segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

A IGREJA DE ROMA CONTINUA SEMPRE A MESMA: DESPREZANDO SEUS MINISTROS...

Pr. José Barbosa de Sena Neto




No ano passado no último dia 31 de dezembro meu telefone não tocou de manhã bem cedo! Senti a falta da ligação telefônica de um amigo muito querido, o qual desde quando nos conhecemos, jamais havia deixado de telefonar para a minha casa, às 6hs da manhã, naquela data, para cumprimentar-me pela passagem de meu aniversário natalício! Naquele último dia do ano, meu coração ficou apertado! Uma tristeza imensa caiu sobre mim, pois o meu amigo querido, de longas datas, não me telefonou naquele dia! Outros também não me telefonaram! Aliás, nunca recebi uma ligação telefônica de outras pessoas, fora do meu circulo familiar, no dia de meu aniversário... Só meus familiares assim o faz, com muito carinho!

A Bíblia diz que “o homem que tem muitos amigos pode vir à ruína...” (Pv 18.24 a). Sou de poucos amigos. Na solidão e no isolamento provocado por meus pares, prefiro ficar recolhido à minha insignificância, trabalhando na Obra que o Senhor Deus me confiou, no sertão do meu estado, na cidade do Crato, distante de Fortaleza, cerca de 538 km, na região do Cariri, vizinha a conhecida cidade de Juazeiro do Norte, a do “padim padi ciço”, na mais total dependência dEle, ao lado dos meus queridos familiares. A Bíblia também diz que “há um amigo mais chegado do que um irmão” (Pv 18.24b). É deste amigo querido que não me telefonou desde o ano passado no dia do meu aniversário, como habitualmente assim o fazia, que dele quero falar, com muito carinho e recordação!...

Pedro Paulo Cavalcanti de Menezes nasceu em Fortaleza, no dia 07 de novembro de 1945, o segundo filho de Romeu de Castro Menezes e de D. Maria Cavalcanti de Menezes, carinhosamente chamada de Dª Jandira. Ainda criança mostrou talento pela música, popular e sacra, tocando tamborim no conjunto do pai, católico fervoroso.

Naquele período de sua infância, surgiu o desejo de ser padre. Foi um alvoroço dentro de casa, mormente para o Sr Romeu, pois perderia o componente de seu conjunto. Mas, com o passar do tempo, aceitou de bom grado a decisão do filho músico. Aos 11 anos de idade, em 1956, Pedrinho fez um passeio no Seminário dos Padres Sacramentinos, oportunidade que lhe despertou mais ainda o seu interesse pelo seminário, cujo objetivo era o de vir a ser um padre.

No ano seguinte, Pedrinho passou uns dezesseis dias com aqueles padres, em retiro. Naquele tempo seus pais residiam em Sobral, zona Norte do Ceará, tendo como vizinho um clube social. O diretor do Seminário dos Padres Sacramentinos, em seu arrogo de ignorância, dizia que não podia entrar na casa do pai do garoto Pedro Paulo, e nem poderia deixá-lo entrar na Ordem para cursar no seminário, porque havia ao lado de sua casa um clube mundano. O diretor tornou-se cada vez mais inflexível, e dizia a boca pequena, que aquela residência não era digna por causa do clube junto àquela residência, culminando, em razão da desavença, a não entrada do Pedrinho, naquele seminário. Começou aí a sua primeira rejeição pelos líderes da “santa madre”...

Mas Pedrinho não se deixou abater, em fevereiro de 1958 entra para o Seminário dos Padres Lazaristas, lá ficando até dezembro de 1964, pois não quis fazer o noviciado, e no ano seguinte entrou para o Seminário Arquidiocesano de Fortaleza, mais conhecido como “Seminário da Prainha”. Mas aquela instituição fechou suas portas em 1966. Pedrinho naquele tempo já residia na cidade de Caucaia, região metropolitana de Fortaleza. Em razão desses impasses, Pedrinho foi para o Seminário Seráfico de Messajana, dos Frades Menores Capuchinhos, como seminarista externo, sem pertencer àquela Ordem. Eu, já frade capuchinho, morando naquela Casa, foi lá que o conheci e fizemos uma grande amizade!

Durante dois anos, fez o curso de teologia naquele seminário. Em 1969, também como aluno externo, participou do curso de teologia no ITEP – Instituto Teológico-Pastoral, sucessor do “Seminário da Prainha”, para formação dos atuais presbíteros (padres), mas também aberto a religiosos, religiosas e leigos. Terminado o seu curso em 1974, Pedro Paulo estagiou na Catedral de Quixadá, cujo então pároco era o Pe. José Dourado, de quem se tornou muito amigo, sendo este feito seu tutor. Fez também estágio em São Luis do Curu-CE.

Ordenei-me padre primeiro que ele, no dia 11 de dezembro de 1971. Pedrinho demorou muito tempo para ser ordenado, pois pelo fato de gostar de musica, seus superiores achavam que ele não tinha vocação. Aquele meu amigo foi convidado a residir em Quixadá, pelo bispo seu ordenante e, em 28 de setembro de 1975, foi ordenado por Dom Joaquim Rufino do Rêgo, seu amigo, primeiro bispo da nova diocese de Quixadá, ficando ali servindo como vigário-auxiliar daquela diocese. Até que no início de 1978, foi nomeado pároco da paróquia da cidade de Madalena-CE, ali ficando até o dia 07 de fevereiro de 1993. Em todas estas datas, me fiz presente, para alegrar o coração do meu amigo!

Quando Dom Rufino Rêgo foi transferido para a diocese de Parnaíba-PI, e tomou posse Dom Adélio José Tomasin, no dia 26 de março de 1988, e a partir daí, começou o seu ‘martírio’, a falta de amor e a falta de reconhecimento por parte do seu novo bispo, em relação ao seu trabalho realizado. Pedrinho sempre foi muito dinâmico, quer na área religiosa, quer na área da educação, vindo a lecionar nos principais colégios daquela cidade, nascendo daí um contato permanente com os adolescentes, desenvolvendo um trabalho que envolveria grande parcela de crianças, adolescentes e jovens, surgindo grupos que atuavam junto às comunidades carentes da periferia. Isto incomodou ao bispo, pois Pedrinho era simpatizante da assim-chamada “Teologia da Libertação”.

Na cidade de Madalena-CE, trabalhou tanto na parte espiritual quanto na social. Foi a principal personalidade na emancipação daquele município. Tornou-se um grande baluarte na educação dos jovens madalenenses, tendo conseguido trazer o ensino médio com o 2º grau pedagógico, para aquele pequeno município, através do Colégio Luzardo Viana, de Caucaia-CE, integrante da CNEC, onde foi diretor por muitos anos.

Em 1989, conjuntamente com seu irmão, também padre e meu amigo, Pe. Francisco Antônio Cavalcanti de Menezes, (o Pe. Tela de quem eu tanto falo em meu testemunho), iniciaram uma carreira artística, com o lançamento do primeiro disco, dos vários que ambos gravaram, sempre trazendo músicas alusivas à fé católica, claro!

Padre Pedro Paulo, o Pedrinho, sofria desde criança de escoliose, com importante curvatura em sua coluna, e isso lhe trouxe uma série de complicações, até mesmo complicações sérias no coração, tendo que usar aparelhos especiais. Como a saúde não mais lhe permitia exercer seu sacerdócio com toda a garra, dado os seus esforços físicos necessários a seus atendimentos comunitários, seu médico lhe aconselhou diminuir o ritmo de seu trabalho.

Seu bispo diocesano, membro da assim-chamada “Ordem dos Pobres Servos da Divina Providência” que de “pobres” nada tem, com sede na Itália, não gostou e não quis compreender o estado de saúde do Pedrinho, e o retira, abruptamente, de suas funções paróquias, mesmo contra a vontade do povo daquela cidade. Seus paroquianos e uma expressiva parte da população da cidade de Madalena fazem uma campanha em favor da permanência do Pedrinho naquela cidade e paróquia, fretam vários ônibus e vêm até Quixadá, para interceder pela não saída de seu pároco. Mas, o bispo, imaleável e altamente insensível, não atendeu ouvidos aos rogos populares! E retirou Pedro Paulo de suas funções de pároco! Apenas, depois de muitos rogos das autoridades municipais, permitiu que Pedrinho ficasse residindo em outra casinha da paróquia. Pedrinho continuou, durante algum tempo, como diretor da CNEC de Madalena e nunca falou às festividades religiosas daquela paróquia. Ele era muito querido daquela população!
Quando comecei meu processo de leitura das Sagradas Escrituras, com minhas próprias lentes, investigando o verdadeiro Cristianismo bíblico, fui visitá-lo em Madalena. Ali conversamos, abri-lhe meu coração e disse que não mais poderia continuar exercendo o sacerdócio. Ele me abraçou, demoradamente, e disse que eu tomasse a decisão que eu mais achasse conveniente e que eu teria o seu apoio irrestrito e total. Fiquei surpreso com aquela atitude do meu grande amigo! Choramos juntos, abraçados!

Pedrinho, não demorou muito residindo naquela casinha em Madalena. Foi despejado de forma desumana pelo seu bispo. Um caminhão parou em frente a casa onde residia e sua mudança foi feita, à sua revelia. E povão veio olhar, demonstrando visível revolta. Pedrinho pediu a população que veio em seu favor, muita calma, tranqüilidade e resignação. O povo acatou as palavras daquele amigo que iria embora, contra a vontade popular. E ele veio morar na casa de seus pais, em Caucaia-CE, região da Grande Fortaleza, onde já ali morava seu irmão e também padre, o Padre Tula, além de outros familiares.

Quando deixei definitivamente das fileiras do Romanismo, ele foi o único padre que ficou do meu lado! Ele me visitou em minha casa inúmeras vezes, mesmo contra as normas canônica: um padre em exercício sacerdotal, não pode visitar um ‘padre’ tido como renegado! Mas o meu amigo não queria saber disso, vinha visitar-me, almoçar e conversar comigo!

Naquelas oportunidades falei-lhe do plano redentor, do grande amor de Deus em Cristo Jesus! Em uma das vezes ele chorou demoradamente abraçado comigo e com sua cabeça reclinada em meu ombro, o qual ficou muitas vezes umedecido pelas suas lágrimas, disse: - “Barbosa, você está certo, meu amigo e irmão camarada! Ore por mim! Eu não tenho mais chance, não tenho mais como começar minha vida toda de novo! Você sabe disso! Que Deus tenha piedade de mim!”. Concluía em lágrimas, o meu amigo Padre Pedrinho! Nada mais eu poderia fazer...
No dia 14 de abril de 2007, ao anoitecer, Pedrinho ao dirigir-se no carro de seu irmão, um fusquinha já muito velhinho, para ajudá-lo na Paróquia de Capuan, distrito de Caucaia, foi violentamente abalroado, pela imperícia de um jovem motorista irresponsável, completamente embriagado, que atravessou a pista no contra fluxo, fraturando-lhe o esterno, osso ímpar na parte superior do tórax e lesionou o seu pulmão.

No dia 17 eu o visitei no hospital no qual estava internado e vi meu amigo pela última vez! Li para ele a Palavra de Deus, e mais uma vez lhe fiz um convite todo especial e comovente, para que ele entregasse sua vida a Jesus, e O confessasse como seu Salvador pessoal e Senhor absoluta de sua vida! Nunca havia visto o Pedrinho chorar tanto ao longo da nossa amizade! Seus olhos se manifestaram em lágrimas e soluçou, e em silêncio ele maneou a cabeça, em sinal afirmativo! Eu lhe disse: - “fale, Pedrinho, abra a sua boca e fale, confesse Jesus como seu único e suficiente Salvador e Senhor absoluto de sua”. Li para ele Romanos 10.9 e ele, com voz fraquinha, disse: - “Eu o aceito”! Eu orei e ele foi repetindo, devagarzinho, a minha oração em seu favor! Com muita dificuldade, dada a emoção vivida naquele momento, ainda consegui orar por ele! Ao sair daquele hospital, entreguei os resultados nas mãos do Senhor Deus, Todo-Poderoso! É Ele “quem efetua em vós (nós) tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fp. 2.13). É Ele quem sabe de todas as coisas! Ele é soberano!

No dia 18 de abril, quarta-feira, perto do meio dia, o telefone da minha casa tocou! Era o Pe. Tula, seu irmão: - “Pastor Barbosa, o Pedrinho acaba de falecer”. E choramos ao telefone! Meu coração sentiu uma dor doída mais que forte! Meu peito ficou apertado! Minha voz não saia! E eu chorei cada vez mais, abundantemente!

Nenhum padre da sua diocese de Quixadá, região do Sertão Central do Ceará, compareceu ao seu humilde velório e sepultamento! Nem tampouco o seu então bispo, o qual nem mesmo se deu ao trabalho de fazer uma ligação telefônica para consolar a família! Mas ele fora avisado! A diocese não colaborou em nada com os gastos dos funerais, pois a família do padre extinto é muito pobre. E padre ‘desempregado’ vive na mais perfeita pobreza franciscana, não tem mais INSS, nem plano de saúde, nem plano funerário! Nada! E o Pedrinho não conseguiu se aposentar... A família teve dificuldades com os gastos do sepultamento e seus amigos mais íntimos, colaboraram neste momento de dor. Faltaram os ‘cuidados’ da “santa madre” para com o seu ministro doente, já envelhecido, vítima de acidente! Faltou amor da “santa madre”! Esta é a ‘igreja’ que auto se considera a “única e verdadeira”! Por esta razão, mais uma vez, no dia 31 de dezembro, dia do meu aniversário, o meu telefone não tocará mais uma vez, às 6 horas da manhã, como todos os anos anteriores assim ele fazia!... Ficou apenas a saudade profunda do meu coração!...

Um comentário:

daniel disse...

Infelizmente é assim Pr enquanto produzimos somos valorizado, e não se iluda, essa regra é em qualquer intituição, inclusive na que o senhor hoje estar: talve o senhor já tenha enfrentado dificuldades no seu dia a dia, daí eu lhe pergunto quantos colegas lhe procuram para ajudá-lo, quantos no seu aniversário liga para o Senhor, talvez no inicio por ter deixado a Igreja de Roma, não pelo senhor, mais pelo acontecido, eles lhe acolheram , pois é bom para a Instiuição< porém tenho ceeteza que o senhor esperava mais.. Não é questão de Roma conheço muito Bispo que acolhe os seus Pades infermos e idosos e ajudam, bem como Igrejas evangelicas que acolhem seu pastores doentes.Que Deus o abençoe junto com os seus.