando os membros desse corpo da sua morte em pecados pelo mesmo poder que ressuscitou e exaltou o Cabeça, vivificando-os juntamente com Cristo e fazendo-os assentar nos lugares celestiais Nele, pelo mesmo poder que O exaltou. Assim a Igreja, o Seu corpo, é a Sua plenitude.  

O apóstolo Paulo pede aos crentes de Éfeso para que eles conheçam o poder, já manifestado, que tinha já operado a fim de que eles tivessem parte nesta bendita e gloriosa posição. Porque do mesmo modo como eles eram introduzidos pela soberana graça de Deus na posição de Cristo perante Deus, Seu Pai, assim também a obra que foi operada em Cristo, e o desenvolvimento do poder de Deus que teve lugar elevando-O desde o túmulo até à direita de Deus Pai, acima de todo o nome que se nomeia, são a expressão e o modelo da ação desse mesmo poder que opera em nós que cremos. E este poder nos eleva do nosso estado de morte no pecado, para nos fazer tomar parte na glória desse mesmo Cristo. Que abençoada humilhação! Que gloriosa exaltação!    

MARAVILHOSA GRAÇA!...




                                     Pr. José Barbosa de Sena Neto
 

     Nascemos neste mundo algemados pelo pecado, mortos para Deus e filhos espirituais do diabo. Estas são palavras fortes, no entanto, retratam a mais pura realidade do ser humano.  Não podemos brincar com este assunto. A natureza que herdamos do nosso primeiro pai, Adão, é totalmente avessa a Deus (João 8.34; Efésios 4.18; João 8.44a).

   Toda a predisposição do homem é em direção às trevas. De modo espontâneo, amamos o engano e não precisamos nos esforçar para andarmos nos desejos de nossa carne. Somos conduzidos pela natureza adâmica  e de modo natural nos inclinamos aos apelos do nosso coração caído (Jeremias 13.23).

   Muitos se gloriam e se satisfazem em sua própria justiça. Pensam que por terem uma conduta aprovada pelos homens serão aceitos por Deus. Ledo engano! A Bíblia não admite este tipo de conclusão (Isaías 64.6). Observemos que não são os nossos pecados que são "trapos de imundície", e sim, "as nossas justiças". Verdadeiramente a queda no Éden trouxe a ruína espiritual para toda a humanidade. Todas as ações realizadas pelo homem, por mais dignas que possam ser, estão maculadas pelo pecado.

   Diante deste fato, constitui-se num engano terrível alguém pensar que as suas obras de justiça, seu comportamento, sua religiosidade ou moralidade lhes servem como uma espécie de garantia de salvação. Qualquer tentativa do homem em buscar a salvação por meio de seus próprios méritos é absurda, ofensiva, inaceitável e abominação diante de Deus. Vejamos o que as Escrituras nos dizem: (Efésios 2.9; Romanos 11.6; Filipenses 3.4-8).

   Alcança grande bênção aquele que ganha a revelação de sua completa pecaminosidade. No entanto, aquele que pensa que tem em suas mãos o destino de sua vida, é o mais miserável de todos os homens. Pobre daquele que acha que precisa fazer a sua parte como: boas obras, caridade, ritos religiosos, para que possa ser salvo. Louco é o homem que não dá a devida atenção à questão mais importante da existência humana: a regeneração em Cristo Jesus!

   Ser salvo pela graça significa dizer: nasci em iniquidade e mereço o inferno, contudo, fui alcançado pela bendita misericórdia divina; merecia a condenação, mas ganhei a justificação; o lago de fogo e enxofre era o lugar para onde eu deveria ir, porém, o Senhor Deus me reservou o céu como herança! Louvado seja Deus!

   A graça repousa apenas naqueles que chegaram ao fim de si mesmos, ou seja, nos falidos. É incrível, mas muitos pensam que pelos seus muitos pecados estão privados da graça de Deus. Isto é contradição! No conceito humano, pecado e graça estão em extremos opostos. Pensam que a graça vem somente onde não há pecado. Porém, é exatamente o contrário!

   A nossa miséria é condição básica para recebermos a graça!  O pecado é um dos maiores enganos do homem, mas o seu maior engano é pensar que o pecado impede o homem de receber a graça! (Romanos 5.20) Não são os nossos pecados que impedem a ação da graça em nós, mas a nossa soberba. Somos tremendamente limitados para compreendermos este tão santo e puro atributo divino, que é a soberana graça.

   É dito que o caminho para o céu não atravessa uma ponte de pedágio, e, sim, uma ponte livre,  a saber, a graça não merecida de Deus, em Cristo Jesus. A graça opera independentemente dos valores humanos. Ela reside unicamente na soberana vontade de Deus. A graça divina recusa-se a ser ajudada naquilo que ela tem de fazer. Portanto, nada há que possa derrotá-la, e uma vez dada, age eficazmente.

     O reinado da graça está baseado na justiça do Filho de Deus (Romanos 5.21b). A graça de Deus está fundamentada na obediência perfeita e meritória de Jesus Cristo. Sendo a graça o que é, a mensagem da cruz torna-se a única esperança para o pecador afundado no brejo do pecado. A salvação do perdido está ligada diretamente ao sacrifício realizado por Jesus Cristo naquela cruz (Tito 3.4-7).

   Cristo em sua morte, carregou a culpa do nosso pecado. O Senhor do universo, pendurado naquele rude madeiro, derramou todo o seu sangue e, desta forma, nos outorgou tão grande salvação (Romanos 3.24-25a). Somente a graça tem o poder miraculoso de trocar a nossa velha natureza por uma complemente nova, transformada (II Timóteo 2.11).  

   Nada podemos fazer, em nada podemos colaborar, a não ser nos render a esta maravilhosa graça! A porta de acesso para a salvação do pecador tem um único nome: GRAÇA!  A graça anuncia que não precisamos fazer nada para sermos salvos. Ela não exige, mas doa. A graça não requer que sejamos fortes, mas fracos. A graça reina triunfante. Somente pela graça, o homem pode ser salvo! Graça! Quão maravilhosa graça! Louvado seja Deus!

Graça! Quão maravilhosa graça,
Como o firmamento, é sem fim!
É maravilhosa. É tão grandiosa,
É suficiente para mim.
É maior que a minha vida inútil
É maior que o meu pecado vil
O nome de Jesus engrandecei e glória dai!

SAULO, O PERSEGUIDOR...


                                                   Pr. José Barbosa de Sena Neto


O apóstolo Paulo é o responsável por esta tão chocante afirmação: “Persegui este Caminho até à morte, prendendo, e pondo em prisões, tanto homens como mulheres... Havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a difamar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui” (Atos 22.4; 26.10-11). O que nos impressiona é o quanto um fanatismo religioso pode cegar e escravizar um homem! Eu que o diga, pois fui um perseguidor implacável do povo de Deus, mas assim “o fiz ignorantemente, na incredulidade” (I Timóteo 1.13).

Paulo, escrevendo aos irmãos em Filipos, descreve um pouco daquilo que ele conseguiu ao longo de sua vida enquanto esteve envolvido com o sistema religioso chamado judaísmo. No livro de Filipenses 3.4-6 está escrito: “Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível.”

O que aconteceu a este homem, portador de tão distinto currículo? O que fez com que ele considerasse esterco tudo aquilo que alcançou através da sua religião? Por outro lado, como afirmar a sua afirmação categórica? “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1.21). O que motivou Paulo a registrar tão profundas palavras? “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu u  nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o  Senhor, para glória de Deus Pai”! (Filipenses 2.9-11).

Para responder estas e outras questões, precisamos voltar para a estrada de Damasco, por ali aconteceu um encontro já agendado pelo Senhor antes da fundação do mundo. Isto está registrado no Livro de Atos 9.1-5. Observemos, inicialmente, que o ódio de Saulo era contra os discípulos do Senhor Jesus, e não propriamente contra Jesus. Para este homem furioso, Jesus era apenas um defunto. Saulo estava perseguindo apenas um grupo fanático e, na sua mente, um grupo herético. Ele também não sabia que perseguir a Igreja é perseguir o próprio Cristo. No entanto, já bem próximo de Damasco, de maneira inesperada, uma luz vinda do céu brilhou fortemente ao seu redor, e em consequência disto, Saulo caiu por terra.

Segundo biblistas famosos, o verbo cair, utilizado por Lucas nesta passagem, tem um significado extremamente importante, pois equivale a: cair como morto, cair em pedaços ou ter um colapso. O quadro prossegue, e nos mostra que durante a queda uma voz ecoou dizendo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo então, perguntou: “Quem és tu, Senhor?” É possível que a resposta dada pelo Senhor tenha trazido um profundo espanto no coração de Saulo:  “Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões”.

Devemos saber que Saulo de Tarso era um homem extremamente preparado e conhecia os Escritos da velha dispensação. O livro de Atos 22.3 confirma isso: “Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso de Deus”.

A expressão EU SOU penetrou profundamente em seu ser. Saulo reconheceu perfeitamente aquela fala. Sabedor como era de toda lei, conhecia muito bem aquelas palavras. No livro de Êxodo 22.3a está registrado: “Eu sou o Senhor, teu Deus...”.  Como deve ter ficado o coração de Saulo diante de tão grande revelação? Saulo, completamente despedaçado, percebeu que estava frente a frente com o  Deus da Aliança, o Criador do universo.

Certa ocasião, Jesus falou a um grupo de judeus religiosos: “Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou”. (João 8.58). Verdadeiramente,  Saulo percebeu que não estava diante de um simples homem, ele estava diante do Deus Santo e Eterno. Neste encontro verificamos o fim de Saulo de Tarso. Este homem tremendamente religioso, mas possuidor de uma natureza caída, chegou ao fim de si mesmo, pois ninguém que tenha um encontrou com o Senhor consegue permanecer o mesmo! O grande e cruel perseguidor da Igreja, daquele momento em diante, seria um vaso escolhido por Deus para que anunciasse o seu Filho bendito por toda a parte: “E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus” (Atos 9.20).

O Senhor Jesus Cristo veio a este mundo para libertar o homem de todo o jugo de escravidão. As maiores e mais danosas algemas encontram-se nos sistemas religiosos. O compromisso do Senhor Jesus é nos dar vida, e não nos dar um sistema para seguirmos. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará ... Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8. 32 e 36).

A Igreja de Cristo não é um sistema de religião, mas uma reunião de santos. Pessoas que foram regeneradas pela graça de Deus, e que se reúnem por causa de Cristo, por meio de Cristo e para Cristo. A Igreja de Cristo é composta de pessoas que foram libertadas (arrancadas) pelo próprio Deus “do império das trevas” e por Ele transportadas “para o reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1.13).

Qual tem sido a busca de nossa alma? Por regras, princípios, coisas espirituais? Será que não estamos muito agarrados nas obras da religião? Será que não estamos fazendo de Cristo apenas um coadjuvante em nossas reuniões? Creio que a maior necessidade da Igreja em nossa época é ganhar a visão de Cristo e ser dirigida por ela. Pois todas as coisas são Dele, por meio Dele e para Ele. Que Deus incline o nosso coração para uma única direção, o seu Filho Jesus Cristo! Que assim seja!