quarta-feira, 20 de março de 2013

O DESPERTAR E O OBEDECER PARA QUE UM MILAGRE ACONTEÇA NA SUA VIDA!


                                                Atos 12.1-17

Caríssimos companheiros:

Não sei por que razão estou sendo movido para compartilhar com aqueles que me leem neste exato momento, sobre algo que o Senhor Deus tem colocado no meu coração. Estou tão atarefado, mas tão atarefado,  que vocês nem imaginam. Mas vejam só, o Senhor Deus me inquietou, e me mandou parar com tudo que eu estava fazendo, para ouvir e escrever o que Ele estava me dizendo através de Sua Palavra, quando em um dos meus momentos devocionais matutinos. Por isso é que eu estou aqui, diante de você, para compartilhar consigo um pouco desta minha singular experiência.

Para começo de conversa, você se imaginou ser acordado de chofre por um anjo e ser despertado para um grande milagre na sua vida? Pense nisso!... Isso não é algo mirabolante, não! Aconteceu com Pedro. Está escrito! E pode acontecer também com você! Leia este texto acima, bem compassivamente e extraia para si, palavra por palavra, lições preciosas para a sua vida e preste muito bem a atenção nos verbos e nas afirmações.

Pois foi exatamente  o que aconteceu com Pedro, quando estava na prisão pela terceira vez, à espera de seu  julgamento e morte, não tenhamos dúvidas sobre isso. Interessante que anos depois, quando escreveu sua primeira epístola ele tivesse essa experiência magnífica em sua mente ao citar o Salmo 34.15-16: “  Os olhos do Senhor estão sobre os justos; e os seus ouvidos, atentos ao seu clamor. A face do Senhor está contra os que fazem o mal...”. Não tenho a menor sombra de dúvidas que essa citação resume o que Deus fez por Pedro e revela para nós, neste momento, lições maravilhosas para nos reanimar e nos conceder encorajamento em tempos difíceis.    

Em primeiro lugar, nos vv. 1-4 do nosso texto, descobrimos que Deus vê nossas tribulações!  “Porque os olhos do Senhor estão sobre os justos...” (I Pedro 3.12). Deus viu e atentou para o que sanguinário Herodes Agripa fazia contra seu povo. Esse homem perverso era neto de Herodes, o Grande, que havia mandado matar todas as crianças de Belém, sobrinho de Herodes Antipas, que havia ordenado a decapitação de João Batista. Família de gente dada a intrigas e a assassinatos, desprezada pelos judeus que não se submetiam e aceitavam a ideia de ser governados por edomitas.

É evidente que Herodes sabia disso perfeitamente bem, de modo que perseguiu a igreja a fim de convencer os judeus da sua lealdade à tradições de seus antepassados.  Agora que os gentios haviam sido aceitos abertamente pela igreja, o plano de Herodes parecia ainda mais apropriado para os judeus nacionalistas que não queriam coisa alguma com os ‘pagãos’. Ciente disso, Herodes ordenou a prisão de vários cristãos, dentre eles Tiago (irmão de João), o qual ordenou que fosse decapitado. Assim Tiago tornou-se o primeiro dos apóstolos a ser martirizado. Vamos retroceder um pouco: quando refletimos sobre sua morte à luz de Mateus 20.20-28, ela adquire um significado todo especial! Tiago e João, juntamente com a mãe, haviam pedido tronos, mas o Senhor Jesus deixou claro que não poderia haver glória sem sofrimento e lhes disse: “Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu hei de beber e ser batizados com o batismo com que eu sou batizado?”, e responderam os dois com ousadia: “Podemos”.

Por certo, não sabiam o que estavam dizendo, mas acabaram descobrindo o alto preço de receber um trono de glória: Tiago foi preso e morto, e João foi exilado na Ilha de Patmos, como prisioneiro de Roma (Apocalipse 1.9). De fato, beberam do cálice e compartilharam do batismo de sofrimento que seu Senhor havia experimentado! Louvado seja Deus!

Se os judeus haviam ficado contentes com a morte de Tiago, ficariam ainda mais satisfeitos com a execução de Pedro! Deus permitiu  que Herodes prendesse Pedro e que o colocasse sob forte vigilância na prisão. Havia dezesseis soldados  para guardá-los, quatro para cada turno, mais dois soldados para guardar a porta, além de outros dois guardas a quem o apóstolo ficava acorrentado. Afinal, da última vez que fora preso, Pedro havia desaparecido misteriosamente da prisão, e Herodes não estava disposto a permitir que isso se repetisse.

Eu lhes pergunto: por que Deus permitiu que Tiago morresse, mas salvou Pedro? É uma boa pergunta. Afinal, ambos eram servos dedicados do Senhor e necessários para a Igreja. A única resposta é a vontade soberana de Deus, justamente aquilo sobre o que Pedro e a igreja haviam orado depois de sua segunda perseguição:

Senhor, tu és o que fizeste o céu, e a terra, e o mar, e tudo o que neles há; que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram as gentes, e os povos pensaram coisas vãs? Levantaram-se os reis da terra, e os príncipes se ajuntaram à uma contra o Senhor e contra o seu Ungido. Porque, verdadeiramente, contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel, para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer. Agora, pois, ó Senhor, olha para as suas ameaças e concede aos teus servos que falem com toda a ousadia a tua palavra, enquanto estendes a mão para curar, e para que se façam sinais e prodígios pelo nome do teu santo Filho Jesus”. (Atos 24-30).

Herodes estendera sua mão para destruir a igreja, mas Deus estenderia Sua mão para realizar sinais e prodígios, a fim de glorificar o Seu Filho! Deus permitiu que Herodes matasse Tiago, mas o impediu de fazer mal a Pedro. O trono celeste estava no controle, não o governante aqui da Terra.    

É importante observar que a igreja não escolheu um substituto para Tiago, como havia feito no caso de Judas (Atos 1.15-16). Enquanto o evangelho era levado “primeiro aos judeus”, era necessário ter um grupo completo de doze apóstolos para testemunhar às doze tribos de Israel. O apedrejamento de Estêvão encerrou esse testemunho especial a Israel, de modo que o número de testemunho oficial não importava mais. É bom saber que, por mais difíceis que sejam as provações ou por mais decepcionantes que sejam as notícias, Deus ainda está assentado em Seu trono e está no comando e no controle de todas as coisas! Isto é que é Deus! Glorificado seja o Seu Nome para sempre! Provavelmente no primeiro momento nem sempre compreendamos Seus caminhos, mas sabemos que Sua vontade soberana é o que há de melhor! Não se esqueçam disso, jamais meus companheiros, “irmãos de fé e camaradas”!  

Em segundo lugar, nos vv. 5-17, do texto em pauta, descobrimos que Deus ouve as nossas orações! “...e os seus ouvidos, atentos às suas orações...” (I Pedro, 3.12). As palavras “mas havia oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele” (v.5) constituem o ponto chave desta história! Não devemos jamais subestimar o poder de uma igreja que ora! Mas de uma igreja que oraenfatizo. Hoje somos muito apressados, queremos tudo ao nosso alcance imediato. Mas para a ação de Deus precisa haver um tempo para que estejamos preparados. O anjo chamou Pedro na prisão, mas foi a oração incessante que foi buscar o anjo! Vocês podem acreditar nisso?

Vamos olhar direito a cena: Pedro dorme (vv.5-6). Eu agora eu lhes pergunto: conseguiríamos dormir a sono solto se estivéssemos acorrentado a dois soldados romanos diante da possibilidade de sermos executados no dia seguinte? Respondam para mim, teríamos? Provavelmente não, mas foi o que Pedro fez. Dormia tão pesadamente que o anjo teve de tocá-lo para que ele despertasse! Não foi o fato de já ter sido preso em outras ocasiões que deu tranquilidade ao coração de Pedro. Essa experiência foi diferente das outras duas. Dessa vez, estava sozinho, e o livramento não veio de imediato. Nas outras ocasiões, a prisão havia ocorrido depois de grandes vitórias, mas, dessa vez veio depois da morte de Tiago, seu querido amigo e companheiro de ministério. Era uma situação inteiramente nova.

Mas o que deu a Pedro tanta confiança e paz? Primeiro, havia muitos cristão orando por ele! “...muitos estavam reunidos e oravam” v.12), continuamente, incessantemente, ao longo de toda a semana, e isso ajudou a lhe dar paz. Paulo nos orienta:  “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus” (Filipenses 4.6-7). A oração é capaz de nos trazer à memória as promessas da Palavra de Deus, como por exemplo: “Em paz também me deitarei e dormirei, porque só tu, Senhor, me fazes habitar em segurança”. (Salmo 4.8) ou “não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te esforço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça” (Isaías 41.10).

Mas o principal motivo da paz que Pedro sentia era consciência de que Herodes não podia matá-lo! Jesus prometera que Pedro viveria até uma idade avançada e, então, seria executado em uma cruz romana de cabeça para baixo. “Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo e andavas por onde querias: mas, quando já fores velho, estenderás as mãos, e outro te cingirá e te levará para onde tu não queiras. E disse isso significando com que morte havia ele de glorificar a Deus”. (João 21.18-19). Pedro simplesmente se apropriou dessa promessa e entregou a situação toda ao Senhor, e Deus lhe deu paz e descanso! Não sabia como e quando Deus o livraria, mas sabia que o livramento estava a caminho, no tempo de Deus! Vocês têm confiado nas promessas que o Senhor Deus lhes tem feito, em Sua Palavra?

Outra olhadinha na cena: Pedro obedece (vv. 7-11). Pedro só não foi morto porque obedeceu a Deus! Deus não faz nada com alguém ou por alguém dormindo, sem que essa pessoa se desperte, se levante e tome uma atitude! Vemos aqui, mais uma vez, o ministério de anjos (Atos 5.19; 8.26; 10.3,7) e somos lembrados de que eles cuidam dos filhos de Deus. “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Salmo. 34.7). O anjo do Senhor trouxe luz e liberdade à cela da prisão, mas os guardas nem suspeitaram de que estava acontecendo. A fim de ser libertado, Pedro precisou obedecer às ordens do anjo: “Levanta-se depressa” (v7.). E a Palavra diz em ação continua que, quando Pedro se levantou, “caíram-lhe das mãos as cadeias”! (v.7).

Ah, meu companheiro: talvez você esteve querendo deixar o ministério, por achar-se desprestigiado, abandonado, pisado, ofendido, suas forças já estão chegando ao final, portas não se lhe são abertas, igrejas médias e grandes com barreiras enormes, para que você alcance a meta dos seus sonhos, e estão difíceis o seu alcance, e você se encontra alquebrado, quem sabe, decepcionado e triste e queixoso, e tem encontrado e colocado culpa numa série de coisas, que pairam sobre sua cabeça, não é verdade? Deixe de meninice à toa!  Ouça o que o Senhor Deus está lhe dizendo: “Levanta-te depressa”!      

Nossa realização pessoal, meu companheiro, vai sendo incrementada à medida em que vamos entendendo o amor de Deus para conosco e conforme vamos obtendo sabedoria para aplicar os princípios de Sua Palavra à nossa vida diária. Isso traz como resultado, paz interior, vida de propósito e um correto relacionamento com outras pessoas. Saibam todos de uma vez por todas: você, meu querido, é escolhido e ordenado por Deus – você é um homem com um destino e tudo está nas mãos do Senhor! Creia nisso! Aproprie-se desta palavra e a guarde no mais profundo do seu coração e a use no tempo certo!   

Estou abrindo este espaço, no meio da narrativa sobre a libertação de Pedro, para lhe dizer que você deve se levantar, erguer a sua cabeça e acreditar nas promessas de Deus e ser bem mais obediente a Ele! Aprenda a viver o máximo de cada dia, crescer em amor e sabedoria, a encontrar o seu lugar no mundo e na igreja, e chegar a ser tudo o que Deus tem disposto para você! Se aproprie desta palavra, repito.

Nós, humanos, agimos de acordo com o que pensamos. E nisso a psicologia, que é a ciência do comportamento humano, vem reafirmar o que a Palavra de Deus nos diz: “Porque, como (o homem) imagina em sua alma, assim ele é”. Provérbios 23.7). O que pensamos determina em grande parte nossa conduta e nossas atitudes em relação à vida; por isso é muito importante a imagem ou a autoimagem que temos de nós mesmos. A imagem mental ou autoimagem é um conjunto de ideias que se unem para nos dar um quadro ou ideias claras de um objeto, pessoa ou conceito. Ter uma imagem mental correta é ter uma visão das coisas corretamente. As imagens mentais são formada com as informações que adquirimos dos outros.

Por exemplo, se alguns de vocês informarem aos seus amigos mais próximos, que conhecerem o Pastor José Barbosa Neto, ex-padreco chato, extremamente bocudo, que fala pelos cotovelos, e não prestarem informações corretas à respeito de como realmente  sou – aquela pessoa jamais fará uma imagem mental correta de como realmente sou! Concordam comigo? As imagens mentais vão sendo integradas à nossa vida conforme adquirimos conhecimentos e experiências.  A imagem mental pode ser determinada também por nós mesmos, e nossa atitude perante a vida é grandemente influenciada pela imagem que temos de nós mesmos. ISTO É MUITO SÉRIO!

A televisão, um instrumento que bem usado, tem servido até mesmo para o trabalho de evangelização de longo alcance e penetração, por outro lado tem tido um poder satânico para trazer imagens mentais distorcidas, as quais têm até mesmo influenciado grandemente para que muitos irmãos e irmãs, não tenham uma imagem ou autoimagem de si mesmos correta. E muitos têm assim pensando:

a)   Como me vejo e como sou? – aparência física
b)  O que é que tenho? – posses pessoais
c)   O que faço bem feito? – atuação pessoal
d)  Que tão importante sou? – posição social

O Senhor Deus não é capaz do absurdo. Essa ideia de que Deus tudo pode, é falsa e sabem por quê? Porque Deus pode tudo o que não é absurdo! Ele não pode fazer alguém maior do que Ele. Ele não pode abençoar o mau. São as impossibilidades de Deus!

Ouçam o que Paulo nos diz: “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”. Romanos 12.1-2). E por que “transformai-vos”?   Porque este é um mundo decaído em relação ao plano piloto de Deus na criação. E também porque por mais que você e eu odiemos a esse mundo, Deus segue amando a este mundo: com todas as suas ambiguidades e contradições, com todos os seus guetos escuros e escabrosos!  

Um pouco mais, nos esqueceremos da história da libertação de Pedro!... Mas voltaremos já para algumas outras análises sobre ela. Mas, enquanto isso, deixe-me lhe fazer algumas perguntinhas, mas só para você, em particular: que imagem você tem de si mesmo? Que pensa a respeito de você mesmo? 
Se você tivesse o poder para mudar algo em você, na sua aparência física, o quê você mudaria? Pense, rapidamente. Saiba, companheiro, que isto é de fundamental importância para a sua aceitação de si mesmo. Acredite nisso!

Ouça o que a Palavra de Deus diz: “Não atentes para a sua aparência, nem para a sua altura, porque o rejeitei; porque o Senhor não vê como vê o homem. O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração” (I Samuel 16.7). E às vezes, procuramos mudar a nós mesmos, mas está escrito: 

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9).  Saiba de uma coisa: veja o que está escrito no Salmo 139.13-15: “Pois tu formaste o meu interior, tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra”.  

Agora olhe para mim e ouça o que eu vou lhe dizer: você, companheiro de batalha, foi criado de maneira especial, você é um desenho especial, você é um desenho único, pois você foi feito por Deus, formado por Ele, não pela vontade do homem. Saiba: Deus quis que eu e você fôssemos ASSIM! Não nascemos por acaso, somos criaturas com um destino e Deus havia planejado exatamente como seria nossa aparência mesmo antes de nascermos! Nós somos LINDOS, LINDÕES, PERFEITOS! Vamos lá, olhe-se no espelho, veja que obra perfeita você é,  fisicamente, porque foi o Senhor Deus quem lhe fez ASSIM! Sim, meu amado, você é um desenho único!

Preste agora a devida atenção para o que eu vou lhe dizer: a cor dos seus olhos, a cor e o jeito do seus cabelos, a cor da sua pele, o comprimentos dos seus ossos, o formato do seu rosto e dos seus lábios, do seu corpo, gordinho ou  magrinhos, alto ou baixo, tudo isso estava determinados por Deus! 

Alegre-se na presença Dele! Vibre! Glorifique a Deus! E saiba de uma coisa de uma vez por todas: DEUS NÃO COMETE ERROS! Somos parecidos com o Senhor, somos a Sua imagem e a Sua semelhança, somos Seus filhos e todo filho se parece com seu Pai! Você precisa aprender a agradecer a Deus por ser o que você é, do jeito como você é, do forma como você é, meu valente companheiro!

Não discute com Deus, e nem se sinta da maneira como você tem criada uma autoimagem negativa de você! Você não é uma pessoa qualquer! Você é filho do Rei! Creia nisso! Não queira mudar você mesmo e nem mudar os outros, mas deixe Deus mudar a sua mente, o seu pensar! Como? Paulo lhe orienta: “ E todos nós, com o rosto desvendado, contemplando, como por espelho, a glória do Senhor, somos transformados, de glória em glória, na sua própria imagem, como pelo Senhor, o Espírito” (II Coríntios 3.18). 

E ele nos diz mais: ”Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento” (Filipenses 4.8).

Deixe Deus mudar você, a sua mente, andando no Espírito, momento a momento, pois está escrito: “Graças, porém, a Deus, que, em Cristo, sempre nos conduz em triunfo e, por meio de nós, manifesta em todo lugar a fragrância do seu conhecimento. Porque nós somos para com Deus o bom perfume de Cristo, tanto nos que são salvos como nos que se perdem”. (II Coríntios 2.14-15).

Sim, graças a Deus que em Cristo, Ele sempre nos conduz em triunfo; e triunfo é vitória! E nós não somos apenas vitoriosos, vencedores, “porém, somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou” (Romanos 8. 37).

Voltemos agora a Pedro. Ele teve uma atitude. Ele se despertou e se levantou depressa. Ficou de pé. E quando ele tomou esta atitude, diz-nos Palavra “caíram-lhe das mãos as cadeias”. O anjo ordenou que Pedro prendesse as vestes no cinto e calçasse as sandálias. Sem dúvida, eram coisa bastante triviais para fazer durante um milagre! Mas Deus, muitas vezes, junta o miraculoso ao trivial para nos incentivar a manter o equilíbrio. 

Somente Deus pode fazer o extraordinário, mas seu povo deve fazer coisas triviais. Jesus ressuscitou Lázaro, mas os homens tiveram de remover a pedra da entrada do túmulo. Deus não faz aquilo que podemos fazer. Ele só faz aquilo que não podemos fazer. Aprenda isso. O mesmo anjo que removeu as correntes das mãos de Pedro poderia ter colocado as sandálias nos pés do apóstolo, mas pediu a Pedro que o fizesse! Deus nunca desperdiça milagres!

Pedro teve que tomar a atitude de despertar-se e de levantar-se antes de caminhar. Trata-se de uma excelente lição sobre humildade, obediência e dependência de Deus! Pedro não precisou sair da prisão pelas portas dos fundos da prisão. Mas ele passou pelas portas da frente, ele passou pelos pesados portões de ferro que se lhe foram abertos pelo poder de Deus! Ele envia socorro aos Seus servos no mento e na horas certas! Não paremos de orar, porque no momento certo Deus vai agir milagrosamente na nossa vida! Deus vai começar a agir, quando você tomar uma atitude na sua vida: desperte-se, levante-se, cinja-se e calce as suas sandálias e caminhe de cabeça erguida e portas lhe serão abertas para a glória do Nome do Senhor! Na verdade, é possível  que, daquela noite em diante, toda vez  que Pedro calçava as sandálias, lembrava o milagre da prisão e era estimulado a crer no Senhor!

Seu livramento ocorreu na época da Páscoa, quando os judeus celebravam o êxodo do Egito. O verbo ‘livrar’ em Atos 12.11, é o mesmo termo que Estevão usou ao falar do êxodo de Isael (Atos 7.34). Pedro experimentou um novo tipo de “êxodo” em resposta às orações do povo de Deus.

Mais uma olhadinha na cena: Pedro bate à porta (vv. Vv. 12-16). Enquanto Pedro seguia o anjo, Deus foi abrindo caminho e, quando o apóstolo ficou livre, o anjo desapareceu. Havia terminado seu trabalho e deixado ao encargo de Pedro crer no Senhor e de usar o bom senso para dar o próximo passo. Uma vez que foram as orações  do povo de Deus que ajudaram Pedro  a ser liberto, o apóstolo decidiu que o lugar mais apropriado para se encaminhar seria a reunião na casa de Maria. Além disso, desejava lhes dar a boa notícia de que Deus havia respondido a suas orações. Pedro veio até a comunidade ali reunida, em oração. Assim, Pedro  se dirigiu à casa de Maria, mãe de João Marcos.

Quando lembramos que: (a) muitas pessoas  estavam orando; (b) oravam com fervor incessantemente; (c) oravam dia e noite por vários dias; e (d) oravam especificamente pela libertação de Pedro, a cena descrita a seguir é quase cômica. A resposta a todas essas orações estava a sua porta, mas não tiveram fé para abri-la e deixar Pedro entrar! Deus conseguiu tirar Pedro da prisão, mas Pedro não conseguiu entrar em uma reunião de oração!

É claro que poderiam ser os soldados de Herodes batendo à porta em busca de mais cristãos para prender. A criada Rode precisou de coragem para atender à porta, mas podemos imaginar qual não foi sua surpresa quando reconheceu a voz de Pedro! Ficou tão feliz que se esqueceu de abrir a porta! O pobre apóstolo teve de continuar batendo e chamando, enquanto os “homens e mulheres de fé” na reunião de oração resolviam o que fazer! Quanto mais tempo Pedro precisava esperar à porta, mais perigo ele corria. 
Quando a criada “correndo para dentro, anunciou que Pedro estava à porta” disseram-lhe “estás fora de ti” e exclamarão: “É o seu anjo”! (Atos 12.13-15).

A pergunta lógica seria: - Por que um anjo se daria o trabalho de bater à porta? Só precisava entrar. Infelizmente, uma teologia correta misturada com uma dose de incredulidade gera medo e confusão! 
Devemos encarar o fato de que, mesmo nas reuniões de oração mais fervorosas, por vezes ainda existe certo espírito de dúvidas e incredulidade. Somos como o pai que clamou a Jesus: “Eu creio, Senhor! Ajuda a minha incredulidade” (Marcos 9.24). Esses cristão de Jerusalém acreditavam que Deus poderia responder a suas orações, de modo que clamaram dia e noite. Mas quando a resposta bateu à sua porta, se recusaram  a crer! Em sua graça, Deus honra até a fé mais fraca, mas poderia fazer muito mais se confiássemos Nele plenamente!

Convém observar que Atos 12.16 emprega o plural: “Pedro persevera em bater e, quando abriram, viram-no, e se espantaram”. Temos a impressão de que, por uma questão de segurança, decidiram abrir a porta juntos e encarar juntos o que estava do outro lado da porta. Rode teria aberto a porta sozinha, mas estava feliz demais. É louvável que uma serva humilde tenha reconhecido a voz de Pedro e de regozijado por ele estar livre. Sem dúvida, Rode cria no Senhor Jesus Cristo e era amada de Pedro.

Finalmente, a última olhadinha na cena: Pedro faz uma declaração (v. 17). Ao que parece, todos começaram a falar ao mesmo tempo e em voz alta, e Pedro teve que pedir silêncio. Relatou rapidamente o milagre de seu livramento e, sem dúvida, agradeceu a todos por suas orações e diz: “Anunciai isto a Tiago e aos irmãos”. Pedro pediu que contassem o que havia acontecido, que testemunhassem isso a Tiago, o meio-irmão de Jesus, líder da congregação de Jerusalém e aos irmãos, a todos!  E diz o final do v.17 “E, saindo, partiu para outro lugar”. 

Ninguém sabe para onde Pedro foi em seguida! Trata-se de um segredo muito bem guardado. Exceto por uma rápida passagem por Atos 15, Pedro sai das páginas do Livro de Atos, para que possam a ser ocupadas por relatos sobre Paulo e seu ministério entre os gentios. De acordo com I Coríntios 9.5, Pedro realizou um ministério itinerante acompanhado da esposa,  e I Coríntios 1.12 dá a entender que visitou a cidade de Corinto.

Não há qualquer evidência nas Sagradas Escrituras de que Pedro tenha fundado a Igreja em Roma (como assim afirma a Igreja Católica Romana). Na verdade, se tivesse sido este o caso, é pouco provável que Paulo tivesse viajado até lá, pois não costumava exercer seu ministério em lugares “onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio (Romanos 15.20). Além disso, ao escrever sua Epístola aos Romanos, Paulo certamente teria dito algo a Pedro ou falado sobre ele, mas Paulo simplesmente silencia... Por quê? (...)

Mas Pedro deixou lições preciosas para a nossa vida, para que aprendamos a tomar atitudes, para que milagres aconteçam nas nossas vidas e portas se nos sejam abertas a partir da nossa obediência, como resposta de nossas orações! Creiamos nisso! E que isso seja realidade em nossas vidas, para a maior glória do Nome do Senhor!

Amém.

Que o Senhor Deus abençoe ricamente a cada um, em Nome de Jesus!

O menor conservo,
Pr. José BARBOSA de Sena NETO

domingo, 23 de setembro de 2012

A LOUCURA DA PREGAÇÃO..


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                                                               Pr. José Barbosa de Sena Neto


Perguntamos: será que a evangelização é um privilégio somente para pastores, evangelistas e missionários? Se não, por que e como devemos evangelizar? Ainda hoje, a evangelização é um grande desafio para todos nós, crentes em Jesus. Este tema não se constitui como dos mais interessantes sobre a vida cristã muito mais nos dias de hoje, caracterizado pelo descompromisso agravante da maioria da membresia das igrejas locais. Hoje a proclamação é caracterizada e comandada pela visão da prosperidade a qualquer custo...

Porém, ele é um dos principais valores da fé cristã juntamente com a adoração e a edificação dos santos. Segundo as Sagradas Escrituras, todos os regenerados constituem uma “raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, a fim de proclamardes as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz”. (I Pedro 2.9) Todos os nascidos de novo foram chamados por Deus para propagar os louvores de Deus, ou seja, para dar testemunho.

De acordo com as Escrituras Sagradas, a evangelização é indispensável para a salvação dos perdidos. O apóstolo Paulo afirma: “aprouve a Deus salvar os que creem pela loucura da pregação” (I Coríntios 1.21b) É por meio da pregação do Evangelho que os pecadores são salvos. Através da pregação do Evangelho, Deus comunica a fé salvadora aos homens perdidos.  “E assim, a fé vem pela pregação e a pregação da palavra de Cristo” (Romanos 10.17). Desta forma, a evangelização não é assunto para uns poucos vocacionados, mas para pessoas que foram transformadas pela loucura da pregação de nossa identificação com Cristo crucificado.

Evangelizar na sua definição mais simples é pregar o evangelho. O Evangelho é uma boa nova de Deus para o mundo. A implicação disso é que o evangelho tem, ao mesmo tempo, uma origem divina (ele vem de Deus) e uma relevância humana (ele fala pelo ser humano transformado). A grande tragédia do cristianismo nos dias de hoje não tem sido a falta de evangelização, mas sim, de uma evangelização centrada em Deus.

O que tem predominado é uma evangelização antropocêntrica, centrada no homem. O foco deixou se estar em Deus, e passou a estar no homem. O resultado disso é a grande dependência de métodos e estratégias humanos ao invés da dependência total da graça de Deus. A evangelização cedeu lugar para o proselitismo e o Evangelho transformador tem sido substituído por sistemas religiosos ou conceitos de autoajuda. Há muitos métodos ‘com propósitos’ e sem propósitos divinos, apenas estratégias de marketing. Por isso tantas igrejas superlotadas de pessoas vazias e sem vidas genuinamente transformadas pelo poder de Deus. Falta-lhes a ação do poder de Deus, poder transformador. 

Se realmente quisermos conhecer e participar da evangelização, devemos retornar à Bíblia Sagrada. A evangelização bíblica tem como ponto de partida Deus Pai e nunca o homem. Ela começa com Deus, é por meio de Deus e é para Deus, “porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas” (Romanos 11.36).  Deus é o autor da evangelização.  As raízes da evangelização estão fincadas na eternidade. Foi o Deus Trino quem arquitetou o plano da salvação para ser executado em várias etapas, antes que o mundo existisse.

Neste plano, Deus Pai devia enviar seu Filho ao mundo para resgatá-lo do pecado, Deus Filho haveria de vir voluntariamente ao mundo para se tornar merecedor da salvação por meio de sua obediência até a morte, e Deus Espírito, aplicaria a salvação dos pecadores, derramando sobre eles a graça renovadora.         

A - Deus Pai, foi o grande mentor da salvação e da evangelização. Foi Ele quem concretizou no tempo o plano eterno da salvação, revelou sua execução no evangelho e estabeleceu o evangelho como o meio indispensável de salvação. Ainda na eternidade, ele comissionou o Filho para se tornar o redentor do mundo mediante sua morte vicária na cruz e mediante a sua obediência perfeita. Em favor dos pecadores, Deus planejou que o seu Filho nos resgatasse da maldição da lei, “fazendo ele próprio maldição em nosso lugar (porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado em madeiro).” (Gálatas 3.13). Foi Deus quem inspirou os antigos profetas a predizerem a vinda do Filho de Deus em carne para experimentar o sofrimento e depois a glória.

Nos dias da encarnação de Jesus, ele enviou sobre Ele o Espírito Santo para capacitá-lo a realizar suas obras. Deus Pai não poupou o Seu Filho Unigênito em favor dos pecadores. Foi ele quem ressuscitou Jesus dentre os mortos. Foi ele também quem exaltou seu Filho acima de todo o nome. (Filipenses 2.9-10).    

B – Jesus também é autor da evangelização. Jesus morto e ressuscitado constitui o tema central do evangelho. Ele se dispôs voluntariamente diante do Pai a se tornar o salvador dos homens. (Hebreus 10.7).  Foi Jesus, quem trouxe à luz a essência do evangelho (João 1.29). Nos dias de sua carne, ele proclamou o Evangelho do reino de Deus. Ele deu responsabilidade aos seus apóstolos e à sua igreja, após ter morrido e ressuscitado, inaugurando uma nova dispensação. “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19) Foi Ele quem deteve Saulo de Tarso, transformando-o, de perseguidor da igreja, no maior missionário e evangelista cristão de todos os tempos.

C – O Espírito Santo é o autor da evangelização. É pela graça regeneradora do Espirito Santo e pela eficaz aplicação do Evangelho feita pelo mesmo Espírito que o pecador chega ao arrependimento e à fé. Foi o Espirito Santo quem moveu os homens do Velho Testamento a falarem, “porque nunca jamais qualquer profecia foi dada por vontade humana; entretanto, homens (santos) falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo” (II Pedro 1.21). 

No Pentecostes, o Espírito Santo veio sobre a igreja capacitando-a a conquistar o mundo para Cristo. O Espírito é poder capacitador para a igreja testemunhar de Cristo. Ele transformou Pedro de um covarde em um intrépido pregador do Evangelho. O Espírito Santo foi ele quem guiou Paulo para Roma. É a terceira Pessoa da Trindade quem preserva o Evangelho. Não fosse Ele, há muito tempo se teria perdido o Evangelho. A própria igreja o teria destruído. Ele é o Espírito da verdade. (João 14.16-17). Assim, não é a eloquência do pregador, nem a força de vontade da pessoa não regenerada a razão da regeneração, mas sim, a operação da graça do Espirito Santo.

Sim, a evangelização tem o seu princípio em Deus e este é o principal motivo porque temos que evangelizar. Sendo assim, precisamos entender que a evangelização é muito mais do que evangelismo e missões; é mais amplo e, evidentemente, abrange o trabalho de evangelismo e a obra de missões. Ela abrange tanto a dimensão externa como a interna da igreja. Somente o Evangelho é capaz de motivar e capacitar uma nova criatura a evangelizar. Somente uma pessoa que conhece o evangelho como experiência, poderá evangelizar. Mas a verdade é que o Evangelho pregado culto após culto dentro das igrejas é que nos fortalece e nos impulsiona a evangelizar. A evangelização interna da igreja é tão fundamental como a dos não crentes. Uma não acontece sem a outra.

Uma vez transformados pela mensagem da morte e ressurreição de Jesus e de nossa morte e ressureição com Ele, crescemos no conhecimento de Cristo pelo mesmo Evangelho. Quanto mais mergulhamos no mar, mais percebemos a sua dimensão. Assim se dá com o Evangelho. Cristo me atraiu, Cristo me crucificou, Cristo nos fez morrer, Cristo nos ressuscitou, Cristo é minha vida, são as forças motivadoras da verdadeira evangelização. Uma vez que isso se constitui na base de nossa experiência cotidiana, fica muito mais fácil compartilhar e proclamar o Evangelho.

Portando, se quisermos, podemos nos envolver em projetos de evangelização da igreja local ou ainda atuar como missionários em algum lugar distante. Não importa como pregamos o Evangelho “a tempo e fora de tempo”, “quer seja oportuno, quer não” (II Timóteo 4.2), o que não podemos é nos calar, porque é da vontade de Deus salvar os que creem pela loucura da pregação. Que assim o Senhor Deus nos capacite. Amém!  

HUMILHAÇÃO E EXALTAÇÃO DE JESUS



                                        Pr. José Barbosa de Sena Neto
                                     pastorbarbosaneto@yahoo.com.br



A manifestação da graça na vida cristã liga-se a um Cristo que se humilhou. Um Cristo humilde que, tendo a forma de Deus, deixa-a para Se humilhar até à morte e morte de cruz. O meio dessa união entre os santos, e o meio para a manifestação e permanência desse amor, está na identificação com Cristo. Foi esta humildade que tão perfeitamente se manifestou em Cristo, em contraste com o primeiro homem Adão. Este tinha procurado torna-se semelhante a Deus por usurpação e elevar-se em detrimento de Deus, sendo ao mesmo tempo desobediente até a morte. (Gênesis 2.16-17; 3.6-7).

O Senhor Jesus, quando em forma de Deus, aniquilou-Se, por amor, de toda a Sua glória, da forma de Deus, e tomou a forma de homem, e em forma de homem se humilhou. Como Deus, humilhou-Se até a morte e morte de cruz (Filipenses 2.8). Que perfeito amor, que gloriosa verdade, que preciosa obediência!  Um Homem, pelo justo julgamento de Deus e pelo Seu ato foi elevado à direita do trono da majestade divina! Em Cristo, temos a plena manifestação do amor de Deus aos homens (Hebreus 1.1-3).

O Senhor Jesus revelou Deus para nós de maneira plena. Se quisermos saber como Deus é, basta olharmos para o Senhor Jesus. Deus é amor e nós vemos esse amor em Jesus Cristo. Em Cristo vemos Deus plenamente, e não há outra maneira de conhecer a Deus, senão no conhecimento que encontramos na pessoa de Jesus Cristo.

Que maravilhosa verdade é a pessoa de Cristo! Que sublime verdade é esta descida e esta ascensão pela qual Ele enche todas as coisas como Redentor e Senhor da glória! Deus descido em amor; o Homem assunto ao céu segundo a justiça! Agora, Ele que foi digno, em toda eternidade, quanto à Sua pessoa, de estar assim à direita de Deus, é, como Homem, elevado por Deus a Sua direita! Todos os conhecimentos encontram-se em Cristo, todas as sabedorias residem Nele, tudo está Nele! “Porque aprouve a Deus que, nele, residisse toda a plenitude” (Colossenses 1.17-20).

Se olharmos para a criação, Ele é o primogênito; se olharmos para a nova criação, Ele é o princípio; se olharmos para a Igreja, Ele é o cabeça; se olharmos para o universo, Ele é o Senhor. O pleno conhecimento da vontade de Deus é simplesmente Cristo.  A justiça de Deus foi plenamente satisfeita. Os nossos corações podem tomar parte, alegres, na glória do Senhor, alegres por também ali terem parte pela graça do Senhor. Só Deus podia esvaziar-se de Sua glória em favor de criaturas caídas. Tudo por amor! Que extraordinário amor!

Mas é Nele, em Cristo, que o apóstolo Paulo pensa, não em nós, frutos dessa humilhação. Paulo se alegre no pensamento da exaltação de Cristo. Deus O elevou soberanamente e Lhe deu um nome que está acima de todo o nome, de sorte que todo o ser nos céus e na terra, e mesmo todo o ser infernal deve dobrar os joelhos diante deste Homem exaltado por Deus, e toda a língua deve confessar que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai! (Filipenses 2.9-11). 

Deus ressuscitou o Senhor Jesus dentre os mortos e Lhe deu a glória e um lugar acima de todas as coisas, lugar de que Ele era, sem dúvida, pessoalmente digno, mas que recebe e devia receber das mãos de Deus, que O estabeleceu como Senhor sobre todas as coisas. Unindo-Se à Igreja como sendo o Seu corpo, e ressuscitando os membros desse corpo da sua morte em pecados pelo mesmo poder que ressuscitou e exaltou o Cabeça, vivificando-os juntamente com Cristo e fazendo-os assentar nos lugares celestiais Nele, pelo mesmo poder que O exaltou. Assim a Igreja, o Seu corpo, é a Sua plenitude.  

O apóstolo Paulo pede aos crentes de Éfeso para que eles conheçam o poder, já manifestado, que tinha já operado a fim de que eles tivessem parte nesta bendita e gloriosa posição. Porque do mesmo modo como eles eram introduzidos pela soberana graça de Deus na posição de Cristo perante Deus, Seu Pai, assim também a obra que foi operada em Cristo, e o desenvolvimento do poder de Deus que teve lugar elevando-O desde o túmulo até à direita de Deus Pai, acima de todo o nome que se nomeia, são a expressão e o modelo da ação desse mesmo poder que opera em nós que cremos. E este poder nos eleva do nosso estado de morte no pecado, para nos fazer tomar parte na glória desse mesmo Cristo. Que abençoada humilhação! Que gloriosa exaltação!    

MARAVILHOSA GRAÇA!...




                                     Pr. José Barbosa de Sena Neto
 

     Nascemos neste mundo algemados pelo pecado, mortos para Deus e filhos espirituais do diabo. Estas são palavras fortes, no entanto, retratam a mais pura realidade do ser humano.  Não podemos brincar com este assunto. A natureza que herdamos do nosso primeiro pai, Adão, é totalmente avessa a Deus (João 8.34; Efésios 4.18; João 8.44a).

   Toda a predisposição do homem é em direção às trevas. De modo espontâneo, amamos o engano e não precisamos nos esforçar para andarmos nos desejos de nossa carne. Somos conduzidos pela natureza adâmica  e de modo natural nos inclinamos aos apelos do nosso coração caído (Jeremias 13.23).

   Muitos se gloriam e se satisfazem em sua própria justiça. Pensam que por terem uma conduta aprovada pelos homens serão aceitos por Deus. Ledo engano! A Bíblia não admite este tipo de conclusão (Isaías 64.6). Observemos que não são os nossos pecados que são "trapos de imundície", e sim, "as nossas justiças". Verdadeiramente a queda no Éden trouxe a ruína espiritual para toda a humanidade. Todas as ações realizadas pelo homem, por mais dignas que possam ser, estão maculadas pelo pecado.

   Diante deste fato, constitui-se num engano terrível alguém pensar que as suas obras de justiça, seu comportamento, sua religiosidade ou moralidade lhes servem como uma espécie de garantia de salvação. Qualquer tentativa do homem em buscar a salvação por meio de seus próprios méritos é absurda, ofensiva, inaceitável e abominação diante de Deus. Vejamos o que as Escrituras nos dizem: (Efésios 2.9; Romanos 11.6; Filipenses 3.4-8).

   Alcança grande bênção aquele que ganha a revelação de sua completa pecaminosidade. No entanto, aquele que pensa que tem em suas mãos o destino de sua vida, é o mais miserável de todos os homens. Pobre daquele que acha que precisa fazer a sua parte como: boas obras, caridade, ritos religiosos, para que possa ser salvo. Louco é o homem que não dá a devida atenção à questão mais importante da existência humana: a regeneração em Cristo Jesus!

   Ser salvo pela graça significa dizer: nasci em iniquidade e mereço o inferno, contudo, fui alcançado pela bendita misericórdia divina; merecia a condenação, mas ganhei a justificação; o lago de fogo e enxofre era o lugar para onde eu deveria ir, porém, o Senhor Deus me reservou o céu como herança! Louvado seja Deus!

   A graça repousa apenas naqueles que chegaram ao fim de si mesmos, ou seja, nos falidos. É incrível, mas muitos pensam que pelos seus muitos pecados estão privados da graça de Deus. Isto é contradição! No conceito humano, pecado e graça estão em extremos opostos. Pensam que a graça vem somente onde não há pecado. Porém, é exatamente o contrário!

   A nossa miséria é condição básica para recebermos a graça!  O pecado é um dos maiores enganos do homem, mas o seu maior engano é pensar que o pecado impede o homem de receber a graça! (Romanos 5.20) Não são os nossos pecados que impedem a ação da graça em nós, mas a nossa soberba. Somos tremendamente limitados para compreendermos este tão santo e puro atributo divino, que é a soberana graça.

   É dito que o caminho para o céu não atravessa uma ponte de pedágio, e, sim, uma ponte livre,  a saber, a graça não merecida de Deus, em Cristo Jesus. A graça opera independentemente dos valores humanos. Ela reside unicamente na soberana vontade de Deus. A graça divina recusa-se a ser ajudada naquilo que ela tem de fazer. Portanto, nada há que possa derrotá-la, e uma vez dada, age eficazmente.

     O reinado da graça está baseado na justiça do Filho de Deus (Romanos 5.21b). A graça de Deus está fundamentada na obediência perfeita e meritória de Jesus Cristo. Sendo a graça o que é, a mensagem da cruz torna-se a única esperança para o pecador afundado no brejo do pecado. A salvação do perdido está ligada diretamente ao sacrifício realizado por Jesus Cristo naquela cruz (Tito 3.4-7).

   Cristo em sua morte, carregou a culpa do nosso pecado. O Senhor do universo, pendurado naquele rude madeiro, derramou todo o seu sangue e, desta forma, nos outorgou tão grande salvação (Romanos 3.24-25a). Somente a graça tem o poder miraculoso de trocar a nossa velha natureza por uma complemente nova, transformada (II Timóteo 2.11).  

   Nada podemos fazer, em nada podemos colaborar, a não ser nos render a esta maravilhosa graça! A porta de acesso para a salvação do pecador tem um único nome: GRAÇA!  A graça anuncia que não precisamos fazer nada para sermos salvos. Ela não exige, mas doa. A graça não requer que sejamos fortes, mas fracos. A graça reina triunfante. Somente pela graça, o homem pode ser salvo! Graça! Quão maravilhosa graça! Louvado seja Deus!

Graça! Quão maravilhosa graça,
Como o firmamento, é sem fim!
É maravilhosa. É tão grandiosa,
É suficiente para mim.
É maior que a minha vida inútil
É maior que o meu pecado vil
O nome de Jesus engrandecei e glória dai!

SAULO, O PERSEGUIDOR...


                                                   Pr. José Barbosa de Sena Neto


O apóstolo Paulo é o responsável por esta tão chocante afirmação: “Persegui este Caminho até à morte, prendendo, e pondo em prisões, tanto homens como mulheres... Havendo recebido autorização dos principais dos sacerdotes, encerrei muitos dos santos nas prisões; e quando os matavam eu dava o meu voto contra eles. E, castigando-os muitas vezes por todas as sinagogas, os obriguei a difamar. E, enfurecido demasiadamente contra eles, até nas cidades estranhas os persegui” (Atos 22.4; 26.10-11). O que nos impressiona é o quanto um fanatismo religioso pode cegar e escravizar um homem! Eu que o diga, pois fui um perseguidor implacável do povo de Deus, mas assim “o fiz ignorantemente, na incredulidade” (I Timóteo 1.13).

Paulo, escrevendo aos irmãos em Filipos, descreve um pouco daquilo que ele conseguiu ao longo de sua vida enquanto esteve envolvido com o sistema religioso chamado judaísmo. No livro de Filipenses 3.4-6 está escrito: “Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu: circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu; segundo o zelo, perseguidor da igreja, segundo a justiça que há na lei, irrepreensível.”

O que aconteceu a este homem, portador de tão distinto currículo? O que fez com que ele considerasse esterco tudo aquilo que alcançou através da sua religião? Por outro lado, como afirmar a sua afirmação categórica? “Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho” (Filipenses 1.21). O que motivou Paulo a registrar tão profundas palavras? “Por isso, também Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu u  nome que é sobre todo o nome; para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda a língua confesse que Jesus Cristo é o  Senhor, para glória de Deus Pai”! (Filipenses 2.9-11).

Para responder estas e outras questões, precisamos voltar para a estrada de Damasco, por ali aconteceu um encontro já agendado pelo Senhor antes da fundação do mundo. Isto está registrado no Livro de Atos 9.1-5. Observemos, inicialmente, que o ódio de Saulo era contra os discípulos do Senhor Jesus, e não propriamente contra Jesus. Para este homem furioso, Jesus era apenas um defunto. Saulo estava perseguindo apenas um grupo fanático e, na sua mente, um grupo herético. Ele também não sabia que perseguir a Igreja é perseguir o próprio Cristo. No entanto, já bem próximo de Damasco, de maneira inesperada, uma luz vinda do céu brilhou fortemente ao seu redor, e em consequência disto, Saulo caiu por terra.

Segundo biblistas famosos, o verbo cair, utilizado por Lucas nesta passagem, tem um significado extremamente importante, pois equivale a: cair como morto, cair em pedaços ou ter um colapso. O quadro prossegue, e nos mostra que durante a queda uma voz ecoou dizendo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?” Saulo então, perguntou: “Quem és tu, Senhor?” É possível que a resposta dada pelo Senhor tenha trazido um profundo espanto no coração de Saulo:  “Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões”.

Devemos saber que Saulo de Tarso era um homem extremamente preparado e conhecia os Escritos da velha dispensação. O livro de Atos 22.3 confirma isso: “Quanto a mim, sou judeu, nascido em Tarso da Cilícia, e nesta cidade criado aos pés de Gamaliel, instruído conforme a verdade da lei de nossos pais, zeloso de Deus”.

A expressão EU SOU penetrou profundamente em seu ser. Saulo reconheceu perfeitamente aquela fala. Sabedor como era de toda lei, conhecia muito bem aquelas palavras. No livro de Êxodo 22.3a está registrado: “Eu sou o Senhor, teu Deus...”.  Como deve ter ficado o coração de Saulo diante de tão grande revelação? Saulo, completamente despedaçado, percebeu que estava frente a frente com o  Deus da Aliança, o Criador do universo.

Certa ocasião, Jesus falou a um grupo de judeus religiosos: “Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou”. (João 8.58). Verdadeiramente,  Saulo percebeu que não estava diante de um simples homem, ele estava diante do Deus Santo e Eterno. Neste encontro verificamos o fim de Saulo de Tarso. Este homem tremendamente religioso, mas possuidor de uma natureza caída, chegou ao fim de si mesmo, pois ninguém que tenha um encontrou com o Senhor consegue permanecer o mesmo! O grande e cruel perseguidor da Igreja, daquele momento em diante, seria um vaso escolhido por Deus para que anunciasse o seu Filho bendito por toda a parte: “E logo nas sinagogas pregava a Cristo, que este é o Filho de Deus” (Atos 9.20).

O Senhor Jesus Cristo veio a este mundo para libertar o homem de todo o jugo de escravidão. As maiores e mais danosas algemas encontram-se nos sistemas religiosos. O compromisso do Senhor Jesus é nos dar vida, e não nos dar um sistema para seguirmos. “E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará ... Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (João 8. 32 e 36).

A Igreja de Cristo não é um sistema de religião, mas uma reunião de santos. Pessoas que foram regeneradas pela graça de Deus, e que se reúnem por causa de Cristo, por meio de Cristo e para Cristo. A Igreja de Cristo é composta de pessoas que foram libertadas (arrancadas) pelo próprio Deus “do império das trevas” e por Ele transportadas “para o reino do Filho do seu amor” (Colossenses 1.13).

Qual tem sido a busca de nossa alma? Por regras, princípios, coisas espirituais? Será que não estamos muito agarrados nas obras da religião? Será que não estamos fazendo de Cristo apenas um coadjuvante em nossas reuniões? Creio que a maior necessidade da Igreja em nossa época é ganhar a visão de Cristo e ser dirigida por ela. Pois todas as coisas são Dele, por meio Dele e para Ele. Que Deus incline o nosso coração para uma única direção, o seu Filho Jesus Cristo! Que assim seja!



“...Os Inimigos da Cruz de Cristo”



Pr. José Barbosa de Sena Neto


     Censurado pelos estigmas da cruz, o apóstolo Paulo censura aqui, afirmando com lágrimas, que há muita gente adversária da cruz de Cristo. Os opositores da cruz de Cristo não são tipos exóticos, isto é, estrangeiros. É gente da própria igreja e não do mundo. É um grupo que tem a linguagem correta, mas um espírito de hostilidade.

     O apóstolo Paulo se refere a eles como “muitos”. São crentes na passarela e hereges nos bastidores. O apóstolo chora diante deste quadro triste. Em sua biografia, nós o vemos cantar louvores debaixo da bordoada, mas ele não suporta a dor causada pelos adversários da cruz de Cristo. Ele destaca alguns traços para nos ajudar a identificar os opositores da cruz de Cristo no seio da Igreja. Paulo nos indica: “O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas”. (Filipenses 3.19).

     Em primeiro lugar, “o destino deles é a perdição”. O intento dos inimigos da cruz de Cristo é a não salvação dos perdidos. Apesar de estarem na Igreja, eles não são salvos e, sendo assim, o seu encargo principal é impedir aqueles que seriam salvos, de serem salvos. Eles procuram ocultar a mensagem da cruz, para que os perdidos não sejam alcançados pela graça.

     Eles até pregam a mensagem, mas o espírito como anunciam não é de um crucificado: são invejosos e disputam um lugar no espaço como se precisasse de reconhecimento dos irmãos. Se Deus tivesse outro meio para salvação dos pecadores fora de Cristo crucificado e não tenha usado este método, então, temos que admitir que Deus seja mau, muito mau, porque submeteu o seu Filho a um sofrimento atroz, tendo ele outra escolha. Porém, se esta é a única opção, não há como não apresentá-la aos perdidos, já que esta é a alternativa sine qua non para a salvação dos pecadores.

     Como os inimigos da cruz de Cristo são o joio no meio do trigo ou os lobos com peles de cordeiros, eles não somente fingem que são salvos, como também atrapalham a salvação dos perdidos. Não pregam o evangelho em sua essência, pois o que os motiva é a condenação eterna dos incrédulos. Quem não evangeliza ou promove a evangelização dos perdidos, por meio de Cristo crucificado, é um inimigo figadal da cruz de Cristo.

     Em segundo lugar, “o deus deles é o ventre”. Os contendedores da cruz de Cristo vivem da veneração de suas entranhas. São pessoa devotas aos seus apetites, endeusando as suas ambições carnais. Eles não sabem discernir o Pão do céu do pão dormido. Não sabem distinguir o Maná de Deus do cardápio da religiosidade; a ceia do Senhor, dos brioches da revolução francesa; o Pão nosso de cada dia, que é Cristo, do sustento diário.

     A propina também faz parte deste culto idólatra do deus guloso. Desde Esaú, que vendeu a sua primogenitura por um prato de comida, até os esfomeados pós-modernistas, que negociam a ênfase da cruz por uma posição no pódio religioso, a tática é a mesma. É a profanação do sagrado e a secularização do santo.
O “deus...ventre” é ainda ventríloquo, pois a sua boca fala inspirando a marionete da hipocrisia religiosa. Ao sonegar a pregação da cruz de Cristo, o divo das feições falsificadas promove a conduta humanista como se fosse o verdadeiro estilo de vida cristã. Essa é a tática mais perigosa dos inimigos da cruz de Cristo: a proclamação do humanitarismo como se fosse o cristianismo em sua essência.

     Em terceiro lugar, “a glória deles está na sua infâmia”. Se há um fulgor que se realça no procedimento dos inimigos da cruz de Cristo é o investimento na desonra dos outros. Os oponentes do evangelho vivem saboreando o prato da vergonha alheia. Eles se estimulam com as fofocas e se nutrem das sujeiras que gostam de destacar.  Como abutres, apreciam a carniça e se deleitam naquilo que causa embaraço e infâmia em alguém. Uma vez que o evangelho se agrada em cobrir com amor as feridas da vergonha, os contrários às boas notícias se especializam em espalhar o seu mau cheiro por todo lugar. “O ódio excita contendas, mas o amor cobre todas as transgressões”. (Provérbios 10.12).

     Uma das peculiaridades do evangelho é garantir com amor a decência do humilhado. Não se tata de encobrir o pecado alheio, mas de assumi-lo como sendo seu, enquanto avoca para si a divida do devedor. Pedro vem nos ajudar: “Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados” (I Pedro 4.8). Não é encobrir o pecado, mas cobri-lo. Não se trata de ocultação de cadáver, mas de tomar a dívida do culpado, pagando-a como se fosse sua própria dívida. Foi assim que o Senhor Jesus fez conosco.

     Em quarto lugar, eles “só se preocupam com as coisas terrenas”. Se você quiser reconhecer um inimigo da cruz de Cristo na Igreja, veja a sua ênfase. A sua agenda enfoca apenas os assuntos relacionados com o aqui e o agora. Para eles o patrimônio econômico é mais importante do que os bens eternos. O dinheiro da ‘igreja’ vale mais do que a salvação de uma alma. O saldo da conta bancária na terra tem mais significado do que os depósitos em pessoas, enviados para o banco celestial. Os inimigos da cruz de Cristo, que andam  entre nós gente de bons antecedentes criminais, mas também, são os mentores da não pregação do evangelho de Cristo crucificado. Eles procuram impedir a proclamação da nossa morte e ressurreição com Cristo, e , quando não conseguem, adaptam a mensagem usando uma linguagem semelhante, enquanto boicotam os pregadores nos bastidores.

     Os piores inimigos da cruz de Cristo estão no seio da Igreja. O apóstolo Paulo disse que eles eram “muitos”, quando a população do mundo era pequena e os números da Igreja bem menores do que agora. Acredito que temos uma multidão incalculável dos inimigos da cruz de Cristo convivendo com os santos na Igreja contemporânea. Por isso mesmo, precisamos de cuidado e acuidade espiritual para podermos não entrar no seu jogo. Rogo, pois, pelas misericórdias do Senhor Deus, para que não percamos de vista a ênfase divina na pessoa de Cristo e na Sua obra graciosa realizada na cruz do calvário.

     Que assim seja. Amém!    

segunda-feira, 12 de março de 2012

MARIA – A SERVA DO SENHOR

UMA JUSTA HOMENAGEM AO DIA INTERNACIONAL DA MULHER


A Bendita Virgem, Maria de Nazaré, a mãe de Jesus é a mais famosa de todas as mulheres da Bíblia. Para nós, cristãos evangélicos tradicionais, ela é a mais famosa de todas as mulheres do mundo através da história.

Seu privilégio é único, singular, incomparável. Ela foi nada menos que o vaso escolhido pelo Senhor Deus para realizar o grande milagre da encarnação do Verbo eterno, que estava com Deus desde o princípio e era Deus (João 1.1.14). Além de não haver precedente, a encarnação do Filho Unigênito de Deus não se repete no transcurso das épocas ou na eternidade. “E o Verbo se fez carne”, de uma vez por todas e para sempre.

É certo que, no maravilhoso cenário da história redentora, a atenção se concentra na pessoa do Cristo de Deus. Maria, porém, tem ali também um lugar de proeminência. Não desejamos passar por cima de sua pessoa nem permitir que sejam somente outros que lhe rendam tributo de admiração e respeito, se aproveitando do seu maravilhoso exemplo de submissão, obediência e profunda piedade.

Poderíamos dizer, sem medo de errar, que Maria é patrimônio de todos nós que professamos ser cristãos. Se existe uma espécie de monopólio mariano é porque temos permitido isso por razões teológicas e, quem sabe, pelo temor de cair nos excessos que outros têm caído por sua devoção a Maria, a serva do Senhor. Como resultado do que podemos chamar e “apatia mariana”, muitos pensam que não gostamos de Maria ou, no pior dos casos, que somos inimigos. Nada está mais longe da verdade, mas esta é a atitude que não poucos creram ter percebido ou que alguns, maldosamente, nos têm atribuído. Temos que corrigir essas impressões falsas e responder a toda acusação falsa no testemunho cristológico e mariano das Sagradas Escrituras, tendo uma atitude respeitosa para com a mãe de Jesus, o nosso Divino Salvador.

A mais linda história que já foi contada e, sem dúvida alguma, a do nascimento de Jesus e dos fatos que envolveram Maria, a mãe do Salvador. Maria foi uma mulher pura, santa, piedosa, virtuosa e humilde, até o sacrifício. Ela conhecia bem as Sagradas Escrituras do Velho Testamento, daí a sua fé e a beleza do seu caráter de esposa e mãe.

Isto posto, voltemo-nos para uma passagem do Evangelho de São Lucas (1.26-56) para nos encontrarmos de novo com a bendita Virgem, a autêntica Maria de Nazaré, a “serva do Senhor”, revelada pelo Espírito Santo através de seu servo, o médico, historiador e evangelista Lucas. É nossa intenção, dizer algo sobre seus privilégios, as palavras que recebe e as que ela pronunciou. Se ela, como discípula, imitou a Cristo, seu Filho especial, seu próprio Criador e Deus sobre si mesma, nós, como discípulos de Jesus, devemos fazer o mesmo. Mas, para tal, torna-se imprescindível enxergar honestamente o que a Bíblia Sagrada afirma a seu respeito sobre os seus privilégios, as palavras que foram dirigidas a ela, e o que ela afirma de si mesma.

Em primeiro lugar, os privilégios de Maria. O fato de que Maria era da Casa de Davi, é um ensino da tradição cristã. Contudo, a linhagem de Maria tem sido objeto de discordância entre alguns exegetas do Novo Testamento.

O historiador Lucas não afirma no capítulo 1 de seu evangelho que Maria era de descendência davídica. Diz, no entanto, que José era “da casa de Davi” (1.27). Não falta quem prefira ler “a uma virgem da casa de Davi”, deixando entre parênteses o fato de que estava “desposada com certo homem cujo nome era José”. No versículo 36, o anjo diz que Isabel (“das filhas de Arão” 1.5) era parenta de Maria, o que poderia significar que a mãe de Jesus era de família sacerdotal. A filha de um sacerdote poderia ter um grande número de parentes que não tinham qualquer ascendência sacerdotal. Frequentemente tem sido afirmado nos círculos cristãos que é possível que Maria viesse da mesma linhagem de José, se a genealogia do Evangelho de Lucas (cap. 3) é da mãe do Messias. Lucas destaca que José era “da casa de Davi” (1.27), porque legalmente o filho recebia de seu pai os direitos de dinastia. Jesus era legalmente (de jure) filho de José e filho de Davi, tendo, portanto, direito ao trono messiânico.

A descendência davídica de Jesus de Nazaré se encontra bem atestada no novo Testamento. O anjo Gabriel diz a Maria “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono de Davi, seu pai” (Lucas 1.32). Paulo declara: “... com respeito a seu Filho, o qual, segundo a carne, veio da descendência de Davi” (Romanos 1.3).

Está claro que Maria pertencia ao remanescente fiel da nação israelita, ou seja, o grupo de descendentes de Abraão que anelava a vinda do Messias anunciado pelos profetas do Antigo Testamento. O nome dos pais de Maria não aparece nas Sagradas Escrituras judaico-cristãs. É a literatura apócrifa que se encarrega de fornecer os nomes que a Igreja Católica Romana tem incorporada ao seu santoral: Joaquim e Ana. Supõe-se que Maria nasceu e se criou num lar piedoso. Ali teria ouvido pela primeira vez as grandes promessas do Senhor Deus ao Seu povo Israel. Não sabemos se Maria alguma vez pensou na possibilidade de que seria a escolhida do Senhor Deus para a encarnação do Filho Ungido de Deus. Ela aparece bastante surpresa quando ouve o anúncio do anjo Gabriel. Não havia honra maior para uma mulher israelita do que chegar a ser a mãe do Messias. O que o anjo Gabriel e Israel dizem a Maria ressalta a grandeza deste privilégio.

Em segundo lugar, as palavras dirigidas a Maria. Vejamos em primeiro lugar as palavras do anjo Gabriel: “Salve, muito favorecida” (1.28). A palavra traduzida por “salve!” é uma expressão de saudação. O grego (chaire) pode ser neste caso um equivalente do hebraico shalom lak: “a paz seja contigo”, que também é uma saudação. Não obstante, parece que a saudação angelical a Maria (chaire) tem o significado de “regozijo” ou “alegria”. É a alusão à alegria messiânica que se inicia. É como se o anjo dissesse a Maria: “Regozija-te pelo favor que te foi conferido”. Talvez uma tradução mais literal fosse: “Te saúdo, muito favorecida”.

A expressão “muito favorecida” é usada para traduzir um particípio grego que se encontra no perfeito e na voz passiva (kecharitômeun). O particípio indica que o Senhor já escolheu a Maria para que seja a mãe do Messias. Como o verbo está no particípio, se expressa assim que Maria havia sido eleita há muito tempo. Está claro que Maria é objeto da graça divina! Ela recebe, à parte de todo mérito humano, o favor do Senhor. Isto posto, verificamos que não há mérito na pessoa de Maria para sua salvação nem para a salvação de outros.

A tradução gratia plena (“cheia de graça”) na Vulgata Latina lamentavelmente não é fiel ao texto original, porém tem sido conservado nas versões católicas, como por exemplo, na edição da editora AVE-MARIA, a Bíblia dos Monges de Maredsous, religiosos beneditinos da Bélgica, muito usada hoje por alguns católicos romanos, mormente pelos católicos carismáticos. Da tradução oferecida da Vulgata surge a ideia de que Maria está cheia de graça para a bênção dos pecadores. Ela é a fonte mais do que o objeto da graça. Ledo engano. A tradução “gratia plena”, na Vulgata, é correta se significa ‘cheia de graça que tens recebido’. O texto grego indica simplesmente que Maria é objeto do favor de Deus. Tampouco é necessário encontrar a ideia de plenitude no verbo original.

“O Senhor é contigo” (Lucas 1.28). Num texto como este, a expressão “o Senhor é contigo” contém muito mais do que uma saudação ao estilo vetero-testamentário (Rute 2.13). Pode indicar um favor especial ou uma promessa que vem do Senhor para o cumprimento de uma tarefa que Ele tem confirmado. Trata-se mais de uma afirmação do que um desejo. Ela prepara a pessoa que a ouve para servir Deus de uma determinada forma, com a certeza de que Ele a ajudará.

É impossível deixarmos de lado que um dos nomes do Messias é Emanuel: “Deus conosco” (Mateus 1.23; Isaías 7.14). Geralmente dizemos que a graça de Deus é um favor que recebemos Dele, sem o merecermos. Outros sublinham que a graça significa também que Deus tem Se colocado ao nosso lado, que Ele está ao nosso favor em Cristo. Ele não está contra nós, mas conosco, por nós.

Para assumir a maternidade messiânica e manter-se em sujeição à vontade divina, mesmo diante das críticas que viriam por causa da gravidez, repudiável aos olhos da sociedade israelita, Maria necessitava mais do que nunca a presença e o poder do Senhor.

“Mas o anjo lhe disse: Maria, não temos; porque achaste graça diante de Deus”! (Lucas 1.3). Usa-se frequentemente o “não temas”, em ambos os testamentos, para tranquilizar a pessoa que está conturbada por uma revelação especial (Lucas 1.3; 2.10, Atos 18.9). A expressão ”achaste graça” tem uma tônica vetero-testamentaria. Maria não disse, como no caso de outros personagens bíblicos, “sim, achei graça aos teus olhos”. A ênfase recai sobre a iniciativa de Deus, na Sua livre escolha, para a manifestação do Seu favor imerecido. A ênfase não está no ato pelo qual o ser humano recebe a graça de Deus. A ênfase não está no ato pelo qual o ser humano recebe a graça de Deus. Tudo é de graça, à parte de qualquer mérito humano.

“Bendita és tua entre as mulheres” (Lucas 1.42) O particípio grego que se traduz “bendita” está na voz passiva e significa que Maria é a receptadora do favor de Deus. Ela é a favorecida do Senhor como instrumento para a encarnação do Logos eterno. O mesmo verbo é aplicado aos crentes, em Efésios 1.3. Paulo diz que o Senhor “nos tem abençoado com toda sorte de bênção espiritual nas regiões celestiais em Cristo”. Em Lucas 1.42, o particípio tem um sentido superlativo: “Tu és a mais bendita entre todas as mulheres”. Esta bênção especial se deve ao filho de Maria! Também sobre Ele Isabel diz que é “bendito”. Nenhuma outra mulher teve ou terá o enorme privilégio de levar ao seu seio o Messias, o Rei dos reis e Senhor dos senhores! Maria é, portanto, a mais famosa de todas as mães na história da humanidade!

Isabel também a chama de “bem-aventurada” (v.45), isto é, “ditosa” ou “mais do que ditosa”. Era de se esperar que uma mulher israelita se sentisse muito feliz por seu estado de gravidez. A mãe do Messias tinha razão ainda maior para se regozijar! Maria era “bem-aventurada” porque creu no cumprimento das promessas do Senhor Deus. Era uma mulher de fé! Esta é uma de suas grandes virtudes! O objeto de sua fé era a palavra do Senhor. Cria em Deus e na Sua palavra! Por isso, Maria se levanta, diante de nossos olhos cheios de admiração, como um exemplo de fé, digno de ser imitado!

Em resumo, o anjo Gabriel e Isabel dizem que Maria era objeto da graça de Deus, que seu privilégio maternal era singular por várias razões e que Maria era imensamente ditosa por haver crido no Senhor. Isto e nada mais é dito a Maria nesta passagem tocantes aos privilégios de sua maternidade messiânica. Em nenhuma porção das Sagradas Escrituras há referência direta ou indireta aos supostos privilégios que a Igreja Católica Romana tem atribuído à mãe de Jesus, tais como sua concepção imaculada, sua virgindade perpétua, sua ascensão aos céus em corpo e alma e sua obra de mediação redentora. Ressaltar isso é sacrilégio, é heresia.

Em terceiro lugar, as palavras de Maria ao anjo. A Bíblia diz pouca coisa em relação à Maria, e esta diz pouca coisa na Bíblia. Na passagem que estamos considerando (Lucas 1.26-56), temos as palavras de Maria ao anjo e o cântico chamado Magnificat.

Maria pede uma explicação: “Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?” (v. 34) Não é crédula. Sua fé na palavra de Deus não é irracional. Sua humildade não está em discordância com o desejo de conhecer mais dos propósitos e métodos do Senhor. A resposta do anjo é categórica e satisfatória para a virgem de Nazaré.

Maria responde com submissão: “Aqui está a serva do Senhor, que se cumpra em mim conforme a tua palavra”. (v.38) Ela dá a si mesma o título de “serva do Senhor”. Maria está muito distante de arrogar a si honras que não lhe pertencem. Indubitavelmente ela se sentiria incomodada e até indignada se escutasse os títulos e privilégios que a mariologia católica romana e popular lhe atribui. Entre muitas outras coisas, famigerado Alfonso Maria de Ligório (século XVIII) diz que Maria é “Senhora”, “Rainha do céu”, “Rainha dos anjos”, ”estrela do mar”, “precursora do sol de justiça”, “dispensadora da graça”, “nossa única esperança” , “escada dos pecadores”, “ não se chega a Deus senão por intermédio, e não se chaga a Jesus Cristo a não ser por Maria”, “se Maria não interceder por nós não alcançaremos a salvação”, é “mãe onipotente pela onipotência do Filho... no sentido de que suas petições alcançam tudo que pedem”. E pasmem todos, por causa desses disparates todos e palavras sacrílegas, sem nem um sustentáculo da palavra de Deus, ainda assim foi considerado ‘santo’ e incluído no santoral da Igreja Católica Romana. É inacreditável, mas é verdade! Tudo isso está escrito do livro “Glórias de Maria” que se encontra em qualquer boa livraria católica, podendo ser consultado. De acordo com a “palavra da verdade do evangelho”, isto não passa de expressões de blasfêmias terríveis e inaceitáveis à Mãe de Jesus, pois não tem nenhum sustentáculo, repito, nas Sagradas Escrituras.

Depois de se apresentar como “serva do Senhor”, Maria declara: “...que se cumpra em mim conforme a tua palavra”. (v.38). Diz a versão latina: “fiat (faça-se) mihi secundum verbum tuum”! Este é o famoso “fiat” que a teologia católico-romana magnifica para dar a Maria parte na obra redentora. O “fiat” de Maria, portanto, não se refere somente ao fato de ser mãe, mas de ser mãe de Jesus Cristo, com consciência plena do ministério de seu Filho. Isto não significa que Maria tenha entendido tudo plenamente, mas que compreendeu que o dito mistério se realizava nela.

Uma aplicação prática destas cogitações enganosas é que a nossa salvação depende do consentimento de Maria naquele momento decisivo na história da salvação. Que sua maternidade é soteriológica. A Bíblia nada diz acerca dos privilégios soteriológicos atribuídos à mãe de Jesus no Catolicismo Romano. Tudo se reduz a uma dedução de sua relação maternal com o Messias. Por outro lado apreciamos grandemente a parte importantíssima que ela teve como instrumento do poder divino na encarnação do verbo de Deus.

Por último, o cântico de Maria, chamado Magnificat, devido à sua primeira palavra na versão latina (magnificat anima mea Dominum), não é dirigido a Isabel, embora surja como reação à sua saudação. Também não se trata propriamente de uma prece a Deus. O cântico fala de Deus usando a terceira pessoa. Maria não faz pedidos ao Senhor. O cântico é um testemunho de fé em Deus e de louvor a Ele por Seus poderosos feitos a favor de Maria e do povo de Israel. Certamente o cântico é mais judaico do que cristão e mais nacionalista do que universal. Todavia, também é profético e o seu cumprimento messiânico se projeta a todo o mundo.

O Magnificat nos faz lembrar de imediato o cântico de Ana (I Samuel 2), e Maria faz uso de várias expressões veterotestamentárias. A natureza antológica deste hino de adoração tem uma unidade e beleza. Suas palavras parecem refletir a profunda piedade de uma alma que tem se saciado nas fontes messiânicas do Antigo Testamento. O cântico tem duas partes principais. Na primeira, Maria exalta ao Senhor e se regozija nEle (vv. 46,47); na segunda parte, explica os motivos de sua adoração (vv. 48-55).

Vejamos a natureza da adoração (vv.46,47). A partir do mais profundo do seu interior e com todo o seu ser, Maria glorifica ao Senhor: “A minha alma engrandece ao Senhor”. Como num êxtase e impulsionada pelo Espírito Santo, Maria, com alegria, irrompe em adoração a Deus. É um testemunho de fé: “e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”. Da mesma forma que todos os seres humanos, Maria necessita de salvação que Deus provê por sua graça numa resposta de fé! Não há o que negar sobre isso, está bem claro!

Vejamos os motivos da adoração (vv.48-55). Em primeiro lugar, Maria magnifica o Senhor pelos grandes favores que tem recebido dEle. “Porque contemplou na humildade de tua serva”. Mais uma vez, ela se declara “serva do Senhor”. Sua humildade é evidente! No entanto, a palavra que é traduzida por “humildade” não parece se referir à virtude da humildade, mas a sua situação de desvantagem na sociedade. Maria era de família pobre, que morava num povoado menosprezado pelos israelitas de outros lugares da palestina (“de Nazaré pode sair algo de bom?”); era uma jovem desconhecida e lhe faltava tudo aquilo que poderia lhe dar fama ou renome no mundo. Esta situação ressalta a graça de Deus. A mãe do Messias não foi escolhida entre as altas camadas sociais de Jerusalém. Maria não era uma princesa, mas uma escrava, isto é, uma serva. Definitivamente o Messias viria como “justo e salvador, humilde” (Zacarias 9.9) para identificar-se especialmente com os pobres e oferecer a sua vida por todos, ticos e pobres igualmente.

Com Sua graça divina, Deus olhou para Maria, a humilde jovem do vilarejo menosprezado da Galileia e por isso ela seria uma das personagens mais famosas da história mundial! A sua fidelidade seria celebrada por “todas as nações”.

Continuando, Maria louva o Senhor porque o Poderoso tem feito “grandes coisas”, e uma delas era nada menos do que o milagre da encarnação do Filho de Deus! Somente Ele poderia efetuar este portento!

Maria pensa também nos outros, não somente em si mesma. O Deus poderoso e santo tem mostrado a Sua misericórdia “de geração em geração” para todos os que O temem, isto é, aos que Lhe mostram temor reverente. Mas Ele também é Deus justo que estende o Seu braço para juízo, dispersando os soberbos e derrubando dos tronos os poderosos. Exalta os humildes e humilha os soberbos. Enche de bens os pobres e despoja os ricos de seus tesouros. Existe no Magnificat uma forte ênfase política e social impossível de ocultar.

Os verbos estão no passado, mas têm um sentido profético. Projetam-se a um futuro messiânico. É inegável que, com a encarnação do Verbo, irrompe uma nova era na história da humanidade. Foi inaugurado o reino presente do Messias no mundo (Mateus 13; Colossenses 1.13...), e está por vir o Seu reino terreno, político, anunciado pelos profetas do Antigo Testamento e pelo próprio Messias na sua primeira vinda (Mateus 19.28; Lucas 22.18).

Nos versículos 54 e 55, Maria se volta para a nação de Israel que é de forma especial o objeto da misericórdia de Deus. O milagre da encarnação de acha dentro do cumprimento das promessas do Senhor ao Seu servo Israel. De uma maneira antropomórfica é dito que Ele Se lembrou de Sua misericórdia. Em contextos como o de Lucas 1.46-55, a palavra “misericórdia” pode corresponder ao hesed (fidelidade, lealdade, misericórdia) do Antigo Testamento, em relação aos pactos que Deus fez com o Seu povo. Quando se estabelecia um pacto entre um senhor e seu subordinado, e este último quebrava o pacto, o senhor podia mostrar não somente fidelidade à sua promessa, como também misericórdia para com o transgressor. Daí vem o significado de misericórdia que hesed veio a ter. Podia também se referir á atitude compassiva do senhor diante do servo que se encontrava em aflição. Neste caso o pacto gerava misericórdia.

Numa perspectiva horizontal da história poderia parecer que Deus havia Se esquecido de Suas promessas. Porém, não foi o que aconteceu! Deus Se lembra de Sua misericórdia, sobre a qual havia falado aos pais, especialmente a partir do pacto com Abraão e sua descendência para sempre.

O Magnificat é um cântico essencialmente teísta. Seu tema central é a majestosa pessoa do Senhor, na magnificência dos Seus atributos, na realização de Sua obra redentora, na execução do Seu juízo implacável, no fiel cumprimento de Suas promessas messiânicas. Ele é poderoso e santo, misericordioso e justo, senhor e salvador!

Maria, a serva, assume a posição de uma escrava que humilde e alegremente exalta o seu Senhor. O Magnificat não engrandece a Maria, mas ao Senhor! Esta é a ênfase do cântico, de todo o relato de Lucas e de todo o Texto Sagrado, desde Gênesis até o Apocalipse. Por outro lado, dá-se à mãe de Jesus o lugar que lhe corresponde e a honra que ela merece na história da salvação.

Não há dúvida de que Maria, a “serva do Senhor”, estaria mais do que satisfeita com o retrato que os escritores bíblicos fazem dela. Num comentário sobre este retrato, ela exclamaria de novo: “A minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus, meu Salvador”.

Chegamos à conclusão que não é possível passar por cima do grande contraste que existe entre a doutrina e a veneração de Maria do Catolicismo Romano e a mariologia bíblica. É verdade que o relato que estudamos em termos gerais, afirma que, por sua maternidade messiânica, Maria é "bendita entre as mulheres”. Observem que Isabel, conforme o relato bíblico, não chamou Maria de “bendita acima de todas as mulheres” Porque “bendito” que está acima de todos os homens só existe apenas um, “o fruto do ventre de Maria”, ou seja, Jesus Cristo, Homem! Louvado seja o Nome do Senhor!

Da mesma forma, todas as gerações a chamariam “bem-aventuradas”, porque creu no que lhe foi revelado e pelas “grandes coisas” que lhe fez o poderoso. Impulsionada pelo Espírito Santo, Maria se eleva aos topos proféticos e exalta o seu Senhor e Salvador. Maria não é nada menos do que o vaso escolhido para o milagre da encarnação do Verbo de Deus! Todavia, não pensa de si mesma mais do que deve pensar. Não esquece sua origem humilde nem sua baixa condição social. Não se considerara “senhora”, mas “SERVA DO SENHOR”, e mesmo sendo a mãe do Rei (Lucas 1.31-33) não deixa de se considerar serva! Que maravilha! Ela se identifica mais do que nunca com o seu povo Israel!

Maria é crente e devota, humilde e obediente, submissa à vontade divina, mãe e esposa exemplar. Ensina-nos, em palavra e ação, o que significa se fiel a Deus, custe o que custar. Não procura atrair a atenção para a sua pessoa! Dirige a atenção para Deus a que magnifica pelo que Ele é e pelo que Ele tem feito e pelo que fará a favor dos que o temem!

Esta é a Maria, a serva do Senhor, das Sagradas Escrituras! Conheçamo-la de perto! Maria merece o nosso profundo respeito e a nossa sincera admiração! Seu exemplo de fé, obediência e devoção é digno de ser imitado, especialmente no que diz respeito à fé que, para sua salvação, ela depositou somente no Senhor! É desta Maria, a “serva do Senhor”, que as Escrituras Sagradas nos falam, bem diferente da Maria tornada deusa, das “nossas senhoras” do Catolicismo Romano.

Noutra oportunidade, traremos aqui comentários e apresentações, da “Maria do Catolicismo Romano” para que possamos fazer comparações dessa “deusa” estranha vinda do paganismo e cristianizada pelo Catolicismo Romano, nada tem a ver com a Maria de Nazaré, a “serva do Senhor”, apresentada e realçada pelas Sagradas Escrituras. Aguardem!